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ROSANA HESSEL

10/07/2017. Crédito: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press. Brasil. Brasília – DF. INSS. Agência da Previdência Social na Asa Sul.

O sistema de atendimento virtual do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) deveria ser mais ágil, mas a demora para alguns serviços tem levado meses, irritando beneficiários que passaram a viver o drama da fila virtual, que acaba escondendo os problemas de sobrecarga no atendimento, principalmente, para os mais necessitados e com dificuldade de locomoção.

O serviço vem mostrado instabilidade — nesta semana ficou fora do ar — e tem deixado aposentados sem receber o benefício por conta de problemas técnicos e lentidão na avaliação da prova de vida de pessoas que não podem correr o risco de se exporem ao novo coronavírus devido à fragilidade em que se encontram. É o caso da mãe do economista José Luis Oreiro, professor da Universidade de Brasília (UnB), que tem Alzheimer e não pode se deslocar por recomendações médicas para cumprir a exigência da prova de vida que voltou a ser cobrada desde junho, mesmo mês em que ela deixou de receber a pensão por morte do marido.

De acordo com o Oreiro, que é o representante legal da mãe e se cadastrou como curador da aposentada, a falta de pagamento ocorreu devido a um erro na avaliação da prova de vida que confundiu os CPFs dele e da mãe, conforme informações que ele apurou junto ao banco. Contudo, apesar de tentar entrar em contato com o INSS de diversas formas e mais de uma vez, inclusive, com a ouvidoria, o órgão não consegue resolver o problema sob a alegação de que está com “sobrecarga”. E, enquanto a solução não vem, a aposentada continua sem receber o benefício. “Eles só mandam esperar”, reclamou, indignado.

“Embora minha mãe tenha sido vacinada, a recomendação da casa de saúde onde ela está hospedada é para não sair ou ficar de quarentena. Fiz todos os procedimentos no início de junho, apresentei os laudos, como representante legal, mas o sistema continua dando erro”,  contou. O economista entrou com o processo em 16 de julho solicitando o pagamento, que continua em análise. E, em 28 de julho, abriu outro processo pedindo reavaliação e não teve nenhuma resposta. Ele contou que falou com a atendente por telefone que alegou que o sistema está “sobrecarregado” não deu nenhuma previsão de quando o problema será resolvido. Depois, ele partiu para a ouvidoria, que disse não que não poderia fazer nada e apenas informou que a reclamação “foi registrada”.

Na avaliação do economista, esse tipo de problema no sistema do INSS “mostra que a informatização anunciada pelo governo não agilizou em nada o atendimento” e que a informatização não tem facilitado a vida da população já que o serviço está em constante manutenção. Para ele, a falta de recursos deve estar prejudicando o atendimento, a exemplo do que ocorreu com a Plataforma Lattes.

Procurada, a assessoria de imprensa do INSS confirmou que houve problema no sistema de autenticação, no último dia 2, quando o sistema “ficou instável” durante o período da manhã, mas negou falta de recursos para a manutenção dos sistemas. Segundo a instituição, “o aplicativo Meu INSS estava funcionando normalmente”.

Problemas também no Lattes

Não é a primeira vez que Oreiro é vítima de problemas nos sistemas de informação do governo. Depois da confusão que ocorreu na Plataforma de Lattes, sistema de currículos virtual criado e mantido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que ficou fora do ar durante 10 dias e muitos dados acabaram sendo perdidos devido à falta de recursos para a manutenção, o economista percebeu que a plataforma voltou, mas com perda de informação.

“A minha ultima atualização de currículo foi em junho, mas os dados que aparecem são de abril. Eles ainda estão com muito trabalho para fazer”, alertou o acadêmico.