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ue a taxa de juros está muito elevada, não há a menor dúvida”, afirmou José Luis Oreiro, professor do Instituto de Economia da UFRJ, durante o 13º Fórum de Economia da FGV/EESP. “Realmente não há nenhuma justificativa para manter uma taxa de juros desse tamanho, numa economia que está em seu segundo ano de recessão”, disse, lembrando que, em termos reais, a taxa básica de juros da economia brasileira está em torno de 7% ao ano.

Ele defendeu que a taxa deveria estar em 10%, nível que “seria suficiente para mostrar que você não está chutando o balde do controle da inflação, mas já ajudaria bastante a retomada do nível de atividade”. Quanto ao ritmo da redução, Oreiro afirma que já na próxima reunião do Copom a Selic deveria ser cortada em um ponto porcentual, movimento que deveria ser repetido nas três reuniões subsequentes. Para permitir isso, o CMN deveria “alongar” o prazo de convergência da inflação para o centro da meta, de 4,5%, para 2018. Contudo, o professor diz acreditar que essa não será a escolha do BC.

“O meu receio é que estejam exagerando tanto na dose da política monetária contracionista que a gente possa estar próximo de um ponto de ruptura. O que seria isso? Você tem as empresas altamente endividadas,sem gerar caixa suficiente para pagar os encargos financeiros. Então, em algum momento, pode haver uma onda de falência, o que pode até comprometer a saúde do sistema financeiro”, afirmou Oreiro. “Se chegarmos a esse ponto, e eu não estou dizendo que a gente vá chegar, é o caos”.

O país, segundo o professor, não teria os instrumentos necessários para realizar operações de salvamento de bancos, por exemplo. “Não existe  espaço fiscal hoje na economia brasileira para a gente reverter uma situação de depressão. Por enquanto, estamos em uma recessão grande”.