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A inflação e o desemprego são sentidos em todo o Brasil, mas a Região Nordeste é a mais afetada: o maior avanço dos preços acontece em Fortaleza, enquanto a Bahia figura como o estado onde mais pessoas não encontram trabalho.

No mês passado, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apontou que a inflação nacional acumulava alta de 9,32% em 12 meses. Na Região Metropolitana de Fortaleza, entretanto, o aumento dos preços no mesmo período chegou a 11,01%. E a cidade não é a única capital do Nordeste com resultado acima da média do País. Em Salvador, o IPCA marcou aumento de 9,54% em maio.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) trimestral também indicou dados piores na região. No primeiro trimestre deste ano, a maior taxa de desemprego foi encontrada na Bahia (15,5%).

Outros quatro estados nordestinos também superaram a média nacional (10,9%): Rio Grande do Norte (14,3%), Pernambuco (13,3%), Alagoas (12,8%) e Sergipe (11,2%).

Segundo Fábio Silva, economista do Conselho Federal de Economia (Cofecon), há causas diferentes para os problemas. Enquanto “condições estruturais” levariam a região a ter um desemprego mais elevado, uma “questão conjuntural” seria o motivo dos elevados índices de preços.

“Como a estrutura produtiva do Nordeste é menos desenvolvida, as taxas de desemprego acabam sendo sempre superiores àquelas das regiões Sul e Sudeste, que têm setores industriais mais fortes e diversificados”, explica Silva.

Também afetaria as pesquisas de emprego a diferença etária entre as regiões. De acordo com o especialista, tem “leve impacto” o fato de que o Nordeste tem um maior contingente de pessoas em idade para trabalhar do que a Região Sul, por exemplo.

Já os resultados do IPCA, segue Silva, seriam causados pelo avanço maior, neste ano, de preços relacionados a itens de primeira necessidade. Entre estes, ele menciona os custos de alimentos e das contas de água, energia e transporte.

“O Nordeste é, em geral, mais pobre que o resto do País. Por isso, pesam mais esses produtos na hora de calcular os índices de preços”, apontou.

Para Silva, a inflação deve arrefecer no segundo semestre deste ano. “Isso se não acontecerem problemas climáticos, que podem deixar alimentos mais caros”, pondera.

A situação do emprego, por outro lado, deve levar mais tempo para melhorar. O especialista acredita que um incremento na atividade econômica poderia levar a novas contratações “em meados de 2017”.

Rio de Janeiro

Em meio a problemas fiscais que levaram o estado a pedir socorro à União, o Rio de Janeiro tem dados de inflação e desemprego abaixo da média nacional. Em maio, o IPCA acumulado em 12 meses totalizava 8,99% na capital fluminense. Já a Pnad indicou taxa de desemprego em 10% no primeiro trimestre deste ano.

O mercado de trabalho estaria mais aquecido no estado por causa da realização das Olimpíadas, diz José Luiz da Costa Oreiro, economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“Ainda temos construções sendo realizadas na região metropolitana e o setor da construção civil demanda uma grande quantidade de mão de obra”, explica ele.

Oreiro afirma, ainda, que a instalação de montadoras no sul do estado também favoreceu a geração de emprego nos últimos anos. “Houve um investimento forte, especialmente no eixo entre Resende e Itatiaia”, aponta.

Sobre os índices de preços, o especialista diz que o freio nos custos relacionados à habitação favoreceu a manutenção do IPCA em patamares menos elevados. “Levou, por exemplo, a uma diminuição nos preços dos alugueis”, cita.

Para o futuro, Oreiro indica que o desemprego no Rio de Janeiro deve ter “aumento significativo”. O motivo seria o final de grande parte das obras realizadas para os Jogos Olímpicos de agosto.

Os preços devem seguir o sentido contrário, continua o entrevistado. Assim como acontece no resto do País, a fraqueza da demanda deve puxar para baixo os índices deste e do próximo ano.

Os últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram melhores situações para mercado de trabalho e inflação no Sul e no Sudeste do País. Em Vitória, o IPCA marca avanço de 7,58% em 12 meses. Já a PNAD aponta taxa de desemprego de 6% em Santa Catarina.

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