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Hoje (09 de outubro) foram divulgados os dados da inflação de setembro. Tivemos uma deflação de 0.04% no mês passado, o que levou o IPCA acumulado em 12 meses a 2,89%, ligeiramente acima do piso do regime de metas de inflação para 2019 que é de 2,75%, mas muito baixo do centro da meta de inflação para 2019 que é 4,25%.

Ao que tudo indica estamos caminhando para o terceiro ano consecutivo no qual a inflação irá ficar ABAIXO do centro da meta inflacionária definida pelo Conselho Monetário Nacional. Ainda mais preocupante é o fato de que a média das 7 medidas de núcleo de inflação do IPCA acumulado em 12 meses (que excluem os itens mais sensíveis a choques de oferta como combustíveis e câmbio) está apenas ligeiramente acima da piso do regime de metas: 2,82% contra 2,75% do piso.

O Brasil está flertando perigosamente com a deflação. A insistência numa política econômica liquidacionista aos moldes do realizado pela dupla Hoover-Mellon nos EUA no início dos anos 1930 (https://jlcoreiro.wordpress.com/2019/06/05/paralelos-entre-hoover-mellon-e-bolsonaro-guedes/) está empurrando o Brasil para uma espiral deflacionária cujo desfecho será uma crise econômica sem precedentes na história da República. Ainda há tempo para mudarmos esse desfecho. O governo Bolsonaro precisa rever seus conceitos econômicos e se aggiornar as boas práticas de política econômica que estão sendo adotadas atualmente na Europa e dos EUA para evitar o pior. E, mais importante, o Banco Central do Brasil precisa abandonar seu conservadorismo irracional e promover um choque de taxa de juros, reduzindo a Selic para 0% em termos reais, o que significa uma Selic nominal de, no máximo, 3% a.a.

Que o bom senso, não uma ideologia ultrapassada desprovida de comprovação científica, possa prevalecer no debate econômico brasileiro. Oremos.