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O resultado do Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que cravou alta de 0,26% em novembro, abaixo das expectativas, reforçou as apostas do mercado de que o Banco Central (BC) continuará o processo de queda de juros. Boa parte dos analistas estima que a taxa básica (Selic), hoje em 14% ao ano, será reduzida em 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para 29 e 30 de novembro. Uma minoria, entretanto, avalia que os diretores do BC deveriam acelerar esse processo, diante da profunda retração da economia brasileira e da queda nas expectativas para a inflação do próximo ano.

O custo de vida só não caiu mais neste mês devido à alta do etanol. O litro do combustível ficou 7,29% mais caro. Além disso, O IBGE destacou que o aumento no valor das multas de trânsito, que chegou a 23,72%, pressionou o índice. Alimentos e bebidas, fontes de pressão no primeiro semestre, tiveram deflação de 0,06%. A maior queda foi no preço do leite longa vida, de 10,52%.

Quem cobra do BC uma flexibilização maior da política monetária afirma que o resultado do IPCA-15 de novembro, o menor desde 2007 para o mês, mostra que a inflação segue em trajetória de queda gradual. Além disso, argumentam que a mediana das estimativas para o aumento no custo de vida em 2017, está em 4,93%, abaixo da meta oficial, o que abre espaço para uma queda maior de juros. “O BC deveria reduzir a Selic em 0,75 ponto percentual porque o nível de atividade está muito ruim. Caminhamos para três anos de recessão”, alertou o economista José Luís Oreiro, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Ele explicou que, além de retração no terceiro trimestre de 2016, os dados preliminares apontam queda do Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos três meses do ano. “A Fundação Getulio Vargas (FGV) já estima crescimento de 0,5% em 2017 e o governo, que sempre é mais otimista, de apenas 1,1%. A situação é crítica”, comentou Oreiro. No mercado, as estimativas para a queda da economia entre julho e setembro têm piorado.

O PIB do terceiro trimestre será divulgado em 30 de novembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nas contas do Itaú Unibanco, a economia encolheu 1,1% no período. Mesmo assim, o maior banco privado do país espera que o BC faça um corte de apenas 0,25 ponto percentual na Selic, diante das incertezas globais criadas pela eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos.

Dinâmica

O economista-chefe do Goldman Sachs para a América Latina, Alberto Ramos, também espera que os juros terminem o ano em 13,75%. “Apesar da recente dinâmica de atividade real, mais fraca do que a esperada, a pressão eleitoral nos Estados Unidos sobre o Brasil e a incerteza e os riscos gerados pelo resultado das eleições levarão o BC a ser cauteloso e manter o ritmo de redução de juros”, destacou.

A queda, neste mês, dos preços de alimentos, como feijão e leite, além da desaceleração nos custos de serviços, levou a economista-chefe da Rosenberg Associados, Thaís Marzola Zara, a colocar viés de baixa na projeção de IPCA para 2016, hoje em 6,9%. Mesmo assim, ela estima que que o BC reduzirá os juros em apenas 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom. “ Para 2017, mantemos nossa projeção de inflação de 4,9%”, disse ela.