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Os economistas considerados integrantes da ala desenvolvimentista defendem que a abertura da economia brasileira seja feita de uma forma gradativa. A principal preocupação dessa corrente é que ocorra a liberalização do comércio exterior brasileiro com um câmbio valorizado, o que, na visão deles, prejudicaria a indústria nacional. A desvalorização do câmbio também seria condição fundamental para permitir a redução das alíquotas de importação como propõe o documento elaborado pelo Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP) e pelo Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes).

“Se o câmbio está no lugar, é possível reduzir a alíquota de importação de bens intermediários e de capital, por exemplo”, diz Nelson Marconi, coordenador executivo do Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e presidente da Associação Keynesiana Brasileira.

Para o grupo desenvolvimentista, o entrave para a liberalização é que a atual equipe econômica já permitiu que houvesse valorização do câmbio como estratégia para ajudar no controle da inflação – no início deste ano, o dólar chegou a R$ 4, mas nas últimas semanas ficou na faixa entre R$ 3,20 e R$ 3,30.

“Em vez de buscar a conversão da inflação para a meta de 4,5% num prazo mais longo, em 2018, a equipe econômica quer que essa convergência ocorra em 2017”, diz José Luis Oreiro, professor do Instituto de Economia da UFRJ. “A valorização do câmbio deve abortar um processo de recuperação da indústria, o que é fundamental para um crescimento mais robusto.”

A ideia de se fazer uma abertura gradativa também tem como base o debate sobre a redução do modelo de conteúdo nacional adotado durante a gestão do PT como uma das pernas da política industrial. “A política de conteúdo nacional adotada pelo governo Lula e Dilma se mostrou custosa para a Petrobrás”, diz Oreiro. “É preciso implementar um período de transição, de cinco a dez anos. E pensar em como substituir essa política.”

Os desenvolvimentistas também apontam a necessidade de ajustar o câmbio e definir uma estratégia clara para a realização de acordos comerciais com outros países e blocos. “Para fazer acordos, é preciso estar com a casa arrumada”, afirma Marconi, da FGV. “Os acordos são importantes, mas é preciso ter claro quais são os interesses.”