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Por: Assessoria do PPS

O economista da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), José Luis Oreiro, disse nesta quarta-feira, ao Portal do PPS, que a inflação acumulada de 10,45% nos últimos 12 meses é “resultado de decisões erradas no passado”.

Puxada pelos preços dos alimentos e dos combustíveis, a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) avançou 1,01% em novembro é a maior desde 2002, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

“No ano passado, para ganhar as eleições, o governo segurou o dólar, o preço da gasolina, da energia elétrica. Os reajustes que aconteceram ao longo de 2015 deveriam ter sido feitos de maneira mais gradual em 2012, 2013 e 2014. Mas o governo, por uma política eminentemente populista, que tinha por objetivo ganhar as eleições, preferiu empurra o problema com a barriga até quando não deu mais. E nesse ano teve que liberar esses preços de uma vez só. É por isso que estamos vendo a inflação bater nos 10,5%”, afirmou Oreiro.

Para ele, a inflação de dois dígitos é resultado dos erros e equívocos cometidos pelo governo do PT na condução da política econômica entre 2012 e 2014.

Inflação de custos

Segundo Oreiro, a inflação não é de demanda, mas de custos. O economista lembra que ao longo de 2010 ocorreram “vários choques de oferta”, com o aumento significativo das tarifas de energia elétrica, em torno de 50%, fator que influenciou no custo básico da indústria, serviços e agronegócio.

“Esses reajustes tiveram um grande impacto no custo das empresas. Além disso, tivemos aumento do preço dos combustíveis, que também é custo de produção de uma série de empresas. Por fim, tivemos a valorização da taxa de câmbio, da ordem de 40%, que acaba impactando no preço daquilo que os economistas chamam de bens comercializáveis, a exemplo do trigo”, disse.

Como o insumo é cotado no mercado internacional em dólar e a moeda americana se valorizou em relação ao real, o pãozinho francês, que é feito de trigo, ficou mais caro e ajuda turbinar o índice inflacionário.

“Esse aumento impacta no IPCA. Tivemos três choques de oferta muito fortes que jogaram a inflação lá para cima. Então, essa é a razão de a inflação estar rodando em 10,5%”, ressaltou

Para o próximo ano, caso não se repita o choque de oferta que aconteceu em 2010, Oreiro prevê que a inflação vai desacelerar.

“Não é necessário novo aumento da taxa de juros em janeiro [para segurar a inflação] como a diretoria do Banco Central tem divulgado à imprensa”, afirmou.

Meta só em 2017

Para o economista da UFRJ, a inflação só deve ficar no centro da meta de 4,5% em 2017. “Tentar fazer a inflação convergir para o centro da meta no ano que vem só à custas de um aprofundamento muito grande da crise econômica e do aumento do desemprego. Para minimamente preservar os empregos, cuja taxa de desemprego acho que deve continuar aumentando em 2016, a convergência [da inflação] para o centro da meta deve ser deixada para 2017”, opinou.

Combustíveis e alimentos

Pelo segundo mês consecutivo, os combustíveis lideraram o ranking dos principais impactos individuais. O litro da gasolina, segundo o IBGE, ficou 3,21% mais caro para o consumidor, em decorrência de reajuste de 6% vigente nas refinarias desde 30 de setembro.

Entre os grupos, no entanto, o destaque ficou com alimentos e bebidas, que subiram 1,83% na passagem de outubro para novembro. Juntos, combustíveis e alimentação foram responsáveis por 66% da inflação de novembro.

Já a inflação para a Classe 1 (IPC-C1) mostra que os consumidores mais prejudicados pela carestia são aqueles que recebem de 1 até 2,5 salários-mínimos. Segundo a FGV (Fundação Getúlio Vargas), a inflação medida nos últimos 12 meses para essa faixa de renda chega a 11,22%.

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