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A crise econômica provocou uma redução de 3,1% em 2015 no pessoal ocupado nas companhias que integram o Cadastro Central de Empresas (Cempre) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a primeira queda nesse indicador desde o início da série, em 2007. O pessoal assalariado diminuiu 3,6%, o que significou um corte de 1,7 milhão de empregos com carteira assinada.

Os homens sofreram mais os efeitos da crise, apresentando uma queda de 4,5% no número de ocupados, enquanto para as mulheres a redução foi de 2,4%. Em termos salariais, a diferença entre homens e mulheres diminuiu, mas ainda era grande: eles ganhavam 23,6% a mais do que elas.

De lá pra cá, tem sido árdua a caminhada das pessoas que tentam se reempregar. Em busca de uma oportunidade, a moradora de São Sebastião Camila Nunes dos Santos, 21 anos, foi ontem com a amiga Ingrid Moraes Sobrinho, 20 anos, à Agência do Trabalhador, no Setor Comercial Sul. “Eles me perguntaram que tipo de vaga eu queria. Respondi: ‘Qualquer uma!’”, contou Camila, que está desempregada há um ano. Com ensino médio completo, ela trabalhava como operadora de caixa em uma empresa de serviços elétricos e hidráulicos e não conseguiu nova ocupação.

Filha mais velha, Camila explicou que, da renda de R$ 900 por mês, de R$ 600 a R$ 700 eram reservados para ajudar a mãe, diarista, e o pai, autônomo, a sustentar os quatro irmãos dela. “Meu salário faz falta em casa”, lamentou. A amiga Ingrid trabalhava como menor aprendiz em um restaurante, mas não pôde ser contratada como profissional porque a jornada de trabalho noturna coincidiria com o horário do curso de gestão de recursos humanos que frequenta: “Vim procurar estágio, mas não havia. Eu pago a faculdade e fiz uma reserva que vai durar quatro meses. Até lá preciso conseguir alguma renda”.

Cursando o primeiro ano do ensino médio, a moradora do Cruzeiro Novo Isabele Cavalcante de Sousa, 16 anos, foi à agência em busca do primeiro emprego. “Quero muito ganhar meu próprio dinheiro. Mas estou há três meses procurando e ainda não apareceu nada. É difícil conseguir uma oportunidade quando tantas pessoas estão sendo demitidas. Isso é muito desanimador”, lamentou a estudante.

No levantamento do IBGE, a única variável que não apresentou queda em 2015 foi o número de empresas e outras organizações, que se manteve praticamente estável em 5,1 milhões, registrando variação de 0,2% ou 11,6 mil empresas a mais que em 2014, quando houve a primeira queda na série.

O cenário até o fim de 2017 não é promissor, segundo o professor do Departamento de Economia da UnB José Luis Oreiro. “Nos próximos meses, a taxa de desemprego vai continuar aumentando. A melhora na economia no primeiro trimestre foi puxada pelo agronegócio e não tem reflexos no emprego. No setor de serviços e na indústria, o desemprego vai continuar. Só a partir de 2018, poderemos ver uma lenta recuperação do emprego a partir de uma também lenta recuperação da economia”, prevê.

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