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José Luis Oreiro*

Paulo Gala**

Helder Lara Ferreira Filho***

                                                                   Luciano Pereira da Silva****

A estrutura produtiva brasileira cada vez mais concentrada em atividades com baixo valor adicionado per capita e baixa e média baixa intensidade tecnológica é um dos fatores que explica o atraso crescente da economia brasileira com relação aos países desenvolvidos. Para demonstrar a validade deste ponto, os autores deste artigo criaram o Índice de Qualidade do Emprego (IQE), que mede a razão entre a soma dos empregos nos setores de alta, média alta e média intensidade tecnológica sobre a soma dos empregos nos setores de média baixa e baixa intensidade tecnológica de cada país. Esse Índice foi construído para uma amostra de 19[1] países para o ano de 2014. O índice foi constituído a partir da base de dados extraída de contas socioeconômicas que contêm dados no nível da indústria sobre emprego, estoques de capital, produção bruta e valor agregado a preços atuais e constantes, disponibilizadas no World Input-Output Database (WIOD). Uma vez calculado o IQE de cada país da amostra, criou-se um Indicador de Hiato de Qualidade de Emprego (HIQE), definido como sendo a razão entre o IQE dos Estados Unidos (país considerado como a fronteira tecnológica na amostra) e o IQE de cada um dos demais países. Por fim, construímos um indicador de hiato de renda per capita (HRPC) definido como sendo a razão entre a renda per capita dos Estados Unidos e o nível de renda per capita de cada um dos demais países da amostra. Os dados de renda foram analisados pela paridade do poder de compra, extraídos do World Bank.

O Gráfico 1 mostra o diagrama de dispersão entre o HRPC e o HIQE para os países da amostra. A simples inspeção do gráfico mostra a existência de uma forte relação positiva entre o hiato de qualidade de emprego e o hiato de renda per capita; ou seja, aqueles países que apresentam o maior hiato de qualidade de emprego com respeito ao país de referência (no caso, os Estado Unidos) tendem a apresentar também um maior hiato de renda per capita medida em paridade de poder de compra.

Gráfico 1 – Correlações entre hiatos de renda e hiato de qualidade de emprego

Fonte: World Bank & WIOD, 2019. Elaboração dos autores.

Fonte: World Bank & WIOD, 2019. Elaboração dos autores.

No caso do Brasil, verificamos que o hiato de qualidade de emprego é de 1,78 ao passo que o hiato de renda per capita é de 3,36; ou seja, o hiato de qualidade de emprego é equivalente a aproximadamente 53% do hiato de renda per capita.

[1] Austrália, Bélgica, Brasil, Bulgária, Chipre, Espanha, Estados Unidos da América, Grã-Bretanha, Grécia, Holanda, Índia, Indonésia, Lituânia, Letônia, Malta, México, Portugal, Rússia, Turquia.

* Professor Associado do Departamento de Economia da Universidade de Brasília, Pesquisador Nível IB do CNPq e Pesquisador Associado do Centro de Estudos do Novo-Desenvolvimentismo da FGV-SP. E-mail: joreiro@unb.br.

** Professor da Escola de Economia de São Paulo-Fundação Getúlio Vargas. E-mail: pgala@uol.com.br;

*** Doutorando em Economia Política pela Universidade de Brasília. E-mail: helder.laferf@gmail.com.

**** Professor do Instituto Federal de Brasília e Doutorando em Economia Política pela Universidade de Brasília E-mail: lucianosrp@gmail.com