Muita bobagem tem sido dita atualmente a respeito de um suposto número excessivo de servidores públicos. Mesmo entidades empresariais como a CNI, as quais deveriam defender a existência de um serviço público de qualidade, apoiam a PEC 32 da Reforma Administrativa a qual, como argumentei em artigo acadêmico publicado recentemente no Researchgate ((PDF) A PEC 32 DA REFORMA ADMINISTRATIVA: Reformar o Serviço Público para Acabar com o Estado do Bem-Estar Social e Implantar o Estado Neo- Liberal (researchgate.net) significa, na verdade, um enorme retrocesso em direção ao Estado Patrimonialista no qual os servidores públicos, ao invés de serem selecionados de forma impessoal e meritocrática por intermédio de concursos públicos, passarão a ser escolhidos por critérios subjetivos e largamente sujeitos a influência política.

Para destruir o mito de que há um excesso de servidores públicos, pelo menos no poder executivo federal, resolvi olhar a composição do quadro de servidores. Na figura abaixo podemos ver que 44% dos servidores do poder executivo da União são compostos por militares e professores! Na verdade, os militares representam 1/3 dos servidores do poder executivo. Na comparação internacional, levando-se em conta a população e o tamanho do território brasileiro, não parece que o Brasil tenha um contingente excessivo nas suas Forças Armadas. Na verdade, as forças armadas brasileiras com um contingente de 380 mil efetivos, o que coloca o Brasil na 15 posição em termos do efetivo militar (Exército brasileiro é um dos menores do mundo, diz comandante da Força – 12/11/2020 – Mundo – Folha (uol.com.br), são apenas ligeiramente superiores em número às forças armadas da França que possui um contingente de 265 mil efetivos, com uma população 3,5 vezes menor que a brasileira.

Fonte:  Portal da Transparência e Painel Estatístico de Pessoal. Elaboração do autor.

Os economistas ligados ao mercado financeiro insistem que é preciso reduzir o número de servidores públicos. Então, pela lógica do seu próprio argumento, deveriam exigir uma redução expressiva do tamanho das Forças Armadas Brasileiras, pois é ai que se encontra parte expressiva dos servidores do poder executivo federal. Duvido que tenham coragem de fazer isso.