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Para José Luis Oreiro, professor de Economia da UnB, as reformas se perderam

“No que se refere à economia, o ano de 2017 faleceu na semana que passou. Eu já tinha dúvidas sobre o crescimento. Antes de acontecer o terremoto que vimos, já tinha dito para todo mundo que o governo estava comemorando um – entre aspas – falso positivo. O que é isso? De fato, nós vamos ter um crescimento no primeiro trimestre deste ano, mas, basicamente, será motivado pelo excelente desempenho da agropecuária. Esse desempenho não vai se repetir nos próximos trimestres e também não tem fôlego suficiente para puxar o crescimento de toda a economia em 2017.

Depois do terremoto, as coisas ficaram muito mais complicadas, de uma maneira ou de outra. Temos dois cenários. No primeiro, Temer renuncia e escolhem um novo presidente indiretamente. Ainda assim, sentiremos uma série de restrições que vão conspirar para colocar o PIB brasileiro no negativo mais uma vez. O dólar vai ser mais alto. Haverá menos espaço para o Banco Central reduzir os juros.

 Mas tem o cenário B também. Temer bate o pé e fica. Isso deixa as coisas muito mais imprevisíveis. Corremos o risco de ter, no Palácio do Planalto, um presidente sem ação, sem apoio parlamentar suficiente, que vá perdendo a base – o PSDB já ameaça sair – e que ainda alimente a insatisfação popular. Já vimos que as manifestações contra a permanência dele estão crescendo. Há mobilizações sendo agendadas. Nesse ambiente, tudo pode acontecer.

De um jeito ou de outro, as reformas se perderam. A agenda de recuperação fiscal, que era de longo prazo, se perdeu. Nem Temer, nem quem o substitua, tem condições de implementá-las.”

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