Tags

,

O ano de 2016 está em vias de terminar sem nenhum sinal perceptível de recuperação do nível de atividade econômica no Brasil. A recessão atual se iniciou no segundo semestre de 2014 e já é a mais longa e profunda queda do nível de atividade econômica desde a grande depressão de 1929. Com efeito, basta olhar para os dados da produção física da indústria de transformação para que tenhamos uma medida clara da gravidade da crise. Com base na média móvel do quantum produzido pelos diversos segmentos da indústria pode-se constatar que entre janeiro de 2013 e agosto de 2016 a produção bens de consumo durável se reduziu 34%, a produção de bem intermediários caiu 12,5%, a produção de bens de capital sofreu um tombo de 33,72%, ao passo que a produção de bens de consumo semi e não duráveis se reduziu em 7,1%. Além disso, a exuberância (irracional) exibida pelos mercados financeiros no Brasil com o impeachment da Presidente Dilma Rouseff não se traduziu em recuperação da atividade industrial. De fato, no período compreendido entre maio e agosto de 2016, a atividade industrial (captada pela média móvel dos últimos 12 meses) continuou sua trajetória de queda: a produção de bens de consumo durável caiu 3,38%, a produção de bens intermediários se reduziu em 1,6% e a produção de bens de capital caiu 0,9%. O único segmento da indústria de transformação que apresentou uma relativa estabilidade – mas com viés de queda – foi a produção de bens de consumo semi e não-duráveis, com queda de apenas 0,08% no período.

A continuidade do movimento de queda da atividade industrial acabou se refletindo nas expectativas de crescimento econômico para 2017. Recentemente o Ministério da Fazenda reviu sua projeção de crescimento para o ano que vem de 1,6% para apenas 1%. Já o IBRE-FGV espera um crescimento bem mais modesto que o da equipe econômica do governo, apenas 0.5%.

Esses desdobramentos apontam para uma verdade inescapável: a tese de que bastaria uma mudança no comando político do país para restaurar a confiança dos mercados e produzir, como por mágica, o retorno do crescimento econômico não passa de conta de fadas. A recuperação do nível de atividade econômica exige expansão da demanda agregada, do contrário, as empresas não irão produzir pelo simples fato de que não terão para quem vender!  Dada a capacidade ociosa prevalecente hoje na indústria e o alto nível de endividamento das empresas do setor privado, não podemos esperar que a expansão da demanda agregada venha a partir do investimento privado. O aumento do desemprego e a contração do crédito bancário também impedem que a demanda agregada seja gerada a partir dos gastos de consumo das famílias. Por fim, a crise fiscal da União e dos demais entes federativos torna inviável o uso de política fiscal anticíclica nos próximos (muitos) anos. A única saída é incentivar as exportações de produtos manufaturados o que exige manter uma taxa de câmbio competitiva, provavelmente em torno de R$ 3,80. Para tanto é necessário que o Banco Central do Brasil acelere o processo de redução da taxa básica de juros, promovendo cortes de 0.5 ou 0.75 p.p a cada reunião do COPOM. Sem isso, o Brasil estará condenado a um crescimento próximo de zero no ano de 2017.

Anúncios