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O discurso de posse do novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e os nomes de sua nova equipe foram de modo geral bem recebidos por empresários e economistas. O economistachefe do banco Bradesco, Octavio de Barros, afirmou que 2015 será um ano difícil, mas demonstrou otimismo com o potencial da nova equipe econômica de construir a “plataforma” necessária ao desenvolvimento.

“O ano tem todos os ingredientes para ser difícil, mas pode terminar bem”, afirmou Barros, na solenidade de transferência do cargo de ministro da Fazenda para Joaquim Levy. “Acho que essa nova equipe econômica tem condições de fazer essa plataforma.” O presidente da Anfavea, Luiz Moan, disse acreditar que “até junho será um período muito difícil, mas necessário, com aumento de juros e do IPI”. Ele espera, porém, aumento da confiança e dos investimentos. O economista e professor da PUCRio José Marcio Camargo se mostra mais crítico. Considerou “sem novidades” os nomes indicados para a nova equipe. A surpresa maior, disse, foi a indicação de Marcelo Barbosa Saintive para o Tesouro. Camargo esperava para o cargo “um nome de mais peso” para o prometido ajuste fiscal duro. Camargo se disse “um tanto decepcionado” com o nível de generalidade do discurso do novo ministro, “sem muitas novidades do que será feito e de como será feito”.

Para José Luis Oreiro, professor da UFRJ, a nova equipe é constituída por nomes pouco conhecidos, ligados ao mercado financeiro e menos relacionados ao meio acadêmico. Em sua análise, esse perfil faz sentido, na medida em que Levy quer ter maior credibilidade na política fiscal. “Isso não é ruim. Pode ser uma boa estratégia se o objetivo maior for reconquistar a confiança do mercado”, disse. Presente à transmissão do cargo, o empresário Jorge Gerdau disse que a busca pela formação de superávit primário em 2015 tem de ser visto como um ajuste para a formação de poupança. Para ele, Levy tem de combinar o lado político do cargo com sua base técnica. O exdiretor do Banco Central Luiz Fernando Figueiredo afirmou que o crescimento econômico em 2015 vai ficar próximo de zero. Mas, prevê, no segundo semestre deve haver um sinal de retomada.

O também exdiretor do BC Mário Mesquita considerou o discurso de Joaquim Levy “sereno e que passa confiança”. Para ele, a economia brasileira terá um desempenho melhor neste ano que em 2014. Samuel Pessôa, economista e professor da FGV, afirmou que o ajuste que será feito tem um caráter inédito, pois ocorrerá “antes de bater no muro” e sem “ser forçado pelo mundo”, como nos agravamentos das crises de 1998/1999 e 2002/2003. A empresária Luiza Helena Trajano, do Magazine Luiza, afirmou que emprego e renda são conquistas do país e o ajuste prometido pelo governo não vai afetar esses parâmetros, que é o que preocupa o setor de varejo. O discurso de posse de Levy foi considerado “equilibrado” e bastante adequado pela economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif. Para ela, o ministro preferiu não adotar uma postura excessivamente fiscalista.

“Estou confiante no ministro”, disse o presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setúbal. Murilo Portugal, presidente da Febraban, elogiou o fato de o discurso de Levy focar o equilíbrio fiscal e a impessoalidade no trato das questões públicas. Portugal disse que está otimista em relação ao futuro da economia do Brasil. Já o expresidente do Banco Central Henrique Meirelles afirmou que a confiança do investidor está baixa, mas “vai reagir conforme as decisões estejam sendo tomadas”.

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