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A poucos dias de uma nova reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), as apostas sobre uma queda mais acelerada da taxa básica de juros (Selic) se avolumam. A expectativa da maioria dos analistas de mercado é de que, na próxima quarta-feira, a Selic caia um ponto pecentual, para 11,25%, e, chegue ao fim do ano em 8,75%, o que representará uma redução expressiva nas despesas com juros do governo neste ano – queda entre R$ 88 bilhões e R$ 140 bilhões.

De acordo com dados do BC, cada ponto percentual a menos na taxa básica implica redução de R$ 22 bilhões na dívida líquida. Pelas estimativas do Itaú Unibanco, considerando os vencimentos e componentes da dívida deste ano, a diminuição será de cerca de R$ 25 bilhões para cada ponto de queda, podendo atingir R$ 35 bilhões caso a queda da Selic se propague, passado os efeitos dos vencimentos, para outros indexadores da dívida.

Pelas contas do economista Carlos Eduardo de Freitas, ex-diretor do BC, a economia com juros poderá chegar a R$ 120 bilhões neste ano, ou seja, algo como 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB). “O impacto fiscal é expressivo, mas não implicará redução do deficit primário e, sim, do deficit nominal do governo, que ficou em 9% do PIB em 2016. Ajudará a reduzir o ritmo de crescimento da dívida pública”, afirma. Em fevereiro, a conta de juros de todo o setor público somou, no acumulado em 12 meses, R$ 388,2 bilhões, o equivalente a 6,16% do PIB.

Para o economista e professor da Universidade de Brasília (UnB) José Luis Oreiro, o governo não tem outra saída, a não ser acelerar a redução da Selic para estimular a economia. “A inflação está sob controle e as estimativas de crescimento da economia neste ano só pioram. As pessoas têm que se conscientizar de que não dá para continuar na recessão com os juros no patamar atual”, afirma.

O consultor Roberto Luis Troster, ex-economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), critica a atuação da equipe econômica. Para ele, houve um erro de diagnóstico na tentativa de estimular a economia. “O problema está no crédito. Fazer o ajuste fiscal, melhorar as garantias, alterar as regras do rotativo é mais do mesmo, não vai mudar nada. Quem faz o PIB é o emprego, e o governo parece que não entendeu o que está acontecendo”, afirma.

Na opinião dele, o problema são as contas privadas. “A inadimplência está aumentando e vai continuar crescendo”, alerta. “O governo conseguiu quase tudo o que queria. A inflação está caindo, o dólar está estável e os juros básicos estão em queda, mas o país não cresce porque não há crédito. Os bancos não têm confiança e estão em um círculo vicioso com o aumento da taxa de inadimplência. Se não mudarem essa dinâmica, a economia não vai crescer”, afirma Trosten.

O professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Istvan Kasznar também avalia que a equipe econômica não ataca o problema da falta de crescimento devidamente. Para ele, passou da hora de o BC baixar os juros de forma mais intensa. “A inflação deve ficar abaixo de 4,3% neste ano e agora é o momento para uma queda significativa nos juros, acima de 1,5 ponto percentual na próxima reunião do Copom. É preciso que o BC, inequivocadamente, mostre a taxa de juros despencando”, avalia.

Oreiro, da UnB, avalia que o governo caiu em uma armadilha que ele mesmo criou. “Há duas regras fiscais em vigor. A PEC do Teto dos gastos e a meta fiscal. Se houvesse lógica, teria abandonado a segunda, mesmo que para isso fosse obrigado a mudar a lei. Agora, a despeito do contingenciamento de R$ 42,1 bilhões, não conseguirá cumprir a meta atual”, aposta. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2017 prevê deficit primário de até R$ 139 bilhões nas contas do governo central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social).

Argentina – 24,75

Ghana – 23,50

Moçambique – 23,25

Gâmbia – 23,00

Malawi – 22,00

Angola – 16,00

Azerbaijão – 15,00

Belarus – 15,00

Nigéria – 14,00

Rep. Dem. Congo – 14,00

Zâmbia – 14,00

Brasil – 12,25

Kazaquistão – 11,00

Quênia – 10,00

Rússia – 9,75

África do Sul – 7,00

Colômbia – 7,00

México – 6,50

Índia – 6,25

Paraguai – 5,50

Peru – 4,25

Chile – 3,00

China – 4,35

Estados Unidos – 1,00

Reino Unido – 0,25

Zona do Euro – 0,00

Japão – -0,10

Dinamarca – -0,65

Suécia – -0.50

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