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Apesar das dificuldades, o economista acredita na recuperação da empresa

O professor de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, José Luis Oreiro, afirmou ao Portal do PPS que a economia brasileira terá ainda mais dificuldades com a queda dos investimentos da Petrobras.

A análise foi feita pelo economista com base no prejuízo recorde da petroleira, de R$ 34,8 bilhões em 2015, divulgado nesta segunda-feira. Ele destacou que a recuperação da empresa pode levar de 5 a 6 anos. “Com isso, os investimentos da Petrobras serão reduzidos neste período. Dado que a empresa representa 10% dos investimentos feitos no País, isso terá reflexo no crescimento da economia brasileira”,  completou.

Situação contábil

Em relação a situação contábil da petroleira em 2015, Oreiro afirmou que o prejuízo se deve basicamente à reavaliação negativa dos ativos. Ele destacou que a situação se deve a dois motivos: a queda internacional do preço do barril do petróleo e dos ativos da petroleira, que ao longo dos anos foi se acumulando quando o preço do barril estava avaliado em U$ 100.

“Não consigo dizer quanto que é devido a queda do preço do barril do petróleo ou a reavaliação de ativos. Suspeito que a queda do preço influenciou mais no prejuízo. Mas isso não invalida o fato de que parte da reavaliação negativa se deve a correção dos preços dos ativos, que estavam superfaturados devido a corrupção [na Petrobras] ocorrida nos últimos anos”, disse o economista

Venda de ativos

Oreiro afirmou que uma das formas de lidar com o alto endividamento da empresa é por meio da venda de ativos. O economista falou ainda que não acredita em novas quedas do preço do petróleo e que esse fato pode ajudar a recuperação da Petrobras.

“A venda de ativos é necessária para lidar com o alto endividamento da Petrobras no mercado internacional. Na verdade, você tem duas opções: a venda de ativos ou a recapitalização pelos seus sócios, lembrando que o governo é majoritário na empresa”, disse.

Em relação a uma queda ainda maior do preço do barril, ele disse acreditar que só ocorrerá diante uma crise econômica internacional. “Como esse cenário é pouco provável, o barril deve se manter na faixa dos U$ 30/40. O que dá um certo respiro para que a empresa possa fazer a sua restruturação financeira”, disse.

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