Artigos publicados no Diário de Comércio e Indústria

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Caros leitores,

Em março de 2016 comecei a publicar uma coluna mensal de opinião do jornal Diário de Comércio e Indústria. Neste mês de outubro publiquei o vigésimo artigo. Nos próximos dias estarei disponibilizando os mesmos para download no meu site pessoal http://www.joseluisoreiro.com.br/artigos_na_midia.php. Confiram a lista dos artigos publicados na tabela abaixo.

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Escassez de poupança? (Diário de Comércio e Indústria, 25/10/2017)

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O senso comum no debate econômico brasileiro afirma que um dos grandes problemas de nossa economia é a escassez de poupança doméstica, a qual seria a causa fundamental do elevado nível da taxa real de juros prevalecente no Brasil. Para pequenas economias abertas com mobilidade de capitais, contudo, a escassez de poupança doméstica pode ser vista, no máximo, como a causa dos déficits em conta corrente e, portanto, da tendência à sobrevalorização crônica da taxa de câmbio. A evidência empírica disponível aponta para a inversão da relação de causalidade – o câmbio apreciado é que causa os déficits em conta corrente e a escassez de poupança doméstica.

É fato, porém, que a poupança doméstica no Brasil é muito baixa, e que a retomada do crescimento sustentável exige um aumento da taxa de poupança, do contrário o Brasil continuará dependente de poupança externa e, portanto, refém dos humores dos mercados financeiros internacionais.

Uma das preocupações da Teoria Clássica do Desenvolvimento Econômico foi precisamente explicar como os países que passam por um rápido processo de industrialização conseguem aumentar sua taxa de poupança de 4-5% do PIB para níveis superiores a 15% do PIB num espaço de poucos anos. A explicação encontrada foi que nas fases iniciais do processo de industrialização, a existência de mão-de-obra excedente no setor de subsistência ou tradicional permite que o emprego no setor moderno ou industrial se expanda a grandes velocidades com um efeito praticamente nulo sobre o preço de oferta do trabalho. Como a produtividade é maior no setor moderno do que no setor de subsistência segue-se que a transferência de mão de obra do setor de subsistência para o setor industrial irá resultar num aumento da produtividade média da economia, sem que ocorra, concomitantemente, um aumento do nível do salário real. Esse processo de mudança estrutural irá produzir, portanto, um aumento da participação dos lucros na renda. Como a propensão a poupar a partir dos lucros é maior do que a propensão a poupar a partir dos salários haverá um aumento da taxa de poupança agregada. Ao longo do processo de industrialização das economias em desenvolvimento deve-se observar uma correlação positiva entre taxa de poupança, participação dos lucros na renda e participação da indústria de transformação no PIB.

Essa conjectura é respaldada pela experiência histórica dos países em desenvolvimento onde se observa a existência de uma correlação positiva entre taxa de poupança doméstica e participação dos lucros na renda; e a existência de uma correlação positiva entre a taxa de poupança e a participação da indústria de transformação no PIB.

Quais as lições que podemos tirar para o caso brasileiro? Nos últimos 10 anos ocorreu inegável processo de desindustrialização da economia brasileira seguido, mais recentemente, por uma redução da taxa de lucro sobre o capital próprio das empresas não financeiras. A partir do raciocínio acima, essa mudança estrutural perversa deve ser seguida também por uma queda da taxa de poupança, algo que de fato vem ocorrendo de forma acentuada na última década. O problema da “escassez de poupança” no Brasil pode ser apenas o resultado da perda de importância da indústria de transformação na economia. Nesse caso, a resolução “problema da poupança” passa obrigatoriamente pela reindustrialização da economia brasileira.

E o crescimento parece que não vem

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Bom dia pra você que acredita nas previsões otimistas da equipe econômica do governo e de parte dos analistas econômicos para o PIB de 2017 e acorda com a notícia de que o volume de serviços caiu 1% em agosto na comparação com julho, que o IBC-BR deve cair 0,24% em agosto na comparação com julho e que as consultas por crédito no BNDES tiveram o pior setembro desde 2002 [pós escrito: o IBC-BR veio pior do que o esperado: queda de 0,38% entre agosto e julho).

Crescimento sem industrialização? Algumas observações a partir do artigo de Dani Rodrik

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Para o azar dos liberais brasileiros que insistem na tese, desprovida de base empírica, de que o desenvolvimento econômico não depende da estrutura produtiva de um país, em particular do crescimento acelerado da produção industrial; o artigo de Dani Rodrik no Valor de hoje (http://www.valor.com.br/opiniao/5157940/crescimento-sem-industrializacao) mostra que as experiências recentes de crescimento acelerado dos países da África, puxados por investimentos em infraestrutura, mas não acompanhados por um crescimento da produção industrial com vistas a exportação, “são excepcionais e podem não durar”. Ele também argumenta que a desindustrialização prematura ocorrida em várias economias em desenvolvimento tirou das mesmas a sua força propulsora. Por fim, o autor destaca que “industrialização” e “investimento em capital humano” são complementares, ao invés de substitutos, como parecem acreditar os liberais tupiniquins.

 

 

Sobre Complexidade Econômica e Capital Humano: desfazendo alguns equivocos

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Prezados leitores,

Em função das informações equivocadas divulgadas recentemente na grande mídia, quero informá-los que:

(i) Nunca afirmei ou escrevi que o capital humano não influencia a complexidade econômica, pelo contrário, no post “https://jlcoreiro.wordpress.com/2017/09/28/o-mito-de-que-a-estrutura-produtiva-nao-importa-uma-analise-dos-dados/” escrevi que “Segundo Hidalgo (2015, cap.10), o conhecimento técnico e científico está embutido nas pessoas (capital humano), nas máquinas e equipamentos (capital físico), na capacidade das pessoas em se conectarem e assim trocar informações (capital social). Dessa forma, aquilo que uma economia produz e exporta revela a sofisticação ou complexidade das suas capacitações produtivas. Além disso, Hidalgo (2015, pp.145-146) define a complexidade econômica como a combinação entre a diversidade e a sofisticação das atividades produtivas, a qual se origina do conhecimento técnico (knowhow) e científico (knowledge) acumulado ao nível da economia como um todo”.

(ii) A frase a Austrália é a exceção que confirma a regra, não foi dita ou escrita por mim.

(iii) Eu nunca defendi as políticas industriais dos governos Lula e Dilma. Aliás nunca defendi subsídio a indústria de transformação. Como novo-desenvolvimentista eu sempre defendi que a melhor política industrial é ter uma taxa de câmbio competitiva. Subsídios só devem ser concedidos a indústria nascente, nunca a indústrias longamente estabelecidas no país.

(iv) A complexidade econômica tem correlação positiva sobre a renda per-capita mesmo ao se controlar para uma série de variáveis (como, por exemplo,  o hiato tecnológico e o capital humano), como argumentei recentemente em artigo escrito em co-autoria com Luciano Gabriel e publicado em https://macrododesenvolvimento.wordpress.com/2017/10/11/o-papel-da-complexidade-economica-no-processo-de-desenvolvimento-teoria-e-evidencia-empirica/

(v) Uma análise empírica mais robusta a respeito da relação entre indústria  e crescimento de longo-prazo pode ser obtida no artigo “Manufaturing, economic growth and real exchange rate: empirical evidence in panel data” escrito em co-autoria com Luciano Gabriel e Frederigo Gonzaga Jayme Jr e aceito para o encontro da ANPEC de 2017. O mesmo pode ser baixado gratuitamente em https://www.anpec.org.br/encontro/2017/submissao/files_I/i6-0d8a2cbfe866186855adafd4a40853b7.pdf.

 

 

Poupança, lucros e indústria

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O senso comum no debate econômico brasileiro afirma que um dos grandes problemas de nossa economia é a escassez de poupança doméstica, a qual seria a causa fundamental do elevado nível da taxa real de juros prevalecente no Brasil. Para pequenas economias abertas com mobilidade de capitais, contudo, a escassez de poupança doméstica pode ser vista no máximo como a causa dos déficits em conta-corrente e, portanto, da tendência a sobrevalorização crônica da taxa de câmbio. Ainda nesse caso, a evidência empírica disponível parece apontar para a inversão da relação de causalidade, ou seja, o câmbio apreciado é que causa os déficits em conta-corrente e, dessa forma, a escassez de poupança doméstica (a esse respeito ver http://joseluisoreiro.com.br/site/link/ff76f63b013442d0aac4da3684c92c15507e32d7.pdf).

É fato, no entanto, que a poupança doméstica no Brasil é muito baixa, e que a retomada do crescimento em bases mais sustentáveis exige um aumento da taxa de poupança, do contrário o Brasil continuará dependente de poupança externa e, portanto, refém dos humores dos mercados financeiros internacionais.

O que deve ser feito para aumentar a taxa de poupança? Para os economistas neoclássicos, a taxa agregada de poupança é resultado das decisões racionais dos agentes econômicos. Nesse contexto, uma taxa de poupança baixa seria o resultado agregado de preferências individuais fortemente orientadas para o consumo presente em detrimento do consumo futuro. Em termos mais técnicos, uma baixa taxa de poupança é o resultado de uma elevada taxa de impaciência intertemporal. Sendo assim, os países que apresentam uma elevada taxa de poupança são aqueles países em que, por questões culturais, as preferências individuais se orientam para o atendimento do consumo futuro, ou seja, são países onde a cultura atua no sentido de reduzir a taxa de impaciência intertemporal. Esse seria o caso dos países do Sudeste Asiático. Já em países latinos a cultura é mais voltada para a “boa vida” o que implica numa elevada taxa de impaciência intertemporal, o que termina por gerar uma baixa taxa de poupança. Considerando que mudanças culturais são difíceis, pra não dizer quase impossíveis, de ocorrer, os países latinos estão condenados a ser dependentes de poupança externa para o seu desenvolvimento, ao passo que os países asiáticos serão naturalmente “exportadores de capital”.

A (boa) macroeconomia foi construída a partir da refutação por J.M. Keynes da falácia da composição, ou seja, da ideia de que o todo é sempre e em todo lugar igual a soma das partes. Com efeito, a existência de agentes heterogêneos faz com que o comportamento dos agregados possa divergir, em muito. do comportamento do agente médio ou representativo. Se assim for, então a simples mudança na composição dos agentes (poupadores ou gastadores) na população total pode fazer com que a taxa agregada de poupança se modifique sem que seja necessário nenhum agente individualmente mudar as suas preferências e atitudes com relação ao consumo e poupança.

Uma das preocupações da Teoria Clássica do Desenvolvimento Econômico foi precisamente explicar como os países que passam por um rápido processo de industrialização conseguem aumentar sua taxa de poupança de 4-5% do PIB para níveis superiores a 15% do PIB num espaço de poucos anos (Lewis, 1954). A explicação encontrada foi que nas fases iniciais do processo de industrialização, a existência de mão-de-obra excedente no setor de subsistência ou tradicional permite que o emprego no setor moderno ou industrial se expanda a grandes velocidades com um efeito praticamente nulo sobre o preço de oferta do trabalho. Em outras palavras, o setor moderno se defronta com uma oferta de trabalho infinitamente elástica ao nível do preço de oferta do trabalho (igual ao salário de subsistência acrescido de um prêmio salarial para compensar os trabalhadores pelo incomodo da vida urbana). Como a produtividade é maior no setor moderno do que no setor de subsistência – pelo fato de que a produção no primeiro é intensiva em capital ao passo que a produção no segundo é intensiva em trabalho – segue-se que a transferência de mao de obra do setor de subsistência para o setor industrial irá resultar num aumento da produtividade média da economia, sem que ocorra, concomitantemente, um aumento do nível do salário real. Esse processo de mudança estrutural irá produzir, portanto, um aumento da participação dos lucros na renda. Como a propensão a poupar a partir dos lucros é maior do que a propensão a poupar a partir dos salários (Kaldor, 1956) haverá um aumento da taxa de poupança agregada. Em suma, ao longo do processo de industrialização das economias em desenvolvimento deve-se observar uma correlação positiva entre taxa de poupança, participação dos lucros na renda e participação da industria de transformação no PIB.

Essa conjectura pode ser confirmada com base numa amostra de 30 países em desenvolvimento para o período 1988-1992 (Ros, 2001). As figuras 1 e 2 abaixo mostram (i) a existência de uma correlação positiva entre taxa de poupança doméstica e participação dos lucros na renda ; (ii) a existência de uma correlação positiva entre a taxa de poupança e a participação da indústria de transformação no PIB.

Figura 1

Figura 2

Quais as lições que podemos tirar para o caso brasileiro? Nos últimos 10 anos tem ocorrido um inegável processo de desindustrialização da economia brasileira seguido, mais recentemente, por uma redução da taxa de lucro sobre o capital próprio das empresas não financeiras. A partir do raciocínio acima exposto essa mudança estrutural perversa deve ser seguida também por uma redução da taxa de poupança, algo que de fato vem ocorrendo de forma acentuada na ultima década. Sendo assim, o problema da “escassez de poupança” no Brasil pode não ser cultural, mas apenas o resultado da perda de importância da indústria de transformação na economia brasileira. Nesse caso, o resolução “problema da poupança”  passa obrigatoriamente pela reindustrialização da economia brasileira

Referências

Lewis, A> (1954). “Economic Development with Unlimited Supplies of Labor”. Manchester School of Economics and Social Studies, 28: 139-191.

Kaldor, N. (1956) “Alternative Theories of Distribution”, Review of Economic Studies, vol. 23, p. 83-100.

Ros, J. (2001). Development Theory and the Economics of Growth. Michigan University Press: Michegan.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Professor da UnB recebe prêmio por livro de Economia (Site da UnB, 25/09/2017)

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Link: http://www.noticias.unb.br/publicacoes/67-ensino/1806-professor-da-unb-recebe-premio-por-livro-de-economia

Obra trata sobre a macroeconomia do desenvolvimento, uma nova disciplina em sua área de atuação

 

José Luis Oreiro recebeu prêmio por livro que aborda a macroeconomia do desenvolvimento, nova disciplina da área. Foto: Amália Gonçalves/Secom UnB

 

O economista e professor do Departamento de Economia (ECO) da Universidade de Brasília José Luis Oreiro venceu o XXIII Prêmio Brasil de Economia na categoria livro, com a obra Macroeconomia do Desenvolvimento: uma perspectiva Keynesiana.

 

Como indicado no título, o livro aborda a macroeconomia do desenvolvimento, que constitui uma nova disciplina das Ciências Econômicas, construída a partir da integração entre a Teoria Macroeconômica e a Teoria do Desenvolvimento Econômico.

 

“O regime de política macroeconômica é fundamental para entender as divergências internacionais nas taxas de crescimento da renda per capita”, exemplifica o docente. “O subtítulo: uma perspectiva Keynesiana, deve-se ao fato de que o livro apresenta o desenvolvimento econômico como um processo que é fundamentalmente restrito pela expansão da demanda agregada”, explica.

 

O objetivo do prêmio é estimular a reflexão crítica sobre economia como área de conhecimento. A premiação é organizada pelo Conselho Federal de Economia. O vencedor de cada categoria recebe uma quantia em dinheiro, como forma de incentivo à produção de conteúdo. A premiação aconteceu no início de setembro, durante o XXII Congresso Brasileiro de Economia, realizado em Belo Horizonte.

 

“Foi um evento muito bacana. Ao lado dos encontros da Anpec [Associação Nacional dos Centros de Pós-Graduação em Economia], é uma das maiores e mais importantes conferências na área de economia no Brasil”, considera Oreiro.

 

 

*Estagiária de Jornalismo na Secom/UnB.

ATENÇÃO – As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seus conteúdos. Crédito para textos: nome do repórter/Secom UnB ou Secom UnB. Crédito para fotos: nome do fotógrafo/Secom UnB.

O Chile não é essa coca-cola toda: o Mito do Sucesso Econômico Chileno

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A figura acima foi extraída do livro “Rethinking Economic Development, Growth and Institutions” publicado por meu colega mexiacano Jaime Ros. Essa figura mostra a renda per-capita de cada país relativamente a dos Estados Unidos em duas datas distintas: 1950 e 2008. Dessa forma, ela nos mostra quais países estão em processo de catching-up com os Estados Unidos e quais países ficaram relativamente estagnados ou ainda focaram para trás (falling behind) no processo de desenvolvimento econômico.

De cara podemos ver que a Argentina foi um caso claro de “falling behind” pois sua renda per-capita se situava em torno de 40% da renda per-capita americana em 1950, mas se reduziu para pouco mais de 20% da RPC norte-americana em 2008. Outro caso de “falling behind” foi a Nova Zelândia cuja RPC era superior a 80% da RPC dos Estados Unidos em 1950, mas se reduziu para pouco mais de 60% da RPC norte-americana em 2008. O que há de comum entre os dois países? O fato de que ambos são exportadores de commodities ….

A Espanha, por seu turno, foi um caso de sucesso. Partindo de um valor próximo a 30% da RPC em 1950, a Espanha conseguiu reduzir o hiato de renda per-capita de forma significativa durante essa período, alcançando cerca de 65% da RPC dos Estados Unidos em 2008. Trata-se claramente de um país em processo de catching-up.

Olhemos agora o caso do Chile. Os economistas liberais brasileiros não se cansam de cantar em prosa e verso as vantagens do modelo Chileno relativamente ao modelo “nacional-desenvolvimentista” adotado no Brasil. A propaganda (enganosa) é tão forte que eu mesmo, antes de viajar recentemente para o Chile, realmente achava que iria encontrar uma Espanha latino-americana: uma país desenvolvido na América Latina. Bem, não foi exatamente o que eu vi no Chile ou, pelo menos, na capital, Santiago. Vi uma cidade com favelas, com camelôs, com táxis e ônibus velhos e com estradas em péssimo estado de conservação (ao menos no caminho entre Santiago e a Concha Y Toro). O contraste entre o que era alardeado pela propaganda liberal e o que eu estava vendo com meus próprios olhos me despertou a curiosidade sobre a trajetória de crescimento da economia chilena, o que acabou me levando a figura acima ….

Como podemos observar em 1950 a RPC do Chile se situava em torno de 22% a 23% da RPC norte americana. Na mesma data a RPC do Brasil era menor do que 20% da RPC dos Estados Unidos, algo como 17 ou 18% da mesma; de forma que a RPC Chilena nessa época já era superior a RPC brasileira. Em 2008 a RPC Chilena havia crescido para um patamar em torno de 30% da RPC dos Estados Unidos ao passo que a RPC brasileira cresceu para algo como 22 ou 23% da RPC norte-americana. Daqui se segue que em termos relativos, ambos os países avançaram praticamente a mesma velocidade, talvez com uma pequena vantagem a favor do Chile. Sendo assim, o modelo Chileno de desenvolvimento econômico não se mostrou significativamente superior ao Brasileiro, e ambos os países apresentaram uma performance bastante inferior a da Espanha, cuja RPC em 1950 era maior, mas não muito maior, do que a RPC Chilena.

Como disse meu colega José Gabriel Porcille, economista uruguaio que trabalha na CEPAL em Santiago do Chile: “O Chile está sobrevendido”.