Exportação reage e deve ter o melhor resultado em três anos (Jornal do Comércio, 13/03/2017)

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Melhora deve ter um reflexo direto na balança comercial Melhora deve ter um reflexo direto na balança comercial
O Brasil entrou em 2017 com o melhor cenário dos últimos três anos para o crescimento das exportações. Dados da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) indicam que os termos de troca brasileiros – a relação entre os preços das exportações e importações – atingiram o melhor nível desde 2014. Grande parte desse comportamento está relacionada à alta dos preços das commodities (matérias-primas, como soja e minério de ferro), que representam cerca de 60% das vendas externas do País. Na relação dos termos de troca, os preços das exportações do País cresceram acima dos preços das importações. As vendas externas foram puxadas, principalmente, pelo aumento do minério de ferro, cuja cotação mais que dobrou num ano. Em janeiro, o índice de termos de troca ficou em 117,3, número mensal que não era atingido desde janeiro de 2014. Essa melhora deve ter um reflexo direto na balança comercial. Nas projeções da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), as exportações brasileiras devem atingir neste ano US$ 197 bilhões, o melhor resultado também desde 2014, quando alcançaram US$ 225 bilhões. Boa parte disso virá exatamente das commodities, cujas vendas externas devem crescer 15,8%, depois de uma queda de 9,2% no ano passado. Segundo o presidente da AEB, José Augusto de Castro, os produtos básicos terão uma participação de 61,3% nas exportações deste ano. No ano passado, essa fatia foi de 57,8%. Em fevereiro, essa recuperação da balança comercial já se apresentou: as exportações cresceram 22,4% em relação ao mesmo mês de 2016, chegando a US$ 15,4 bilhões. André Mitidieri, economista da Funcex, afirma que a melhora nos termos de troca começou em meados do ano passado e deve se manter neste ano, mesmo com a valorização do real frente ao dólar. No segundo semestre de 2016, o índice médio do preço das exportações aumentou 11,4% em relação à primeira metade do ano, enquanto o índice médio das importações subiu apenas 1,2%. Em janeiro, o índice das exportações aumentou 19,6% em relação a igual mês de 2016, e o das importações caiu 1%. Além de melhorar o comércio internacional, “quando os termos de troca são mais favoráveis, o País tem ganho maior de renda, gerando impacto em vários setores, por exemplo, nas vendas de máquinas agrícolas, insumos e fertilizantes”, afirma Mitidieri. A recuperação dos preços médios das commodities, após cinco anos de queda, é um importante reforço para a retomada da economia brasileira. Para analistas, um movimento sustentado de alta vai puxar as exportações e a produção interna de produtos básicos, evitando assim que o Produto Interno Bruto (PIB) do País tenha nova contração. “A melhora na relação de troca pode contribuir não apenas para o início do próximo ciclo de crescimento econômico, mas também para torná-lo mais sustentável”, afirma Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector Consultores.
O economista Marco Caruso, do Banco Pine, reforça que a maior renda obtida nas exportações vai se traduzir em investimentos no País, ajudando assim no crescimento econômico. “A entrada de dólares vai continuar, pois o que o País vende está mais valorizado do que o que compra de fora.” No primeiro bimestre, o preço médio das commodities registrou alta de 36% em relação ao mesmo intervalo de 2016, conforme índice adotado pelo Itaú Unibanco, composto pelos preços, em dólares, de 22 produtos negociados nas bolsas internacionais que são relevantes para o Brasil. Analistas ressaltam, porém, que os dois primeiros meses do ano passado registraram o pior desempenho para o período em 11 anos. Para o ano, a projeção do Itaú é de alta de 12%. “As commodities subiram bastante desde as mínimas em fevereiro de 2016 e agora, no começo de 2017, avançaram, principalmente o minério de ferro”, diz Artur Passos, economista do Itaú Unibanco.
O economista e ex-presidente do Bndes Luiz Carlos Mendonça de Barros aposta em novo ciclo de expansão das commodities, pois, além da China, a Europa voltou a crescer, assim como os EUA. Mas, segundo ele, o crescimento não será igual ao que ocorreu entre 2011 e 2015. “Naquela época, a China crescia 15% ao ano, e agora cresce 7%.” Na opinião de Rafael Ohmachi, analista da Guide Investimentos, são exatamente as commodities ligadas à atividade econômica, como as metálicas (minério, cobre e níquel) e de energia (petróleo e gás), que deverão contribuir mais neste ano para a recuperação do PIB. No caso das mercadorias agrícolas, porém, os preços devem cair, diz Ohmachi, em razão do aumento das safras no Brasil e em outros países, “porque não estão previstos os fenômenos El Niño e La Niña, que nos últimos dois anos quebraram várias safras e limitaram a oferta de produtos”.
Na indústria, câmbio prejudica vendas externas A fabricante de componentes elétricos Steck agora só exporta para ajudar a movimentar a fábrica. “Vou ter margem de lucro zero, mas ajuda a manter a carga e deixar o custo de produção mais baixo. Quem exporta, hoje, faz isso por esporte. A gente até conseguiria se adaptar ao dólar mais baixo, mas ainda tem de se planejar com toda essa volatilidade”, diz Luis Valente, presidente da empresa. Vistas como uma alternativa para ocupar parte da capacidade ociosa da indústria de transformação e repor as perdas de um mercado interno que ainda patina, as vendas ao exterior devem contribuir menos para as receitas do setor neste ano. Parte dos fabricantes diz já vender ao exterior com prejuízo. Como não podem contar com o consumo interno, muito reprimido, eles também insistem em exportar para cumprir os contratos que fizeram no ano passado ou manter as marcas nos mercados estrangeiros, mais fechados e concorridos.Em um ano, a divisa norte-americana acumula uma desvalorização de mais de 18%. Entidades representativas de 10 seguimentos da indústria avaliam que a moeda norte-americana deveria estar entre R$ 3,40 e R$ 3,80. “É fato que a indústria hoje exporta para não ficar parada. No cenário atual, o fabricante olha para o mercado interno, ainda em frangalhos, e vê a janela para exportar estreita.
Os custos de produção de manufaturados no País fazem com que o Brasil fique ainda menos competitivo”, avalia o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Casto. “Estamos acelerando a desindustrialização.” Horizonte volátil. Com o câmbio apreciado, as empresas quebram de vez outra vez, diz o ex-ministro da Fazenda Luis Carlos Bresser Pereira. “O que permitiria a retomada da indústria seria o dólar a R$ 3,80 ou a R$ 4,00.” Na visão de Bresser Pereira, o Banco Central precisa intervir para apreciar o câmbio. “Mas não é só intervir. Quais foram as políticas contracíclicas que este governo tomou? Não conheço nenhuma. Só se eu chamar de contracíclica afinal o Banco Central, depois de um imenso atraso, começar a baixar juros. Fora esses juros absolutamente escandalosos, não vimos nada.” A West Coast teve de desativar uma de suas fábricas para compensar o freio da economia. “Agora, nossa meta é usar toda a capacidade instalada das cinco plantas em operação, e contamos com as exportações para ajudar. Vamos conseguir exportar com certa margem pelos próximos meses, mas quando chegarmos no segundo semestre, não sei”, diz Eduardo Schefer, sócio da calçadista.
“Grande parte da desaceleração econômica do País após 2011 se deu pela estagnação industrial. Se 2015 teve algo positivo, foi o ajuste do câmbio, mas agora estamos perdendo isso”, analisa José Luis Oreiro, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “A recuperação virá pela indústria.”
Metais e petróleo darão sustentação à economia Preços do óleo devem se manter próximos aos atuais ao longo do ano Preços do óleo deve se manter próximos aos atuais ao longo do ano.
Commodities mais ligadas à atividade econômica, como as metálicas (minério, cobre e níquel) e de energia (petróleo e gás), deverão contribuir mais neste ano para a recuperação do PIB, na opinião de Rafael Ohmachi, analista da Guide Investimentos. Segundo ele, a valorização do real não está, por enquanto, levando a uma queda interna dos preços das matérias-primas. No caso das mercadorias agrícolas, os preços devem cair, diz Ohmachi, em razão do aumento das safras no Brasil e em outros países, “porque não estão previstos os fenômenos El Niño e La Niña, que nos últimos dois anos quebraram várias safras e limitaram a oferta de produtos”. Ohmachi acredita que, no Brasil, “o desempenho das commodities tende a dar sustentação para a economia, principalmente nas exportações, o que ajuda a melhorar o PIB como um todo”. Segundo ele, o volume maior nas vendas externas pode inclusive compensar eventuais perdas cambiais. Ele ressalta, contudo, que “uma eventual onda global de protecionismo pode ser um risco”. O economista e ex-presidente do Bndes Luiz Carlos Mendonça de Barros aposta em novo ciclo de expansão das commodities pois, além da China, a Europa voltou a crescer, assim como os EUA. Segundo ele, o crescimento não será igual ao que ocorreu entre 2011 e 2015. “Naquela época, a China crescia 15% ao ano, e agora cresce 7%.” A alta das commodities também ficará longe do boom de 2008 quando, lembra Artur Passos, economista do Itaú Unibanco, houve uma explosão de preços em meio a um crescimento global forte, que levou a demanda por matérias-primas a superar a oferta. Além disso, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) reduziu a expansão da oferta e os preços dispararam. Naquele ano, o preço médio anual das commodities aumentou 25% em relação a 2007. O PIB brasileiro, por sua vez, cresceu 5,2%. Recuperação das importações é sinal de retomada da atividade Para o ano, Abrão projeta repetir superávit de 2016 Para o ano, Abrão projeta repetir superávit dem 2016, que foi de US$ 47,7 bilhões ABR/JC A recuperação das importações, principalmente de insumos e combustíveis, é um “forte sinal” de retomada da atividade econômica, avalia o secretário de Comércio Exterior, Abrão Neto. Em fevereiro, as importações cresceram pelo terceiro mês consecutivo, subindo 11,8% depois de um período de quedas que começou em setembro de 2014. Subiram as compras de insumos agrícolas, como adubos e fertilizantes, e bens intermediários da produção industrial, como partes e peças de equipamentos mecânicos e de aviação. A quantidade importada subiu 9,2%, enquanto o preço ficou praticamente estável, em 0,1%. Para o secretário, ainda não há efeito do câmbio nas operações com o exterior. Mesmo nas importações, em que o impacto da variação do dólar é mais rápido, a visão é que a recuperação se dá pelo crescimento da demanda interna, e não pelo preço. Já as quantidades exportadas no primeiro bimestre caíram 0,9%, mas o aumento do preço em 21,5% compensou esse movimento, levando a um crescimento de 22,4% no valor exportado. “Isso representa um cenário muito positivo para a balança comercial brasileira, que está fazendo um superávit recorde com o aumento das exportações e das importações”, analisou. A queda nas quantidades exportadas foi puxada principalmente pelo recuo nas vendas de minério de ferro, açúcar e milho. Também houve aumento no montante vendido para quase todos os destinos da produção brasileira, com destaque para o crescimento de 78% nas vendas para a China e no sétimo mês consecutivo de aumento nas exportações para a Argentina (18,4%). –

A Tendência a Apreciação Cambial no Brasil (1994-2016)

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Uma das teses da Macroeconomia Desenvolvimentista é a tendência cíclica a sobrevalorização da Taxa de Câmbio Real nos Países ricos em recursos naturais e com contas de capital abertas. A abundância de recursos naturais dá origem a doença holandesa, que se manifesta da diferença entre a taxa de câmbio que garante a competitividade das empresas industriais domésticas que operam com tecnologia no estado da arte mundial – o assim chamado equilíbrio industrial – e a taxa de câmbio de equilíbrio em conta corrente, ou seja, aquela que garante o equilíbrio intertemporal da conta corrente do balanço de pagamentos. Na presença de doença holandesa a taxa de câmbio de equilíbrio em conta-corrente será inferior a taxa de câmbio de equilíbrio industrial em função das rendas ricardianas advindas da exploração dos recursos naturais; as quais permitem que a exploração e exportação de commodities sejam lucrativas a uma taxa de câmbio significativamente menor do que aquela que permite as empresas industriais domésticas obter uma taxa normal de retorno sobre o capital investido.

A abertura da conta de capitais, por sua vez, aprofunda a apreciação cambial devida a doença holandesa ao permitir a entrada de capitais estrangeiros no país seja para aproveitar o diferencial de juros (que tende a ser positivo nos países em desenvolvimento devido a menor densidade e desenvolvimento dos seus mercados financeiros, o que gera um prêmio de liquidez expressivo para as aplicações de longo-prazo relativamente ao que se observa nos países desenvolvidos), seja para a aquisição de direitos de propriedade sobre a exploração dos recursos naturais que dão origem a doença holandesa. Dessa forma, a combinação de abundância de recursos naturais e abertura de conta de capitais termina por dar ensejo a uma forte apreciação cambial e desequilíbrios crescentes em conta-corrente, pois o câmbio real termina por se apreciar além do nível compatível com o equilíbrio em conta-corrente. O desequilíbrio externo crescente faz com que, de tempos em tempos, ocorra uma crise cambial devido a parada súbita de financiamento externo que é induzida pela crescente desconfiança dos investidores internacionais a respeito da solvência externa do país. Ocorre então uma desvalorização forte e súbita da taxa de câmbio, eliminando, temporariamente, a sobre-valorização cambial. Passados os efeitos da crise cambial e retomada a confiança dos investidores internacionais, o processo se inicia novamente.

Essa teoria se aplica ao caso brasileiro? Antes de responder a essa pergunta temos que ter um indicador preciso da taxa real de câmbio. Um indicador muito usado é a taxa real efetiva de câmbio, a qual consiste na média aritmética ponderada das taxas de câmbio reais bilaterais do país em relação a 24 parceiros comerciais selecionados. A taxa de câmbio real bilateral é definida pelo quociente entre a taxa de câmbio nominal (em R$/unidade de moeda estrangeira) e a relação entre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC/IBGE) do Brasil e o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do país em caso. As ponderações utilizadas variam a cada ano, sendo obtidas pelas participações de cada parceiro no total das exportações brasileiras para os países considerados nos 2 anos imediatamente anteriores.

Outra forma de medir a taxa real de câmbio é por intermédio da razão entre os índices de preços de bens transacionáveis e não-transacionáveis. Nesse contexto, se a taxa de variação dos preços (inflação) dos bens não-transacionáveis for superior a taxa de variação dos preços dos bens transacionáveis haverá uma apreciação da taxa real de câmbio, sinalizando uma redução da rentabilidade do capital aplicado no setor transacionável relativamente ao setor não-transacionável. Essa mudança nas taxas relativas de retorno deverá induzir uma transferência de recursos do setor transacionável para o setor não-transacionável, mudando assim a estrutura produtiva da economia, a qual passará a exibir uma participação menor (maior) do setor (não) transacionável no PIB. Como o setor transacionável tende a exibir maiores níveis de eficiência e produtividade devida a sua exposição a competição internacional; segue-se que essa mudança na estrutura produtiva acabará por reduzir a produtividade e o crescimento econômico de longo-prazo.

Na figura anexada ao post (clique no ícone cambio real no Brasil) podemos verificar que por ambas as medidas da Taxa Real de Câmbio, observa-se uma tendência clara a apreciação cambial no Brasil desde 1994, interrompida brevemente entre 1999 e 2004 devido aos efeitos da crise cambial de 1998 e da crise fiscal de 2002. Enquanto essa tendência não foi eliminada, o Brasil não voltará a ter uma trajetória de crescimento sustentada do PIB

Cambio REal no Brasil

Recuperação ainda vai demorar (Correio Braziliense, 09/03/2017)

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A retração do Produto Interno Bruto (PIB) no fim do ano passado indica que a recuperação da economia será mais lenta do que se esperava. No quarto trimestre de 2016, a atividade caiu 0,9% em relação ao terceiro, acima da expectativa do mercado, que previa queda próxima de 0,6%. O recuo já leva analistas a revisarem as projeções para 2017.

É o caso da Tendências, que esperava alta de 0,7% do PIB neste ano e, agora, reduziu a estimativa. “A expectativa é que a reação fique próxima de 0,5%”, disse o analista Rafael Bacciotti. Com os componentes da demanda ainda fracos, como o consumo das famílias, que recuou 4,2% em 2016 — o pior resultado da história —, a expectativa é de que a recuperação da atividade seja mais demorada.

Alguns analistas, entretanto, não alteraram as previsões, mas devem pensar duas vezes antes de mudarem a projeção para o ano. A Gradual Investimentos manteve a estimativa de 0,12% de crescimento. “A recuperação é morosa. Todos os componentes de demanda precisam ser acompanhados com cautela”, reforçou o economista-chefe, André Perfeito.

Nem mesmo a alta de 1,4% da produção industrial em janeiro, em comparação com o mesmo período do ano anterior, inspira confiança, apesar de ter interrompido 34 meses seguidos de queda. Perfeito avalia e vê com preocupação o recuo de 7,9% da indústria de bens de capital no acumulado em 12 meses — sinal de que os investimentos continuam retraídos.

“Aquela história de que a economia estaria se recuperando no último trimestre de 2016 foi por água abaixo. Acho que só no terceiro trimestre deste ano as perdas serão zeradas”, disse José Luis Oreiro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Isso, porém, será insuficiente para colocar o país em rota de crescimento. Para Oreiro, a variação do PIB no acumulado do ano deve ser zero.

Retomada da economia é ameaçada por retração maior do PIB em 2016 (Diário de Comércio e Indústria, 08/03/2016)

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A recuperação da atividade econômica pode ter menor intensidade e demorar mais para começar, indicaram especialistas entrevistados pelo DCI. Isso porque o tombo do Produto Interno Bruto (PIB) de 2016 superou as expectativas do mercado.

Divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a atividade econômica do ano passado teve queda de 3,6% na comparação com 2015. Entre o quarto e o terceiro trimestres de 2016, o recuo foi de 0,9%, enquanto o mercado previa queda de 0,6%.

O resultado fez com que a GO Associados alterasse a previsão para o desempenho do PIB neste ano: o crescimento de 0,8% foi revisado para uma alta de 0,6%.

“Esse corte [na projeção] vem do setor de serviços, que deve ficar zerado neste ano”, explicou Luiz Fernando Castelli, economista da GO. A agropecuária e a indústria, por outro lado, devem terminar 2017 no azul.

Já a Tendências Consultoria Integrada manteve a projeção para um crescimento anual de 0,7%. Foi inserido, porém, um viés de baixa. “Partindo de uma base pior, fica mais difícil conseguir o desempenho que era esperado anteriormente”, justificou Rafael Bacciotti, economista da instituição.

As duas consultorias têm esboços mais otimistas que a média do mercado. No último relatório Focus, apresentado antes da divulgação do PIB, os analistas financeiros apostaram em uma expansão de 0,49% para este ano.

Para José Luis Oreiro, professor de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o resultado de ontem indica que o PIB só deve voltar a um patamar positivo no terceiro trimestre de 2017.

O avanço do carregamento estatístico, herança levada de um ano para o outro, é uma das causas da piora nas expectativas para este ano. O Itaú Unibanco, por exemplo, acreditava que essa taxa seria negativa em 0,8%, mas ela ficou ainda abaixo (-1,1%).

Aportes em queda

Um dos fatores que preocupa os especialistas é a derrocada dos níveis de investimento. A chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) registrou nova baixa, de 1,6%, no embate entre os dois últimos trimestres do ano passado.

“Sem a melhora do investimento e da poupança interna [que também está caindo], não é possível esperar uma recuperação econômica”, disse Altamiro Carvalho, economista da FecomercioSP.

O entrevistado destacou que algumas medidas, como a redução da taxa básica de juros, podem estimular um avanço da FBCF, mas apenas no médio e longo prazo. “No curto prazo, não há nenhuma condição para uma retomada significativa”, acrescentou Carvalho.

Para Oreiro, as concessões de projetos de infraestrutura são a única possibilidade para o estímulo do investimento. “Se o governo conseguir um bom resultado nos leilões, a situação pode melhorar. Mas, com as empreiteiras em crise, isso pode não acontecer.”

Atraso

Com a queda do ano passado, a recessão brasileira alcançou 7,2% em dois anos. Assim, a atividade econômica voltou ao patamar do ano de 2010.

Na opinião dos especialistas consultados pelo DCI, o PIB só deve voltar ao nível de 2014, quando a crise ainda não havia começado, entre 2020 e 2021.

“Só conseguiríamos voltar rapidamente àquele grau de atividade [de dois anos atrás] se tivéssemos avanços de 4% em 2018 e 2019. Isso não deve acontecer”, indicou Oreiro.

Segundo ele, após um aumento “próximo de zero”, em 2017, o Brasil deve se acostumar com um crescimento potencial próximo dos 2%. Nesse cenário, uma volta ao patamar de 2014 aconteceria em 2021.

As estimativas da Tendências são um pouco mais otimistas, com altas de 2,4%, para 2018, e de 2,5%, para 2019 e 2020. Com isso, o a economia voltaria ao seu melhor nível no último ano desta década.

Também chama atenção a diminuição do PIB per capita, divisão da produção econômica pela população do País, que recuou pelo terceiro ano consecutivo, acumulando perda de 9,1% desde 2014. Os especialistas destacaram que essa trajetória representa um empobrecimento dos brasileiros.

Expectativa

Após a divulgação pelo IBGE, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que os dados de 2016 são parte do passado. “É o espelho retrovisor.”

Segundo ele, o Brasil voltou à normalidade e a economia já voltou a crescer. Como justificativa, ele destacou o aumento do fluxo de veículos nas estradas, das importações e da confiança dos consumidores.

O ministro ainda apostou em um crescimento expressivo, de 2,4%, no quarto trimestre de 2017, ante igual período de 2015. Meirelles indicou que o crescimento potencial do País, a partir de 2018, deve ficar entre 2,2% e 2,5%.

Investimento teve o pior resultado em 20 anos (O Estado de São Paulo, 08/03/2017)

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Com paralisação da produção e queda no consumo, taxa foi de 16,4% do PIB em 2016

Daniela Amorim, Vinicius Neder ,
O Estado de S.Paulo

RIO – Em meio ao prolongado cenário de recessão, paralisação da produção e redução no consumo, a taxa de investimento na economia brasileira registrou o pior desempenho em pelo menos 20 anos. O resultado de 16,4% do PIB registrado em 2016 foi o menor da série histórica, iniciada em 1996 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Já são 11 trimestres consecutivos de retração na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida dos investimentos no PIB). Embora o ritmo de queda tenha desacelerado no quarto trimestre, quando o recuo de 5,4% ante o mesmo trimestre de 2015 foi o mais brando registrado nesse período de perdas, uma futura retomada esbarra no alto nível de capacidade ociosa. “Continua com taxas negativas, mas quedas menores”, disse Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

A esperança de retomada dos investimentos reside no projeto de concessões públicas prometido pelo governo, na avaliação do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). “É a única possibilidade. O impulso aos investimentos não vai sair de setores em que a capacidade ociosa está tão elevada. Seria conveniente que o arranjo financeiro e contratual que essas operações vão demandar já estivessem prontos, porque o efeito na economia demora a acontecer”, alertou Rafael Cagnin, economista-chefe do Iedi.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da indústria foi de 74,3% em fevereiro, enquanto o do setor de serviços ficou em 82,1% no mesmo mês, segundo sondagem do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV). A alta ociosidade é reflexo da retração na atividade. O PIB industrial encolheu 3,8% em 2016, enquanto o PIB de serviços diminuiu 2,7%.

“Nossa crise é interna, inclusive política. O grande ponto de interrogação é como essa crise política vai se desdobrar e se vai abalar a confiança dos agentes daqui em diante, já que foi a grande responsável pelo mico dos investimentos nos últimos dois anos”, avaliou o economista Fabio Bentes, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Para José Luís Oreiro, professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB), o tombo nos investimentos a partir do segundo trimestre de 2014 foi o fator que detonou a recessão. “É como se fosse um avião que perde sustentação. De repente, desaba.”

Por trás desse colapso esteve o fato de que, no início daquele ano, a taxa real de retorno do capital ficou negativa, ou seja, abaixo da inflação, afirmou Oreiro. Isso ocorreu porque houve “esmagamento do lucro” das empresas, provocado por custos em alta (destaque para salários) e impossibilidade de repassá-los (por causa do câmbio favorável às importações).

Entre os componentes do PIB, a maioria teve perdas menores no último trimestre de 2016 ante o mesmo período do ano anterior. Isso não indica, porém, que a recuperação é certa, alertou Rebeca Palis. Juros, inflação e a expectativa dos consumidores são determinantes, mas “o mercado de trabalho é fundamental na equação”, declarou.

“Olhando para trás, é terra arrasada. Mas, olhando para a frente, tem novidades, principalmente o arrefecimento da inflação, que vai ajudar a partir do segundo semestre, e planta um cenário positivo para os juros. O que está faltando para a economia recuperar é o emprego mesmo”, corroborou Bentes, da CNC.

Crescimento só no Terceiro Trimestre de 2017

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Acabei de ver os dados do IBGE sobre o crescimento do PIB em 2016 (www.saladeimprensa.ibge.gov.br/noticias?view=noticia&id=1&busca=1&idnoticia=3384). Como esperado o PIB sofreu uma contração de 3.6% em 2016, apenas 0.2 p.p menor do que a observada em 2015. A surpresa negativa ficou por conta do desempenho do quarto trimestre de 2016: queda de 0.9% com respeito ao trimestre anterior. Esse dado não só pôs por terra a expectativa de que a economia brasileira poderia apresentar um desempenho positivo no ultimo trimestre do ano passado, como ainda sepultou a tese de que o ultimo trimestre de 2016 traria sinais de estabilização do nível de atividade econômica. Com efeito, na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o ultimo trimestre de 2016 teve o pior desempenho do ano, conforme tabela abaixo

2015.T4 -1,2
2016.T1 -0,3
2016.T2 -0,6
2016.T3 -0,7
2016.T4 -0,9

Fonte: IBGE. Elaboração própria.

Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, podemos observar uma redução do ritmo de decrescimento do PIB, sinalizando que, em algum momento ao longo do ano de 2017, o nível de atividade econômica irá parar de cair.

Fazendo uma projeção linear a partir dos dados de crescimento do PIB (trimestre contra mesmo trimestre do ano anterior), verificamos que o crescimento só voltará a ser positivo no terceiro trimestre de 2017!

Para visualizar a figura clique no ícone abaixo:

PIB 2016

 

Brasil pode ter meta de inflação menor (O Estado de São Paulo, 06/03/2017)

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Para 17 de 25 instituições do mercado financeiro consultadas pelo ‘Broadcast’, País tem condições de estipular nova meta entre 4% e 4,25%

Douglas Gavras, Maria Regina Silva e Thais Barcellos ,
O Estado de S. Paulo

O Brasil já tem condições de ter uma meta de inflação mais baixa do que os atuais 4,5%, para 17 de 25 instituições do mercado financeiro ouvidas pelo ‘Broadcast’, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. Segundo analistas, o País poderia estipular uma nova faixa entre 4% e 4,25%.

Uma eventual mudança poderá ocorrer em junho, quando o Conselho Monetário Nacional (CMN) se reunirá para ratificar ou não a meta de 2018 e fixar a do ano seguinte. No ano passado, o CMN decidiu que a meta para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2018 seria de 4,5%, com uma margem de 1,5 ponto porcentual, para cima ou para baixo. O sistema foi adotado em 1999.

A desaceleração consistente da inflação corrente e das expectativas inflacionárias estão refletindo em grande parte os efeitos da pior recessão já enfrentada pelo País. Para alguns economistas, além desse cenário, o otimismo com o avanço nas medidas fiscais justificariam uma redução. Se a mudança for confirmada, o Banco Central passaria um sinal maior de confiança ao mercado.

No boletim Focus da última quarta-feira, 1.º, as projeções para o IPCA nos próximos anos já estão abaixo de 4,5%. Para este ano, a mediana caiu para 4,36% e foi mantida em 4,50% para 2018. Como o cenário parece favorável ao arrefecimento de preços, essas estimativas podem ceder ainda mais.

Para Heron do Carmo, economista da Universidade de São Paulo, o País tem hoje uma janela de oportunidade para trabalhar com uma perspectiva de inflação mais baixa.

“Tivemos uma situação parecida em 2006, em que o resultado de inflação ficou abaixo da meta, e não aproveitamos para reduzir. Foi um erro grave. Sinalizar que a intenção é chegar aos 3% é uma forma de não jogar fora o esforço que fizemos nos últimos 30 anos.”

“A redução da meta ajudaria a coordenar as expectativas de inflação corrente, e o Banco Central atual tem confiança para isso. Na economia real, 0,5 ponto porcentual pode não fazer diferença em um primeiro momento, mas aliviaria o custo social em um período mais longo, impactando em contratos e preços”, diz Claudio Adilson Gonçalez, da MCM Consultores Associados.

Em 2006, quando a inflação fechou em 3,14%, o Brasil tinha condições de reduzir a meta de inflação, mas não o fez pois, segundo o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, acreditava-se que um pouquinho de inflação seria bom para o crescimento. “O que obviamente não é verdade. Ali, não foi apenas a meta que não foi baixada, mas toda a economia que foi desarranjada, especialmente com o começo da deterioração fiscal”, relembra.

Hoje, Vale avalia que o cenário é o inverso, especialmente com o fiscal entrando nos eixos.

Cautela.Apesar de um horizonte favorável, alguns analistas afirmam que para ocorrer redução na meta seria necessária uma queda mais significativa nas expectativas, especialmente para os anos seguintes até 2020, que atualmente estão em 4,5%.

“Não é o momento de fazer essa discussão”, diz José Luis Oreiro, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Historicamente, a média de inflação ficou poucas vezes abaixo de 4,5%, o que demonstra a dificuldade em cumprir a meta. É preciso consolidar o patamar atual antes de discutir a redução, abrindo espaço para a manutenção da queda de juros e para que a economia se recupere.”

Para o ex-presidente do BNDES e ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros, a discussão “coloca os carros na frente dos bois”. “Uma redução da meta poderia causar num maior esforço e numa redução no corte de juros para atender a esse novo patamar. O Banco Central tem credibilidade e isso é reconhecido pelo mercado, não há motivo para apertar o passo.”

Na opinião de Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos e colunista do Estado, ainda que fique provado que havia espaço para a redução da meta de inflação de 2018, isso poderia ser corrigido lá na frente, fora de um ano eleitoral.

“Mas reduzir a meta no futuro é importante para não perder o esforço que o País tem feito para correção das políticas econômicas e sinalizaria uma maior preocupação fiscal do Estado. Quem sabe os erros cometido pelo governo Dilma tivessem sido menos graves com uma meta mais baixa?”

PARA LEMBRAR

O regime de metas de inflação é uma política econômica onde principal objetivo dos países é diminuir e manter a inflação em níveis baixos. No Brasil, a política de metas foi adotada na década de 90, após a crise cambial de 1999. Esse regime substituiu o regime monetário de metas cambiais, que funcionava até então. Em 2015, no entanto, o País não conseguiu bater a meta e ficou bem acima do teto estipulado para o período. No ano passado, com a recessão, a inflação ficou abaixo do teto da meta.

 

 

Na indústria, câmbio prejudica vendas para o exterior (O Estado de São Paulo, 05/03/2017)

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Dólar baixo tira margem nas exportações; para empresários, moeda americana deveria estar entre R$ 3,40 e R$ 3,80

Douglas Gavras ,
O Estado de S.Paulo

A fabricante de componentes elétricos Steck agora só exporta para ajudar a movimentar a fábrica. “Vou ter margem de lucro zero, mas ajuda a manter a carga e deixar o custo de produção mais baixo. Quem exporta hoje, faz isso por esporte. A gente até conseguiria se adaptar ao dólar mais baixo, mas ainda tem de se planejar com toda essa volatilidade”, diz Luis Valente, presidente da empresa.

Vistas como uma alternativa para ocupar parte da capacidade ociosa da indústria de transformação e repor as perdas de um mercado interno que ainda patina, as vendas ao exterior devem contribuir menos para as receitas do setor neste ano. Parte dos fabricantes diz já vender ao exterior com prejuízo.

Como não podem contar com o consumo interno, muito reprimido, eles também insistem em exportar para cumprir os contratos que fizeram no ano passado ou manter as marcas nos mercados estrangeiros, mais fechados e concorridos.

Em um ano, a moeda americana acumula uma desvalorização de mais de 18%.

Entidades representativas de dez segmentos da indústria ouvidas pelo Estado avaliam que a moeda americana deveria estar entre R$ 3,40 e R$ 3,80.

“É fato que a indústria hoje exporta para não ficar parada. No cenário atual, o fabricante olha para o mercado interno, ainda em frangalhos, e vê a janela para exportar estreita. Os custos de produção de manufaturados no País fazem com que o Brasil fique ainda menos competitivo”, avalia o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Casto. “Estamos acelerando a desindustrialização.”

Horizonte volátil. Com o câmbio apreciado, as empresas quebram de vez outra vez, diz o ex-ministro da Fazenda Luis Carlos Bresser Pereira. “O que permitiria a retomada da indústria seria o dólar a R$ 3,80 ou a R$ 4.”

Na visão de Bresser, o Banco Central precisa intervir para apreciar o câmbio. “Mas não é só intervir. Quais foram as políticas contracíclicas que este governo tomou? Não conheço nenhuma. Só se eu chamar de contracíclica afinal o Banco Central, depois de um imenso atraso, começar a baixar juros. Fora esses juros absolutamente escandalosos, não vimos nada.”

A calçadista West Coast teve de desativar uma de suas fábricas para compensar o freio da economia. “Agora, nossa meta é usar toda a capacidade instalada das cinco plantas em operação e contamos com as exportações para ajudar. Vamos conseguir exportar com certa margem pelos próximos meses, mas quando chegar o segundo semestre, não sei”, diz Eduardo Schefer, sócio da empresa.

“Quando o dólar deu aquele pico de R$ 4,15, a indústria de tratores voltou a ser competitiva lá fora. O problema é a incerteza. Mesmo que você já seja conhecido, leva um tempo para se consolidar no exterior”, diz Edson Martins, da Agrale.

A gerente de mercado externo da Abimaq (das fabricantes de máquinas e equipamentos), Patrícia Gomes, lembra que, quando o dólar estava baixo antes da crise, as empresas insistiam em vender para o exterior, mesmo sem lucro. “Usavam o bom momento do mercado interno para investir na abertura de praças para vender seus produtos. Esse movimento, agora, tornou-se inviável.”

“Grande parte da desaceleração econômica após 2011 se deu pela estagnação industrial. Se 2015 teve algo positivo foi o ajuste do câmbio, mas estamos perdendo isso”, analisa José Luis Oreiro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “O Banco Central deveria agir mais para reverter isso. A recuperação virá pela indústria.”/ COLABOROU MÁRCIA DE CHIARA

Livro “Macrodinâmica Pós-Keynesiana”

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Caros leitores,

Tenho a grata satisfação de informar que assinei contrato com a Editora Alta Books para a publicação do livro “Macrodinâmica Pós-Keynesiana”. Trata-se de um material inédito no Brasil que tem por objetivo fazer uma apresentação de alguns dos principais modelos macrodinâmicos de inspiração pós-keynesiana, cobrindo temas relacionados a fragilidade financeira e flutuações cíclicas, crescimento e distribuição de renda. A obra é destinada a disciplinas de macroeconomia e desenvolvimento econômico nos cursos de graduação e pós-graduação em economia no Brasil.

A previsão de entrega é dezembro de 2017.

Vejam abaixo a estrutura do livro

  • Introdução: A Escola Pós-Keynesiana: uma apresentação.
    • 1 Breve histórico da escola Pós-Keynesiana.
    • 2 O programa de pesquisa Pós-Keynesiano.
    • 3 Modelos Kaldorianos e Neo-Kaleckianos.
  • Parte I: Fundamentos da Teoria Pós-Keynesiana do Crescimento e da Distribuição de Renda.
    • Capítulo 1: Expansão da capacidade produtiva, desemprego e instabilidade: as contribuições de Harrod e Domar.
    • Capítulo 2: A teoria pós-keynesiana da distribuição de renda: as contribuições de Kaldor e Pasinetti.
    • Capítulo 3: Acumulação de capital e trajetórias de crescimento: o modelo de Joan Robinson.
  • Parte II – Crescimento, utilização da capacidade produtiva e inflação: os modelos Neo-Kaleckianos.
    • Capítulo 4 – Acumulação de capital, distribuição de renda e utilização da capacidade produtiva.
    • Capítulo 5 – Conflito distributivo, inflação e crescimento econômico.
    • Capítulo 6 – Crescimento, Instabilidade e Ciclos nos Modelos Neo-Kaleckianos.
  • Parte III – Progresso Técnico, Mudança Estrutural e Restrição de Balanço de Pagamentos nos Modelos Kaldorianos de Crescimento.
    • Capítulo 7 – Crescimento e progresso técnico induzido.
    • Capítulo 8 – Os modelos de crescimento com restrição de balanço de pagamentos.
    • Capítulo 9 – Mudança estrutural, taxa real de câmbio e restrição de balanço de pagamentos num modelo norte-sul de crescimento.
  • Parte IV – Fragilidade Financeira e Flutuações Cíclicas.
    • Capítulo 10 – Minsky e a Hipótese da Instabilidade Financeira.
    • Capítulo 11 – Fragilidade Financeira em Economias Emergentes.
    • Capítulo 12 – Flutuações e Fragilidade Financeira num modelo macrodinâmico pós-keynesiano.

 

Corte de despesas faz governo iniciar ano com superávit de R$ 18,9 bilhões (Diário de Comércio e Indústria – 24/02/2017)

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Um corte expressivo nas despesas permitiu ao governo federal alcançar um superávit primário (receita maior que gasto, sem os juros) de R$ 18,967 bilhões em janeiro.

Este foi o terceiro melhor resultado da série histórica consolidada pela Secretaria do Tesouro Nacional para o mês. O desempenho do governo central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social) mostrou um avanço de 21,4% em relação ao fechamento das contas de janeiro de 2016, que ficaram no azul em R$ 15,629 bilhões.

A redução real (descontada a inflação) dos gastos federais em 13,2%, para R$ 99,182 bilhões, foi fundamental para a formação do superávit de janeiro, compensando a queda de 7,7% das receitas totais (para R$ 137 bilhões). Já a receita líquida, que desconta todas as transferências que a União faz aos estados e municípios, encolheu 9,1%, alcançando R$ 118 bilhões.

O relatório divulgado ontem passou a especificar o comportamento das despesas vinculadas ao teto de gastos. Estas caíram 4,9% em termos nominais, totalizando R$ 94,6 bilhões em janeiro. O corte de dispêndios por parte do poder executivo foi o que puxou a queda, registrando diminuição de 5,3%, para R$ 89,7 bilhões.

Já as despesas dos poderes legislativo e judiciário avançaram 11,1% e 0,9% acima da inflação, respectivamente.

Para o economista da Tendências Consultoria Fábio Klein, a divulgação dos dados de cumprimento do teto será importante para subsidiar o debate sobre a alocação de recursos nos próximos meses.

Aportes em queda

Já o especialista em finanças públicas José Luiz Oreiro, professor de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), observa que o corte de investimentos foi o que permitiu o cumprimento do teto em janeiro, o que “não é uma boa notícia”. “Teremos problemas de gestão fiscal mais para a frente, porque em dois anos não teremos mais espaço para reduzir investimentos. Em 2019, o presidente que estiver no poder terá que rever este teto de gasto” , comenta Oreiro.

“O teto sem reformas adicionais é insustentável. Cortar muito o investimento público prejudica o ciclo de recuperação da economia e o crescimento no longo prazo”, complementa o professor.

Em relatório, o Tesouro detalhou que o corte de 50,4% nas despesas discricionárias (rubrica que aloca os investimentos) foi o principal fator de queda de 13,2% nas despesas totais. Em todo o mês de janeiro, os gastos discricionários totalizaram R$ 12 bilhões. Somente os aportes caíram 80% em janeiro, a R$ 1 bilhão.

Restos a pagar

Klein, da Tendências, destaca que a redução do estoque de restos a pagar (RPs) em 2016 possibilitou ao governo entrar em 2017 “com menos pressão nas suas contas”. Em janeiro, os RPs executados caíram para R$ 41,3 bilhões, ante R$ 53,1 bilhões no ano passado.

“Desde 2015, o governo vem fazendo um esforço para diminuir o estoque de restos a pagar. Isso é importante, pois contamina menos o orçamento do ano seguinte”, diz Klein.

Por outro lado, o economista avalia que o efeito positivo da execução dos RPs tende a perder força ao longo do ano. Para Klein, será difícil para o governo cumprir a meta deficitária de R$ 139 bilhões neste ano, ainda que contingencie R$ 38 bilhões do orçamento. A saída, diz ele, será uma alteração da meta ou mais corte de gasto.

Klein pontua que também houve recuo nas despesas obrigatórias. Estas caíram 23,2%, para R$ 23 bilhões, em janeiro. Dentro dessa rubrica, os gastos com abono salarial e seguro desemprego retraíram 19%, para R$ 5,6 bilhões, enquanto os subsídios despencaram 26,4%, totalizando cerca de R$ 8 bilhões em janeiro.