Tags

,

José Luis da Costa Oreiro, Artur Henrique da Silva Santos

 

Resumo

O objetivo do presente artigo é analisar a relação entre a política fiscal e a política monetária em uma economia que opera sob o regime de metas de inflação e com plena utilização da capacidade produtiva. Para tanto, apresenta-se um modelo macrodinâmico kaldoriano, no qual o ajuste entre investimento e poupança é feito por intermédio de variações da participação dos lucros na renda nacional. A inflação resulta do conflito entre capitalistas e trabalhadores pela repartição da renda, de tal forma que um aumento da participação dos lucros induzido pelo acréscimo da taxa de investimento irá levar os trabalhadores a reivindicarem aumentos de salário, os quais serão devidamente repassados para os preços, resultando assim em uma “espiral preços-salários” e em uma taxa de inflação de equilíbrio de curto-prazo, a qual poderá ser maior do que a meta de inflação definida pela autoridade monetária. No longo prazo, o aumento da taxa de inflação e da participação dos lucros na renda nacional irá induzir ajustes tanto na taxa de juros como no grau desejado de utilização da capacidade produtiva. Uma política fiscal contracionista irá resultar em uma redução do valor de equilíbrio de longo prazo da taxa de juros, com efeito nulo ou levemente negativo sobre o grau de utilização da capacidade produtiva. Já uma política de flexibilização do regime de metas de inflação será compatível tanto com a redução do valor de equilíbrio da taxa de juros como com um aumento (não desprezível) do grau de utilização da capacidade.

Palavras-chave

Investimento; Taxa de juros; Inflação; Política fiscal
Anúncios