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Finalmente o Banco Central do Brasil se rendeu a realidade do gravíssimo quadro de estagnação da atividade econômica vigente no país e decidiu reduzir a meta da taxa Selic em 0,5 p.p, para 6% a.a. Trata-se do valor mais baixo da série histórica da taxa Selic. Essa decisão surpreendeu o mercado financeiro, o qual apostava numa redução de apenas 0,25 p.p; haja vista que a curva de juros futuro embutia uma probabilidade de 75% de ocorrer uma redução dessa magnitude. Com efeito, o presidente do BCB, Roberto Campos Neto, vinha afirmando reiteradas vezes para a imprensa de que (i) a política monetária já se encontrava no campo estimulativo, pois o valor real ex-ante da taxa Selic se encontrava abaixo das estimativas existentes a respeito do valor neutro dessa taxa; e (ii) a aprovação da reforma da previdência teria um impacto expansionista sobre a demanda agregada devido ao efeito da mesma sobre o (sic) espírito animal dos empresários, levando-os a desengavetar uma série de projetos de investimento, tornando desnecessária uma nova flexibilização da política monetária. Essas declarações levaram muitos analistas até mesmo a prever que, na reunião de julho do COPOM, a taxa Selic seria mantida inalterada. Felizmente o BCB mudou o seu entendimento sobre o grau de estímulo da política monetária e não só reduziu a Selic, como ainda o fez numa magnitude maior do que o esperado.

A decisão de reduzir os juros, contudo, veio muito tarde e numa magnitude menor do que a necessária para produzir um efeito expansionista relevante para a atividade econômica. A última redução da taxa Selic ocorreu em 31/10/2018 quando o COPOM decidiu reduzir os juros básicos da economia brasileira em 0,25 p.p, para 6.5% a.a. Se passaram 9 meses, portanto, desde a última flexibilização da política monetária. Nesse meio tempo, as expectativas de crescimento da economia brasileira foram reduzidas continuamente, passando de pouco mais de 2,5% a.a. em novembro para 0,8% a.a em julho. Essa deterioração das expectativas de crescimento se deu num contexto no qual a economia brasileira apresentava a mais lenta recuperação cíclica desde a crise de 1981-1983, apresentando um hiato do produto de quase 6% no primeiro semestre de 2019. Por fim, as expectativas de inflação para o ano de 2019 apontam que a inflação ficará abaixo da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional pelo terceiro ano consecutivo; sinal evidente de que a condução da política monetária nos últimos três anos tém sido excessivamente conservadora, não seguindo assim o protocolo do regime de metas de inflação. A redução da Selic ocorrida na última reunião do Copom veio muito tarde para salvar o ano de 2019, pois seus efeitos só começarão a se sentir sobre o nível de atividade no primeiro trimestre de 2020.

A projeção que o BCB fez para a inflação de 2020 no cenário de mercado mostra que se a taxa de juros for reduzida para 5,5% a.a a inflação fechará num patamar de 3,9%, ligeiramente abaixo da meta de 4,0%. Isso parece indicar que o BCB deverá promover uma nova redução de 0,5 p.p na reunião de setembro do Copom, encerrando então o ciclo de redução da taxa de juros. Se essa conjectura se confirmar, a Selic real ex-ante será reduzida para 1,53% a.a; uma valor ainda muito alto dado o grau de ociosidade dos fatores de produção e o cenário internacional no qual as taxas nominais de juros de vários países desenvolvidos (Suiça e Área do Euro) se encontram em patamar negativo.