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Uma revisão nos dados recentes da economia brasileira, feita pelo IBGE, melhorou o resultado do PIB durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff (2011-14).

Assim, a primeira administração da petista deixou de ser isoladamente a de menor crescimento desde o governo de Fernando Collor (1990-92) e empatou com o desempenho de FHC em seu segundo mandato (1999-2002).

A revisão feita pelo IBGE não foi muito grande e ocorre cada vez que o instituto publica dados mais depurados do PIB. Nesta quinta (17), saiu o número definitivo de 2014. Em vez de uma estabilidade de 0,1%, a economia cresceu 0,5%. Também foi revisto levemente para cima o resultado de 2011, de 3,9% para 4%.

Foi o suficiente para a média anual de crescimento de Dilma 1 subir de 2,22% para 2,34% —superior, na segunda casa após vírgula, ao de FHC 2 (2,31%). Na divulgação oficial, o IBGE só considera o primeiro número após a vírgula, o que os coloca em empate.

Paulo Picchetti, pesquisador e um dos membros do Comitê de Datação de Ciclos da FGV, lembra que tanto Dilma quanto FHC enfrentaram turbulências externas.

Em sua segunda gestão, o tucano enfrentou o colapso argentino. Já Dilma encarou o estrago da crise financeira nos países da Europa. FHC enfrentou o racionamento de energia, e Dilma, a crise hídrica em 2014.

Mas, para Picchetti, o governo Dilma produziu desequilíbrios que cobraram seu preço no segundo mandato.

“O benefício de um crescimento que se mostrou melhor não compensa de forma alguma a dificuldade que estamos vivendo agora.”

A recessão se instalou em 2014, mas derrubou o PIB a partir de 2015, resultado de uma política de excessiva intervenção do governo no setor privado e desmesura nos gastos públicos, que levou à baixa da confiança empresarial e acabou em inflação.

O economista José Luis Oreiro, da UFRJ, dá peso à aceleração da inflação e ao choque de oferta produzidos pela súbita correção de tarifas, como de energia, em 2015 —represadas no primeiro governo Dilma. A crise política e as investigações da Lava Jato multiplicaram incertezas e debilitaram o investimento.

SEM NORTE

Oreiro afirma que a revisão dos números de Dilma não altera a leitura da gestão econômica da petista.

“Foi um governo que não soube lidar com a sustentabilidade do crescimento”, afirma. “Após tentar corrigir o câmbio [a seu ver, excessivamente valorizado], o governo Dilma desistiu e passou a adotar uma política econômica sem norte.”

O erro, diz Oreiro, foi ter interpretado que a moderação, após os anos de forte crescimento do governo Luiz Inácio Lula da Silva, se devia à falta de consumo. Em vez de adotar ações para estimular o investimento privado, optou-se por sobreaquecer a demanda.

Governantes desde o Plano Real, diz Oreiro, aplicaram juros altos e dólar barato para controlar a inflação, combinação que limita o investimento e a capacidade do país crescer no longo prazo.

“Sabemos que há 25 anos o padrão de crescimento do Brasil é baixo, ao redor de 2,3% anuais, o que é reflexo de uma baixa taxa de investimento, em torno de 18% do PIB. Isso é um problema mais estrutural do que de um governo ou de outro”, afirma.