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Apesar de o Banco Central (BC) afirmar que não há espaço para a redução dos juros básicos da economia, hoje em 14,25% ao ano, já há consenso entre os integrantes do Comitê de Política Monetária (Copom) de que eles devem cair em junho ou julho. O recado será dado na próxima reunião do colegiado. Os dois diretores dissidentes e favoráveis à alta da Selic, Tony Volpon, de Assuntos Internacionais, e Sidnei Corrêa Marques, de Organização do Sistema Financeiro, votarão pela manutenção da taxa e pavimentarão o caminho para a queda.

O diretor de Política Econômica do BC, Altamir Lopes, afirmou que os atuais riscos para a inflação impedem que a autoridade monetária trabalhe com a hipótese de flexibilização da política monetária. Conforme ele, além das pressões oriundas da deterioração fiscal, a autoridade monetária passou a considerar o aumento da inflação corrente em janeiro, a elevação das expectativas de mercado para a carestia e a indexação da economia. “Diante desse cenário, expressamos com veemência que esse quadro não nos permite trabalhar com flexibilização da política monetária”, afirmou.

Recessão

Para o economista José Luis Oreiro, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a redução de juros é inevitável no segundo semestre, diante das indicações de queda da inflação em fevereiro e março, além do aumento do desemprego e do aprofundamento da recessão. Ele explicou que a retração do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) aumentará os juros reais da economia. “Uma política monetária mais apertada com recessão não faz sentido. A redução da Selic nominal a partir de julho está precificada”, afirmou.

Oreiro ressaltou que o ideal seria que a autoridade monetária iniciasse a queda de juros já na próxima reunião do Copom. Entretanto, ressaltou que, diante da crise política, da inexistência de perspectivas de uma reforma fiscal e da falta de credibilidade do BC, a medida seria mal-interpretada pelo mercado. “Uma autoridade monetária respeitada, em um quadro em crise política, poderia promover uma redução agressiva da Selic para estimular a atividade econômica. Agora, temos um quadro social desfavorável, que piorará com o aumento do desemprego no segundo semestre”, alertou.

O diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, Octavio de Barros, a decisão de política monetária do BC deve ser tomada com extrema responsabilidade e cautela. Apesar disso, ele comentou que o patamar atual da taxa Selic é suficiente para que a inflação convirja para próximo da meta em 2017. “Com isso, prevemos que a taxa básica de juros encerrará ente ano em 12,25%”, destacou.

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