Outro vídeo um pouco antigo, mas ainda relevante: http://www.youtube.com/watch?v=h4WGlMj_o7s
Inflação e Desemprego no Brasil (Entrevista Portal Brasil Comunicação, 19/04/2013)
23 quinta-feira mai 2013
23 quinta-feira mai 2013
Outro vídeo um pouco antigo, mas ainda relevante: http://www.youtube.com/watch?v=h4WGlMj_o7s
23 quinta-feira mai 2013
O vídeo é um pouco antigo (abril de 2013), mas em função de boatos de que eu seria “governista” é conveniente lembrar e relembrar o que defendo e a quem critico.
21 terça-feira mai 2013
Publicado em Macroeconomia estruturalista do desenvolvimento, Mídia, Opinião
O crescimento da economia brasileira continua desanimando os investidores. No primeiro trimestre deste ano, o Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) foi de 1,05%. Porém, quando se trata de renda e emprego, os brasileiros pouco têm a reclamar quando são observados os dados nacionais.
A taxa de desocupados chegou a 5,7%, a menor para o mês de março desde o início da série, em março de 2002. Há dez anos, este número era mais do que o dobro. Os números são inéditos para o país e mostram principalmente a força do mercado interno, afirma o economista José Oreiro, professor da Universidade de Brasília. Porém, para ele, ainda não é possível afirmar que vive-se em “pleno emprego”, principalmente devido às limitações na metodologia dos índices.
“Estamos definitivamente em um momento único, histórico, com um desemprego para os padrões brasileiros bem baixo. Porém, estas metodologias estão muito presas as regiões metropolitanas, o que acaba tornando difícil ter uma noção real dos desempregados. Quem mora no interior, por exemplo, está excluído, assim como o grupo do ‘nem-nem’”, analisa.
Os “nem-nem” são pessoas que não estudam, não trabalham, nem estão procurando emprego e por isso ficam fora da contagem dos desempregados. Pesquisa do “Mercado de Trabalho: conjuntura e análise” do Instituto Brasileiro de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), divulgado em dezembro do ano passado, mostra que estes brasileiros já representam cerca de 8,8 milhões de pessoas.
Segundo Ana Amélia Camarano, técnica de planejamento e Pesquisa da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc), a maior parte são mulheres, que normalmente deixam de trabalhar e estudar após o casamento ou nascimento dos filhos. “Elas compõem mais de 65% do total, mas os índices têm caído bastante”, afirma a especialista.
Além deles, a redução na produção tem diminuído a geração dos empregos industriais, contribuindo na conta dos 6%. No primeiro trimestre de 2013, na comparação com o mesmo período do ano passado, o emprego do setor apontou variação negativa de 0,2%. Em março, a queda foi de 0,6%. “Acredito que o perfil destes desempregados são pessoas que estão em transição, ou seja, entre um e outro emprego, mas também aqueles com menor nível de escolaridade e jovens”, analisa Oreiro.
Situação pode piorar
Com o crescimento ainda baixo, o número de desempregados do país pode voltar a subir, caso a economia não se recupere até o final do ano. É o que afirma o economista Samy Dana, da Fundação Getúlio Vargas (FGV/SP). “Nosso crescimento dos últimos anos veio muito através do aumento do consumo e da demanda. Só que a produtividade do brasileiro é muito baixa, então uma hora a conta não vai mais bater”, analisa.
Para ele, é preciso que o governo atue mais fortemente no incentivo à economia, mas principalmente melhore a qualidade da educação do país. “É fundamental, a curto e médio prazo. Temos que aumentar a produtividade da nossa mão de obra, para que possamos ter mais competitividade e suprir nossas demandas”, afirma.
Análise de emprego é “difícil”
Os economistas concordam, no entanto, que as análises em relação ao emprego são difíceis de ser mensuradas. “Alguns índices se utilizam de vários fatores, pegam desde entrevista a consumo de energia. Outros, apenas quem está procurando emprego. Então, não tem como saber o nível exato de desemprego numericamente dentro da economia”, afirma Dana.
Casos de desalento, que ocorrem em economias em recessão, também podem confundir e levar à interpretações erradas sobre os níveis de empregabilidade de cada país. A situação ocorre quando, sem esperanças de encontrar ocupação, as pessoas desistem de procurar emprego. Como os índices só consideram desempregados quem procurou algum ofício, estes desistentes não são mais contados como “desempregados”.
Dos cerca de 74 milhões de jovens desempregados no mundo, 1/3 fica mais de 6 meses sem ocupação. O tempo é suficiente para levar estas pessoas à desistência, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT). A situação de desalento não só retira os jovens do mercado de trabalho, como frequentemente desestimula o aperfeiçoamento através do aumento da escolaridade, por exemplo.
“Há a perda da qualificação através da experiência, através do desenvolvimento de novas capacidades, o famoso ‘aprender fazendo’. Mas frequentemente estes jovens desempregados não estão nem trabalhando, nem estudando”, afirma Lúcia Garcia, supervisora do Sistema de Pesquisa em Emprego e Desemprego (PED) do Dieese.
16 quinta-feira mai 2013
Publicado em Opinião
Caros amigos, tenho uma excelente notícia para compartilhar com voces. Acabei de ser aprovado, em primeiro lugar, no concurso de provas e títulos para professor de macroeconomia do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Finalmente, depois de 20 anos de me formar na velha FEA/UFRJ, volto a minha casa como professor do quadro permanente.
13 segunda-feira mai 2013
Publicado em Opinião
Fiquei triste, mas não surpreso, com o anúncio da saida de Nelson Barbosa do Ministério da Fazenda. Triste porque o governo de Dilma Rouseff perde aquele que é, quase certamente, seu melhor quadro técnico. Nelson é um economista com sólida formação na boa teoria econômica (a tradição keynesiano-estruturalista) e quantitativa. Nem sempre concordei com as medidas sugeridas por ele, mas reconheço nele um talento nato para a formulação de política econômica. Não fiquei surpreso porque, desde o forum de economia da fgv/sp em setembro do ano passado, via estampado em seu rosto o cansaço e o desânimo de ver o rumo que a política econômica estava tomando. O embate com o secretário do tesouro, Arno Augustin, deve ter sido a gota dágua. Ao invés de anunciar em meados de 2012 uma redução da meta de supérávit primário como medida anti-cíclica – algo totalmente justificável – a Fazenda optou pelo Reino de Faz de Conta no qual a meta cheia seria obtida com base em toda a classe possível de malabarismos contábeis. Eu vi o rosto de Nelson Barbosa na TV tentando explicar o inexplicável. Ele estava visivelmente contrariado, mas sua fidelidade ao governo o obrigava a dar alguma justificativa para aquele ato de barbeiragem econômica.
Esse episódio fez com que eu me decepcionasse muito com a Presidente da República. Preterir Nelson Barbosa a Guido Mantega e Arno Augustin é coisa de político pequeno, do interior. Pelo visto minha aposta em José Serra em 2010 não era infundada. Deste momento em diante não vejo nenhuma possibilidade de conciliação com o governo do PT. Oscilarei entre a neutralidade ou o apoio a algum candidato que não represente nem a continuidade com o PT e nem a volta aos anos neo-liberais da era FHC.
09 quinta-feira mai 2013
Publicado em Macroeconomia estruturalista do desenvolvimento, Opinião
Acredito que a maioria dos meus leitores (ao menos os que não acompanham meu blog para me espionar e ficar tagarelando por ai) sabe que eu sou um severo crítico da política econômica do governo Dilma Rouseff. Sabem também que em 2010 votei em José Serra para Presidente da República, fato esse que praticamente inviabilizou qualquer possibilidade de ingressar na equipe econômica do governo, apesar de ser Keynesiano e Desenvolvimentista. Isso posto me sinto bastante confortável para defender o governo de ataques que são notoriamente injustos, cujo objetivo é apenas criar um clima de terror na população e assim desestabilizar o governo.
Não vou entrar aqui num pormenorizado relato hístórico de como muitos dos que atualmente criticam o governo da Presidente Dilma Rouseff cometeram atrocidades em termos de política econômica durante o governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso ou, mesmo durante o governo Lula, defenderam políticas econômicas contracionistas no meio da crise financeira mundial de 2008, as quais, se implementadas, teriam levado a economia brasileira ao colapso como se observa atualmente na Espanha e na Itália.
Quero aqui apenas refrescar a memória dos “falcões da inflação” que, ano sim e o outro também, ficam vociferando na imprensa escrita e na grande mídia que o Brasil está prestes a entrar numa trajetória de descontrole inflacionário. Como as críticas parecem se concentrar na atual gestão do Banco Central, que por obra e graça da Presidente da República não está mais nas mãos do sistema financeiro, vamos olhar para os dados do IPCA apenas durante o período da gestão de Dilma Rouseff, ops, quer dizer, Tombini, a frente do Banco Central do Brasil.
Vejam o gráfico que pode ser obtido no link: Fonte
Esse gráfico, cujos dados foram extraídos daquela fonte comunista e subversiva chamada IPEADATA, mostram a média móvel do ultimos 12 meses do IPCA mensal anualizado no período compreendido entre janeiro de 2011 e abril de 2013.
O que os dados nos mostram?
(i) a inflação acumulada nos últimos 12 meses estourou o teto da meta de inflação do BC em dois períodos: abril a dezembro de 2011 e março de 2013. No primeiro episódio de estouro da meta, a inflação acumulado nos ultimos 12 meses atingiu um máximo de 7,31% ao ano, após o qual inicioiu uma trajetória de queda, atingindo um ponto de mínimo em junho de 2012 igual a 4,91% ao ano. No episódio mais recente de estouro da meta, o ponto de máximo foi de 6,59% a.a, tendo iniciado após isso uma trajetória de queda, a qual deve se continuar nos próximos meses.
(ii) Se adicionarmos uma tendência linear na série, a mesma apresenta uma clara inclinação negativa indicando, portanto, que apesar dos ciclos de alta e baixa dos índices inflacionários, a tendência de médio prazo da taxa de inflação é de queda, não de elevação.
Daqui se segue que não existe nenhuma razão objetiva pela qual possamos temer um descontrole inflacionário no futuro próximo. Concordo que a taxa de inflação deveria flutuar em torno de um patamar mais baixo, algo como 4% a.a. Para isso o governo precisa introduzir mudanças na política econômica, principalmente na llei de reajuste do salário mínimo, a qual cria uma pressão de custos muito forte sobre o setor de serviços, a qual é responsável por boa parte das pressões inflacionárias existentes na economia brasileira. Embora o quadrop inflacionário seja desconfortável, está muito longe de ser a catástorfe anunciada pelos falcões da inflação, os quais parecem sofrer de uma síndrome de falta crônica de memória.
07 terça-feira mai 2013
Publicado em Macroeconomia estruturalista do desenvolvimento, Opinião
Na coluna de hoje no Valor Econômico, o Prof. Delfim Netto afirma que é preciso por em prática uma política que garanta uma flutuação organizada do câmbio nominal e moderação salarial para restaurar a competitividade da indústria, acelerar o crescimento do PIB e manter a inflação sobre controle. Que bom ler essas afirmações vindas de um conselheiro da Presidenta da República !
Muitos intelectuais ditos “desenvolvimentistas” e vários membros do governo da Presidente Dilma Rouseff parecem ainda estar hipnotizados pelo encanto do crescimento impulsionado pelo mercado interno, “modelo de desenvolvimento” no qual o aumento do consumo interno, alimentado pelo crescimento dos salários acima da produtividade do trabalho e pela expansão do crédito bancário (para consumo), estimularia as decisões de investimento dos empresários devido ao efeito acelerador, conduzindo o país a uma trajetória de crescimento sustentado com crescente equidade social. O problema como esse modelo é que, num contexto de abertura comercial, gera uma forte apreciação da taxa real de câmbio ao estimular fortemente a demanda de produtos não-comercializáveis e um aumento crescente do custo unitário do trabalho. Tais fatores reduzem as margens de lucro e a demanda pelos bens produzidos pelo setor industrial doméstico, pois leva a um processo de substituição de produção doméstica por importações. Nesse contexto, a taxa de lucro dos investimentos do setor industrial se reduz, o que desestimula a formação bruta de capital fixo mesmo num contexto de queda pronunciada da taxa real de juros.
A redução do investimento no setor industrial impede a modernização da indústria, levando a estagnação da produtividade do trabalho, o que reforça a perda de competitividade da indústria, reforçando o processo de estagnação da economia brasileira.
O crescimento dos salários na frente da produtividade do trabalho não só leva a perda de competitividade da indústria como ainda contribui para manter a inflação em patamares elevados devido a pressão de custos.
O resultado da apreciação cambial e do aumento do custo unitário do trabalho é, portanto, estagnação da produção industrial combinada com inflação em patamares elevados, a velha “estagflação”.
Mantido o modelo de crescimento com base no mercado interno a única alternativa disponível ao governo é a imposição de barreiras comerciais crescentes para frear e/ou reverter o processo de substituição de produção doméstica por importações. O fechamento crescente da economia é socialmente indesejável, pois leva a um aumento da ineficiência produtiva, como se contatou na economia brasileira dos anos 1980.
A alternativa, no curto e médio-prazo, é adotar um modelo misto de crescimento com no investimento público em infra-estrutura e substituição de importações. Para tanto se faz necessário aumentar de forma considerável o investimento público (dos atuais 2% do PIB para 5 ou 6% do PIB) , produzir uma forte desvalorização da taxa real de câmbio e atrelar o ritmo de crescimento dos salários ao crescimento da produtividade. Tais medidas exigem mudanças no regime de política fiscal (mudança na composição do gasto público), no regime monetário (abandono do regime de metas de inflação) e na política salarial (fim da indexação do salário mínimo).
Essa é uma agenda que deve ser levada seriamente em conta no debate Presidencial em 2014.
15 sexta-feira mar 2013
O crescimento de 1,29% do Índice de Atividade Econômica do Banco Central-Brasil (IBC-Br) em janeiro frente a dezembro, que serve como termômetro para o PIB, mostra que as medidas adotadas pelo governo ao longo de 2012 estão surtindo efeito na economia brasileira, afirmaram economistas. Embora discordem da previsão de crescimento do PIB das autoridades, estimado em 4,5%, os especialistas ponderam que a retomada da atividade econômica no país já era esperada.
Para alguns, o mesmo dado do mês de dezembro do ano passado registrou um resultado muito negativo, – 0,45%, o que reflete a necessidade de cautela. Além disso, destacaram que a atividade industrial, especialmente a grande demanda do setor de caminhões, foi o que alavancou o IBC-BR de janeiro.
“Tomar esse dado como tendência de crescimento é muito precário. A expectativa de que a economia brasileira se recuperasse já estava presente desde o último trimestre de 2012. Mas o número em si é surpreendente”, avaliou o professor do Ibmec, Mauro Rochlin.
Segundo ele, o desempenho pode ser uma resposta às medidas adotadas no ano passado, como a redução da taxa básica de juros, o aumento do investimento público e maior oferta de crédito nos bancos oficiais, entre outras. Ele explicou ainda que o setor industrial, que apresentou valorização de 2,49%, foi muito incentivado pelos bens de consumo, especificamente o automotivo:
“Se olharmos com lupa o resultado, no ano passado o setor automotivo sofreu uma retração porque havia uma questão de regulação do combustível, quando passou a ser obrigatório o uso de um diesel menos poluente e os caminhões precisavam atender a essa determinação. Isso adiou os investimentos na área. Daí o resultado ruim em janeiro de 2012. Por isso, a base de comparação é muito baixa”, destacou Rochlin.
O professor de economia da Universidade de Brasília (UnB),José Oreiro, também citou a desvalorização do câmbio, que leva tempo para surtir efeito na economia, como um dos propulsores para este resultado. No entanto, lança dúvidas à estabilidade da retomada econômica:
“Não está claro se a retomada terá fôlego, com crescimento do PIB próximo de 4%, ou se é uma retomada no sentido do ano passado ter sido fraco e se vamos fechar o ano entre 2,5% e 3%. Aposto numa retomada moderada da economia brasileira, por questões estruturais”, afirma Oreiro.
Cautela
O economista-chefe da corretora Gradual Investimentos, André Perfeito, aponta que a variação trimestral do IBC-BR mostra que a economia recupera sua atividade, mas sugere cautela porque o crescimento deve ser gradual. Ele adota um tom menos expressivo para o crescimento do PIB neste ano: 2,1%.
Para ilustrar seu argumento, avalia os gráficos da média de crescimento do PIB trimestral em anos anteriores. Em 2010, por exemplo, quando o país avançou 7,5%, a média foi 1,32%, enquanto em 2011, cujo crescimento ficou em 2,7%, foi 0,35%. Para crescer 3,1% em 2013 – expectativa do mercado -, a média trimestral teria de ser 0,95%, e para atingir a meta do governo, de 4%, tal número subiria para 1,30%, segundo os cálculos do economista.
Ele também destaca que as medidas do governo foram importantes, mas não são as responsáveis pelo resultado positivo. “Elas são importantes mas não abrangem a totalidade da economia”, ressaltou, destacando o dinamismo do comércio em todo o território nacional e a “revolução monetária” que a queda histórica da Selic provocou.
Inflação
Os especialistas acreditam que esse potencial crescimento pode afetar na inflação, que tem preocupado tanto o mercado quanto o governo brasileiro com a possibilidade de se aproximar do teto da meta estipulada, de 6,5%.
“Na medida em que você tem uma recuperação da atividade, os preços livres tendem a crescer mais rapidamente. Espera-se uma maior pressão inflacionária nos próximos meses. O governo conta que isso será temporário por ser decorrente do preço dos alimentos, e a expectativa neste ano é que a safra seja muito boa. Assim, no segundo trimestre teríamos uma redução do índice”, analisou o professor da UnB.
No ano passado, fatores internos, como a fraca safra nacional, e externos, a exemplo da estiagem dos Estados Unidos e da Rússia, afetaram a oferta de alimentos no mercado, causando elevação dos preços. Nesta sexta-feira (15), foi divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) que o Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) variou 0,22%, em março, frente a 0,29% no mês anterior.
Para Rochlin ainda não é possível saber se a inflação está sendo pressionada pela demanda, ou seja, pelo consumo. Mas acredita que com a economia voltando a crescer nos próximos meses, seria necessário uma nova política monetária, que inluiria o reajuste da Selic.
14 quinta-feira mar 2013
Publicado em Opinião
Prezado Sr. Ministro da Fazenda, Guido Mantega
Li no Valor de hoje que o Ministério da Fazenda está estudando a criação de um fundo com recursos do Tesouro Nacional para fornecer funding barato para os bancos privados financiarem projetos de infra-estrutura. Confesso que a minha primeira reação a notícia foi de completa perplexidade. Como assim dinheiro do Tesouro para os bancos privados? e o BNDES? Continuo lendo a matéria para buscar uma explicação plausível para esse fato e eis que me deparo com a informação de que o repasse seria feito para os bancos privados (sic) porque o BNDES é muito demorado na concessão de financiamento para os projetos de infra-estrutura !!!! Neste ponto a minha perplexidade cedeu lugar a indignação. Existem duas boas razões pelas quais o BNDES é lento na liberação de recursos, meu caro Ministro. A primeira, de ordem ética, é que os recursos em questão são públicos e, portanto, devem ser concedidos com todo o cuidado possível, analisando-se com cautela o mérito dos projetos que concorrem pelos mesmos. A segunda razão, Sr. Guido Mantega, é que o BNDES é um banco de desenvolvimento e, como tal, está mais interessado no retorno social dos projetos de investimento do que no retorno privado. Bancos privados preocupam-se com o retorno privado dos projetos de investimento, não com o retorno social, por isso não precisam realizar os mesmos procedimentos que um banco de desenvolvimento.
Em vista dessas considerações como o Sr ainda pode se classificar como um desenvolvimentista? Em que livros ou artigos dessa corrente de pensamento o Sr leu que esse tipo de medida estimula o investimento em infra-estrutura? Não meu caro ministro, desenvolvimentista o Sr não é. Confesso que não sei em que escola de pensamento classifica-lo, se é que é possível classifica-lo em alguma. As medidas tomadas pelo Ministério da Fazenda nos ultimos meses para acelerar o crescimento da economia brasileira parecem-me mais o resultado de um processo decisório confuso, pouco fundamentado e sem uma ideia clara do que deve ser feito e para onde o Brasil deve caminhar. Desenvolvimento, meu caro Ministro, não se faz sem planejamento e, nesse quesito, sua gestão tem sido um completo fracasso.
Meu caro Sr. Ministro, peço-lhe humildemente para parar de afirmar que as medidas que o Ministério da Fazenda adota se baseiam no (novo) desenvolvimentismo. Por favor, não use o nosso nome.
Para o bem do Brasil espero que o Sr leve em conta essas considerações, ao invés de rechaca-las liminarmente como tem sido o seu procedimento habitual.
Saudações Cordiais
José Luis Oreiro
05 terça-feira mar 2013
Publicado em Macroeconomia estruturalista do desenvolvimento, Mídia, Opinião
Uma visão do mundo e do indivíduo, com olhar brasileiro
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Economia, Opinião e Atualidades