Tags

, ,

O crédito subsidiado oferecido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sofrerá mudanças. A partir de 1º de janeiro de 2018, incidirá sobre os empréstimos tomados no banco de fomento a Taxa de Longo Prazo (TLP), que substituirá a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), atualmente em 7% ao ano. A TLP será calculada mensalmente, a partir da variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – o indicador oficial de inflação – atrelado ao prêmio de risco das taxas prefixadas das Notas do Tesouro Nacional – B (NTNBs) de cinco anos. Uma Medida Provisória será editada nos próximos dias.

Até 31 de dezembro deste ano, não haverá mudanças no estoque de operações do BNDES. Isso significa que os contratos continuarão sendo atualizados pela TJLP, que é calculada trimestralmente, com base na meta de inflação e no prêmio de risco do país. O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, explicou que, inicialmente, a TLP terá o mesmo valor da TJLP. “Se fosse hoje, ela seria de 7% (ao ano)”, disse. Depois disso, a TLP seguirá o novo cálculo, de maneira que a convergência seguirá um curso gradual em cinco anos para a remuneração da NTN-B.

Devido à transição de cinco anos, a presidente do BNDES, Maria Silva, avalia que não há razão para uma “corrida ou postergação por financiamentos no banco”. A avaliação da equipe econômica e do próprio Goldfajn é que a mudança para que a TLP traga benefícios para a “estabilidade macroeconômica, as empresas, o BNDES, e o mercado”. “Acredito que todos vão se beneficiar na medida em que teremos uma economia mais eficiente e uma política monetária mais potente, com uma taxa estrutural menor”, declarou.

Para o economista José Luis Oreiro, professor da Universidade de Brasília (UnB), a mudança permitirá uma política econômica mais eficaz. “A TJLP era uma taxa que não guardava nenhuma relação com a Selic (taxa básica de juros). Quando o BC a aumentava tentando manter a inflação na meta, a TJLP era mantida constante e, assim, perdia parte da eficácia”, analisou. Para ele, será importante o BNDES manter algum mecanismo de subsídio.

Anúncios