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A PEC proposta pela Fazenda estabelece que a despesa primária seja ajustada a cada ano com base na inflação do ano anterior. Essa regra tem um claro inconveniente. Como a população brasileira cresce a taxa de 0,8% a.a segundo dados recentes do IBGE, se congelarmos os gastos com saúde e educação em termos reais; então estaremos reduzindo esses gastos em termos per-capita! Não é preciso ser um gênio político para perceber que essa proposta irá sofrer forte resistência dos partidos de esquerda e dos movimentos sociais.
Mas eu tenho uma proposta alternativa. A ideia é propor uma PEC na qual os gastos primários são reajustados com base na inflação do ano anterior mais o crescimento projetado da população para o ano.  Eu fiz uma simulação (clique ao lado: copia-de-ajuste-fiscal ) com a trajetória da relação despesa primária/PIB no caso da proposta do Meirelles (primeira coluna) e no caso da minha proposta (segunda coluna). O leitor pode perceber que a diferença entre ambas as propostas é apenas a velocidade de queda da despesa primária – maior na proposta Meirelles e menor na minha; mas em ambos os casos temos uma indiscutível redução da relação despesa primária/PIB.
 
Na simulação considero que o ponto de partida em 2017 é o valor da despesa primária como proporção do PIB de 2015, que parece ser a posição de alguns parlamentares do DEM. Considero também que a economia brasileira vai crescer 2% a.a durante todo o período.
A vantagem da minha proposta com respeito a de Meirelles é que a minha permite uma redução da despesa primária com respeito ao PIB, ao mesmo tempo que mantêm os gastos com saúde e educação estáveis em termos per-capita, ao contrário da proposta de Meirelles onde esses gastos se reduzem em termos per-capita.