Tags

,

Em sua coluna mais recente, na quarta-feira (13), Alexandre Schwartsman mais uma vez me ataca com a virulência que lhe é característica. Pela minha conta, já fui tema de 10% do que o polemista publicou na Folha neste ano. Só Freud explica.

Mas, como sou otimista com a raça humana, acho isso positivo. Estou educando Schwartsman, até onde isso for possível.

No último ataque, o colunista parece revoltado por eu ter apontado que vivemos a mais lenta recuperação após uma recessão e que isso não pode ser creditado só à política econômica adotada antes da mudança de governo. Decisões pós-maio de 2016 também explicam por que o PIB está crescendo tão devagar, mas vamos aos pontos levantados por Schwartsman.

Primeiro, o colunista me acusa de dizer que não haveria retomada do crescimento do PIB em 2017. Basta consultar minha resposta a sua primeira crítica, em abril deste ano, para verificar que apontei que o contingenciamento de gastos adotado pelo governo tendia a atrasar, não a interromper, a recuperação do crescimento.

Felizmente, o governo não ouviu Schwartsman, mudou a meta de deficit primário e liberou mais recursos no segundo semestre (e ainda houve o FGTS e o PIS).

O artigo ao qual Schwartsman se refere foi publicado no blog do Ibre e trata do mais recente estudo de Alberto Alesina e cia., no qual os autores constatam que, em média, a contração fiscal é contracionista no curto prazo. Mais importante, o mesmo artigo diz que, mesmo em ajustes “baseados em cortes de gastos”, 20% do esforço fiscal ocorreu via aumento de receita, ponto ignorado pelo colunista em suas análises.

Em segundo lugar, Schwartsman me ataca por, no início de 2015, ter esperado uma rápida recuperação da economia. O colunista se esqueceu de dizer que naquele momento o governo já baseava suas projeções nas expectativas de mercado, que em dezembro de 2014 projetavam um crescimento de 0,6% do PIB para 2015. Nisso sou culpado. Errei a projeção com o mercado por não antecipar a série de choques políticos e econômicos que a economia sofreu naquele ano.

O mesmo comentário vale para minha expectativa, em setembro de 2015, de que a economia se recuperaria ao longo de 2016. Naquele momento, o mercado também apontava para o crescimento do PIB no último trimestre de 2016 (+0,2%). Tudo isso é público e disponível no site do Banco Central.

Terceiro, meu maior admirador critica minha observação de que a taxa de juro real caiu lentamente. Porém, os próprios números apontados por Schwartsman comprovam que a queda da taxa real esperada foi lenta diante do tamanho da recessão. Se considerarmos a taxa real efetiva, a redução só começou em agosto deste ano, como apontei em coluna publicada na Folha, em setembro.

Por fim e mais grave, o polemista parece não entender, ou não querer entender, minha crítica sobre a incerteza fiscal. Até as esquinas de Brasília sabem que sou favorável à reforma da Previdência e ao ajuste fiscal gradual, via aumento de receita e redução do crescimento do gasto.

Porém, o ódio cego de Schwartsman faz com que ele não veja que o problema não é o ajuste, e sim a incerteza sobre a forma do ajuste, uma vez que o governo Temer aprovou um teto de gasto inadequado e sem nenhum instrumento para o próximo governo conseguir cumpri-lo a partir de 2019.

De todo modo, espero que o polemista continue aprendendo com o que escrevo.