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O economista José Luis Oreiro, professor associado do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB), ministrou palestra sobre “Crescimento e ajuste fiscal: os desafios para o próximo presidente da República” no Dia do Economista, comemorado em 13 de agosto. O evento ocorreu na sede do Conselho Federal de Economia, em Brasília, e foi realizado pelo Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon-DF), iniciando as festividades no mês do economista. O evento foi transmitido ao vivo na página do Cofecon no Facebook e está disponível em https://www.facebook.com/cofeconeconomia/. Clique aqui para conferir a apresentação de slides do palestrante.

Em sua apresentação, Oreiro explicou suas visões pessoais sobre por que o crescimento econômico não decola. Afirmou que a recessão de 2014-2016 foi a segunda mais intensa em termos de queda do nível de atividade econômica no período iniciado em 1981 até 2016, com nove recessões no total, e com a recuperação mais lenta. O professor apontou suas hipóteses para o ritmo lento de recuperação da atividade econômica, citando os especialistas Bráulio Borges e Paulo Gala: conservadorismo excessivo da política econômica e deflação de dívidas.

“A economia brasileira passou por um ciclo de expansão de crédito no período pós 2008. Isso resultou num aumento significativo do grau de alavancagem das empresas não-financeiras. A reversão de políticas de represamento dos preços administrados e consequente elevação da taxa de juros a partir de 2015, em conjunto com a forte desvalorização da taxa nominal de câmbio, levaram as empresas e as famílias a desalavancar seus balanços, contraindo os gastos com investimento e consumo. Nesse contexto, a política monetária perde eficácia e a recuperação do nível de atividade é mais demorada”, explicou José Luis Oreiro.

O economista apresentou também suas impressões sobre o que chamou de “O fracasso do ajuste fiscal de Dilma/Temer”. Segundo Oreiro, a partir de meados de 2014 a relação dívida líquida do setor público/PIB passou a apresentar uma dinâmica insustentável. “Entre junho de 2014 e junho de 2018, a relação dívida líquida/pib aumenta 25 p.p. Isso decorreu do aumento expressivo do deficit nominal do setor público, o qual passou de 3,30% no acumulado em 12 meses em junho de 2014 para 10,72% do PIB no acumulado em 12 meses em janeiro de 2016”, afirmou.

O professor da UnB destacou que deficit nominal apresentou uma tendência de redução ao longo de 2017, mas que ainda esteve no patamar de 7,5% do PIB no primeiro semestre de 2018. “A tendência de aumento da relação dívida pública líquida/PIB ainda não apresenta nenhuma tendência visível de reversão. Até quando as instituições financeiras e os rentistas se mostrarão dispostos a aumentar a participação dos títulos públicos na sua carteira de ativos?”, questionou o economista.

Por fim, o palestrante opinou que “A única forma de compatibilizar a aceleração do crescimento com o reequilíbrio das contas públicas é por intermédio de um ajuste fiscal de emergência baseado em aumentos de impostos sobre as unidades que possuam menor propensão a consumir, combinado com um modesto aumento do investimento público, notadamente em obras de infraestrutura”.

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