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Editoria: ECONOMIA

Autor(a): » AUGUSTO FERNANDES
Tipo: Matéria
Veiculação: 28/05/2019
Página: A07
Assunto: UnB, PROFESSORES
Expectativa é que PIB do primeiro trimestre seja negativo. Além disso, possível revisão do crescimento da atividade nos últimos três meses de 2018 pode indicar dois períodos seguidos de queda. Analistas reduzem pela 16ª vez projeção de alta para o ano
Na semana em que o país conhecerá o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre do ano, o relatório Focus, do Banco Central (BC), que reúne as expectativas de analistas de mercado, voltou a reduzir a estimativa de crescimento do índice. É a 16ª vez, desde o início de 2019, que as expectativas para a economia caem, sendo que é 13ª semana de queda consecutiva. A projeção de alta de 1,23% – 0,01 ponto percentual menor do que a anterior – indica que a expectativa é que o PIB, que será divulgado na quinta-feira, venha negativo.”Não dá para descartar totalmente. O fato de a economia estar estagnada, ou quase, mostra que, com qualquer deslize, o país cairá em uma recessão. O quadro econômico é muito frágil, e o governo tem de tomar cuidado, pois a margem para erro é mínima. Se tivermos qualquer susto, qualquer choque na economia, a capacidade de reação será muito baixa”, destaca a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif.

Em janeiro, as análises do BC para a atividade econômica do ano indicavam que o crescimento poderia ser de 2,57%. Quatro meses depois, a redução de mais de um ponto percentual, segundo a economista, é indício de que pouco foi feito para recuperar a saúde financeira do país e reforça as desconfianças em relação ao governo federal. “Além de acelerar essa reforma, o governo tem de definir qual será sua agenda, passada a Previdência. Até o momento, não há uma agenda clara do Executivo além da reforma previdenciária. A população não conseguiu enxergar qual é o plano do governo para a economia. Isso traz apreensão”, analisa Latif.

Para o país entrar em recessão, é necessário que o PIB registre dois trimestres consecutivos em queda. Para o professor da Universidade de Brasília (UnB) e economista José Luís Oreiro, a publicação desta semana do IBGE será o termômetro que vai indicar o futuro da economia nacional. “A mediana das projeções de mercado para o PIB do primeiro trimestre é de uma queda de 0,2%. Se vier algo maior do que isso, estaremos em uma situação pior, e aí dependeremos do comportamento do segundo trimestre. O problema é que os meses de abril e maio já passaram por turbulências. Temos de torcer por um resultado moderado do PIB do primeiro trimestre, como uma queda entre 0,2% e 0,4%”, comenta.

De qualquer forma, Oreiro alerta que a probabilidade de o país entrar em recessão técnica gira em torno de 70%, até porque o IBGE pode revisar o comportamento do PIB no último trimestre de 2018, quando a economia cresceu 1,1%. “A minha esperança é de que o índice de quinta-feira não seja tão expressivo a ponto de tornar o resultado do fim de 2018 negativo, mas isso pode acontecer. Caso se confirme, será uma catástrofe econômica e social que mostra o quão equivocada está a política macroeconômica brasileira, que vai outra vez mergulhar fundo em uma recessão, pouco depois de ter saído da pior crise dos últimos 30 anos”, frisa o professor.

Para a economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour, o quadro recessivo só vai agravar a situação atual. “Provavelmente o desemprego médio de 2019 será maior do que o de 2018. Em algum momento, isso vai se materializar em insatisfação social generalizada e os protestos contra o governo Bolsonaro tendem a crescer em escala e difusão no país, até chegar ao momento em que governo se tornará insustentável”, afirmou.