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Ainda não há consenso na equipe econômica sobre a redução da meta de inflação de 2019 em reunião, hoje, do Conselho Monetário Nacional (CMN). O grupo composto pelos titulares da Fazenda, do Planejamento e do Banco Central (BC) deve confirmar a meta de 2018, de 4,5%, e decidir sobre a do ano seguinte. A expectativa é de uma redução para 4,25% para a variação prevista do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), como o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tem sinalizado a interlocutores. BC e Planejamento evitam comentar o assunto.

Em meio ao aumento das incertezas devido à piora no cenário político, que está dificultando o avanço das reformas no Congresso, Meirelles não pretende fazer uma mudança brusca na meta, mas tenta alinhar o objetivo com a perspectiva de inflação mais baixa em 2019, que atualmente está próxima de 4,25%. Todavia, se houver uma redução, mesmo que pequena, na meta inflacionária, o Banco Central corre o risco de não conseguir dar continuidade ao ciclo de redução da Selic (taxa básica de juros),atualmente, em 10,25% ao ano, de acordo com especialistas ouvidos pelo Correio.

Ex-diretor do Banco Central, o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio, Carlos Thadeu de Freitas Gomes, não vê espaço para a redução da meta. “O quadro fiscal está muito ruim. Esse é o ponto. O Brasil não é necessariamente parecido com outros países com metas de inflação de 2% ou 3% anuais. A inflação deste ano está baixa, mas temos inflexibilidades nominais que outros países não têm. E elas não permitem que o país conviva com uma inflação muito baixa. Para o CMN reduzir a meta central para 4%, o país teria que sofrer uma carga maior de recessão. E esse custo é muito alto”, disse Gomes.

Para ele, mesmo se a meta for reduzida para 4,25%, será um sinal de que os juros reais permanecerão altos por mais tempo que o necessário. “Reduzir a meta vai impedir a queda dos juros. O problema fiscal persiste e o cenário de desemprego elevado e rombo enorme nas contas públicas não permite essas redução. A prioridade do governo tem que ser tirar o país do buraco”, alertou. Na avaliação de Gomes, a inflação caiu fortemente agora porque o país ainda está em recessão e a boa safra agrícola provocou queda dos preços de alimentos. “O BC melhorou a comunicação com o mercado. Mas não precisa chegar ao exagero de baixar a meta agora, seria um risco para a credibilidade conquistada, já que a perna fiscal do tripé não ajuda”, completou.

Buraco

A economista Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics, em Washington, destaca que haveria espaço para o corte da meta de inflação para 4% se houvesse certeza da aprovação da reforma da Previdência. “Não faz sentido reduzir a meta agora porque o governo não fez o ajuste fiscal que prometeu e as reformas não avançaram. A única medida de ajuste foi a emenda do teto de gastos, mas, na prática, ela não adianta nada se não houver a reforma da Previdência. A equipe econômica vendeu ilusões para o mercado e nada fez de concreto do que havia prometido. A redução da meta não faz sentido em um momento em que as contas públicas estão em desordem”, destacou.

O economista e professor da Universidade de Brasília José Luís Oreiro afirma que a redução da meta terá um efeito contrário ao pretendido. “A ancoragem das expectativas é um argumento fraco para diminuir a meta. Não é ela que ancora as expectativas, mas os resultados apresentados pelo governo. Ele precisa anunciar um objetivo alcançável pelo BC para o órgão não perder credibilidade”, disse.

Oreiro lembrou que, desde o início do regime de metas, em 1999, a inflação só ficou abaixo de 4,5% em três ocasiões: 2006, 2007 e 2009. “ Mais de 60% da economia é indexada, por isso o combate à inflação é difícil. E o governo só poderá mexer na meta quando fizer um verdadeiro processo de desindexação. Caso contrário, o custo será muito elevado. O que vivenciamos hoje é uma queda da inflação pela perda da atividade e do emprego. Se o governo quiser tocar uma agenda relevante, ele não deve mudar a meta, e sim a regra de reajuste do salário mínimo”, afirmou.

 

Meirelles: menos PIB e mais impostos

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, adiantou ontem que a economia vai crescer menos que o previsto em 2017, e admitiu que o governo poderá aumentar impostos para cumprir as metas fiscais deste ano e do próximo, que limitam o deficit das contas públicas federais a R$ 139 bilhões e R$ 129 bilhões, respectivamente. “Se for necessário aumentar impostos , vamos fazê-lo. O mais importante é assegurar o equilíbrio fiscal”, disse o ministro em São Paulo, adiantando que a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano será revisada e ficará abaixo do 0,5% inicialmente estimado.

 

Franquias terão frente parlamentar

Com o objetivo de fortalecer o modelo de franquia empresarial (franchising), profissionais com atuação nas áreas do associativismo e cooperativismo, empresários e empreendedores no setor vão fazer hoje a assembleia geral de criação da Associação Brasileira de Franqueados (Asbraf) e, ao mesmo tempo, lançar a Frente Parlamentar de Apoio às Empresas Franqueadas, às 9h30, na Câmara dos Deputados. O movimento tem o objetivo de defender os ideais e objetivos econômico-sociais e o fortalecimento da competitividade do segmento, que emprega 1,192 milhão de pessoas e faturou, em 2016, R$ 152,1 bilhões, por meio de 142,6 mil unidades de 3.039 redes. Para 2017, o sistema de franquias deve crescer de 7% a 9% em faturamento.

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