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Na reunião que será realizada no dia 30 de junho próximo, o Conselho Monetário Nacional irá decidir sobre se mantem a meta de inflação de 4,5% a.a para o ano de 2017, ou se revê a meta do próximo ano. Nas ultimas semanas economistas das mais diversas matrizes teóricas tem vindo a público expressar opinião favorável à revisão da meta de 2017. Isso porque a intensidade do choque de preços relativos ocorrida em 2015 (aumento dos preços das tarifas de energia, combustíveis e desvalorização cambial), somada com a forte inércia inflacionária decorrente da indexação de preços e salários, aumentou o custo da estratégia de desinflação. Com efeito, apesar da forte elevação da taxa de juros realizada pelo Banco Central do Brasil ao longo do ano de 2015, a variação acumulada do IPCA nos últimos 12 meses ficou em 9,32% no final de maio do corrente ano. Trata-se de uma queda de apenas 1,35 p.p com relação à inflação de 10,67% acumulada ao longo do ano de 2015, num contexto em que o PIB real apresentou uma queda de 3,85% em 2015 e deve apresentar uma queda próxima de 3,6% em 2016.

A batalha que o BCB trava atualmente contra os índices de inflação parece lembrar a “batalha de trincheiras” ocorrida na Europa Ocidental durante a I Guerra Mundial, onde para se avançar uns poucos metros em território inimigo se sacrificava uma geração inteira da “fina flor” da juventude europeia. Temos que ser realistas: o custo da estratégia desinflacionaria ora em curso é extremamente elevado, podendo em breve se tornar socialmente inaceitável. Simplesmente não é factível achar que a economia brasileira pode permanecer indefinidamente em recessão até que a inflação convirja para a meta mágica de 4,5% a.a. Cedo ou tarde a queda do nível de atividade, o aumento do desemprego e a evaporação dos lucros corporativos irão se refletir sobre a solidez dos balanços dos bancos e instituições financeiras. Se e quando isso acontecer, o Brasil se verá as portas de uma crise financeira de caráter sistêmico com o agravante de não possuir o “espaço fiscal” necessário para fazer o bail out das instituições bancárias que se mostrarem grandes demais para quebrar. Ai será o fim da economia brasileira tal como conhecemos atualmente.

Para evitar o pior é necessária uma mudança imediata no curso da política monetária. O BCB precisa iniciar o mais rapidamente possível um ciclo de redução da taxa de juros, de forma a leva-la para um nível compatível com o crescimento da economia brasileira ao ritmo permitido pelo produto potencial, algo como 2,5% a.a nas condições atuais.

Para tanto é necessário que o CMN abra espaço para a redução da taxa de juros. Na ata da ultima reunião do COPOM distribuída na semana passada, o BCB comunica que a inflação deverá convergir para 4,5% a.a ao final de 2017 se a taxa de câmbio permanecer inalterada em R$3,60 e a taxa Selic em 14,25% por um período suficientemente longo de tempo. O problema é que não só uma taxa de câmbio em R$ 3,60 não parece ser um valor muito competitivo para a indústria, como ainda 14,25% a.a é um valor excessivamente alto para a taxa de juros. Nesse contexto, o CMN faria muito bem em adotar uma meta de inflação um pouco mais alta para o ano de 2017, de forma a dar ao BCB o espaço necessário para a redução da taxa Selic. A meta de 4,5 % a.a ficaria para 2018.

Link: http://www.dci.com.br/opiniao/metas-realistas-id557432.html