Tags

,

A tendência de queda do dólar e o registro de cotações mais baixas da moeda ante o real, como observado no pregão de hoje, não devem passar do primeiro trimestre e tendem a não sobreviver à divulgação de dados negativos de indústria e comércio do início do ano, de acordo com analistas. Os resultados fracos da economia que estão por vir devem jogar um balde de água fria no investidor.

Foto: Paulo Whitaker/Reuters
Bovespa

Otimismo com o Brasil ajudou na valorização do real

Nesta segunda-feira, 30, os investidores intensificaram as vendas de dólares, levando a moeda norte-americana à vista a cair 0,74%, atingindo o patamar de R$ 3,1261 – o menor desde outubro. A Bovespa teve um recuo de 2,62%, encerrando o dia aos 64.301,73 pontos.

“Esse movimento de desvalorização frente ao real é um reflexo do otimismo recente dos mercados com a economia brasileira. Os investidores reconhecem que a inflação vem apresentando um comportamento bastante favorável, o que abre uma ‘avenida’ para a redução da taxa de juros, e para que a economia tenha um desempenho positivo em 2017”, analisa José Luis Oreiro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo o economista, o mercado brasileiro tem se beneficiado por estar no melhor dos dois mundos: uma taxa de juros alta e muito atrativa para o investidor, mas com uma sinalização de queda para os próximos meses, abrindo a perspectiva de reativação da economia brasileira. “Isso leva a um aumento de captação da Bolsa brasileira.”

Ele lembra que o governo não tem hoje muitos trunfos para reaquecer a economia do País, além da redução dos juros, já que as exportações de bens manufaturados não decolam pela falta de vantagem cambial, o consumidor ainda está evitando fazer despesas e o governo não tem recursos para investir.

“Esse otimismo, que faz o dólar baixar, no entanto, não deve passar do primeiro trimestre. É um sentimento exagerado e a realidade irá, fatalmente, se impor. Pode se manter pelos próximos dias ou semanas, mas muito em breve, os mercados deverão ser afetados pela atividade industrial fraca, que ainda trará números bem ruins.”

Na visão de Oreiro, ainda levará tempo para que as quedas da Selic tenham impacto e, até o fim do ano, será preciso torcer para que a política de redução de juros por parte do Banco Central não tenha sido aplicada tarde demais. “A queda dos juros deveria ter começado em agosto. Agora, é preciso pisar fundo no acelerador da Selic e torcer para dar tempo de salvar o ano.”

Link: http://economia.estadao.com.br/noticias/mercados,otimismo-com-dolar-nao-deve-perdurar,70001647142