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Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) divulgados recentemente mostram um quadro alarmante. A taxa de desemprego atingiu o patamar de 10,2% da força de trabalho. Em abril de 2015 a taxa de desemprego era muito menor, 7,4%. Se nada for feito a taxa de desemprego continuará sua trajetória de elevação, podendo alcançar 14% no médio prazo. Isso significaria um conjunto de 14 milhões de pessoas sem trabalho.

De que forma o (provável) novo governo pode atuar no sentido de reduzir essa taxa para um padrão mais próximo do observado no início de 2015?

A teoria macroeconômica aceita pela maioria dos economistas aponta para dois instrumentos a disposição do formulador de política econômica. O primeiro é a política fiscal, ou seja, o conjunto formado pelos gastos discricionários do governo (basicamente investimento público) e tributação. Num quadro em que a taxa de desemprego está muito acima de qualquer medida plausível a respeito do seu nível “natural” o governo pode e deve estimular a demanda agregada, e uma das formas de fazer isso é por intermédio de um aumento dos gastos de investimento e/ou redução de impostos. O problema é que essa opção não está disponível no caso brasileiro. A irresponsabilidade fiscal praticada pela equipe econômica do governo durante o primeiro mandato da Presidente Dilma Rouseff transformou um superávit primário de pouco menos de 3% do PIB em 2012 num déficit primário de 0.7% do PIB no final de 2014. A evaporação do superávit primário colocou a dívida pública/PIB numa trajetória ascendente, a qual foi reforçada pelo aprofundamento da recessão ao longo de 2015. Em função desses desdobramentos, o setor público no Brasil deverá fechar o ano de 2016 com um déficit primário próximo de 2% do PIB e com uma relação dívida pública/PIB próximo de 75%. Nessas condições uma “flexibilização” da política fiscal não é possível, sob pena de se induzir uma fuga de capitais da economia brasileira em função da expectativa de default soberano por parte do governo brasileiro.

O segundo instrumento é a política monetária, ou seja, o valor da taxa Selic fixada a cada reunião do COPOM. Atualmente a meta da taxa Selic é 14,25% a.a. Considerando uma inflação esperada de 7% para 2016, isso significa uma taxa real de juros de 6,7% a.a.

Esse valor é alto ou baixo? A resposta a essa pergunta depende do comportamento da inflação e do nível de atividade econômica. Se a inflação estivesse se acelerando e o PIB estivesse crescendo, então poderíamos afirmar que se trata de um valor baixo para a situação corrente da economia brasileira. Mas sabemos que não é esse o caso. A inflação está se desacelerando com relação ao ano de 2015 e o PIB deverá apresentar uma queda de 4% em 2016, após uma queda de quase 4% no ano passado. Nessas condições podemos afirmar que a taxa de juros está absurdamente alta, não havendo justificativa econômica para mantê-la nesse patamar. Reduzir os juros para um patamar que seja condizente com a retomada do crescimento da economia brasileira deve ser a prioridade número um do governo de Michel Temer.

Link: http://www.dci.com.br/opiniao/juros-e-reducao-do-desemprego-id545478.html

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