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Herbert Hoover era o Presidente dos Estados Unidos quando ocorreu o crash da bolsa de valores de Nova Iorque em 1929, evento esse que disparou a “Grande Depressão” dos anos 1930, na qual o PIB dos Estados Unidos encolheu quase 50% entre 1929 e 1932 e a taxa de desemprego aumentou para 25% da força de trabalho.  A grande depressão foi o evento que permitiu a vitória de Franklin Delano Roosevelt nas eleições de 1932 e o início do “New Deal”, amplo conjunto de obras públicas combinadas com reformas no setor financeiro, na legislação trabalhista e na regulação dos cartéis, o qual tiraria os Estados Unidos do atoleiro econômico

Pouca gente sabe, contudo, que o Presidente Hoover chegou a cogitar uma ampliação das funções do governo americano durante seu mandato para combater os efeitos da grande depressão. Ele, contudo, foi desaconselhado pelo seu Secretário do Tesouro (o equivalente ao Ministro da Economia no Brasil) Andrew Mellon. Nas suas memórias o Presidente Hoover escreveu:

“O Sr. Mellon só possuía uma fórmula. Liquide o trabalho, liquide os estoques, liquide os fazendeiros, liquide os ativos reais. Isso vai purgar a podridão de nosso sistema … As pessoas irão trabalhar mais arduamente, irão levar uma vida moralmente mais elevada” (Apud Davidson, 2017, p.149; tradução minha).

É impressionante o paralelo que pode ser feito entre a dupla Hoover/Mellon e a dupla Bolsonaro/Guedes. O Presidente da República apresenta ao publico um desdém olímpico pela situação da economia brasileira, e não parece preocupado com os milhões de brasileiros que estão sem emprego ou “fazendo bico” para pagar as contas no final do mês. Por sua vez, o Czar da economia, tal como Andrew Mellon, afirmou ontem na reunião da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados que “Não se pode fazer esses movimentos, (sic) de estímulos artificiais, sem fundamentos corrigidos” (VALOR ECONÔMICO, 05/06/2019, p.A14).

A inação de Hoover/Mellon permitiu que uma recessão relativamente moderada em 1930 se transformasse na grande depressão de 1932. A dupla Bolsonaro/Guedes quer repetir o mesmo experimento, mas colher outro resultado! Ao fazer isso a dupla em questão está, na verdade, pavimentando uma estrada de ouro para uma depressão econômica no Brasil em 2020 e o retorno triunfante da esquerda ao poder em 2022, nos “braços do povo”; e com a possibilidade de ter que engolir a seco o bordão “põe o retrato do velho, põe no mesmo lugar”.

Referências:

Davidson, P. (2017). Who´s afraid of John Maynard Keynes. Palgrave Macmillan: Londres.