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A atual crise brasileira é tão grave que não basta o governo pretender implementar um ajuste fiscal de curto prazo com o objetivo de reorganizar as contas públicas para entregar superávits primários neste 2015 e no próximo ano.

Economistas reunidos ontem em um evento na capital paulista apontam para a necessidade de mudanças estruturais que sinalizem soluções de longo prazo e que deem perspectivas de estabilização aos agentes da economia, de modo a retomar a confiança, os investimentos e o crescimento da economia.

Para o diretor-presidente do Insper, Marcos Lisboa, o Brasil não passa por um ajuste cíclico que será revertido em poucos meses, mas por um período de depressão da economia.

“Parte do problema é o avanço do gasto publico. Não necessariamente o nível, mas o fato de que as despesas vão crescer em um ritmo mais alto que o do Produto Interno Bruto [PIB]”, disse o economista.

Lisboa destacou que o gasto obrigatório cresceu em 2015, apesar das medidas do ajuste fiscal, que determinou cortes de investimentos e custeio, mas em menor grau que a alta dos custos da Previdência. Para ele, a atual crise terá impactos sociais muito profundos, “talvez os maiores que uma geração já viu”, apontou.

Já para José Luís Oreiro, economista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é preciso pensar em mecanismos de sofisticação da estrutura produtiva brasileira no médio e longo prazo.

“O ajuste fiscal focado no curto prazo está errado. Deveria primeiro fazer ajustes para dar um horizonte mais amplo e perspectivas positivas para a trajetória sustentável da dívida pública”, afirmou. “Enquanto não tivermos um norte neste País, um líder que diga claramente para onde vamos e o que precisa ser feito, a crise vai durara muito tempo”, disse.

Oreiro considera ser pouco sensato o Banco Central elevar os juros em janeiro, mas sugeriu que uma maneira de reduzir o gasto público seria alterar a fórmula de reajuste do salário mínimo. “Apesar do aumento formidável da taxa de desemprego e do PIB caindo, o salário mínimo vai aumentar 10% em 2016. Me parece razoável aplicar apenas a metade da regra atual”, afirmou.

O ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega disse estar “otimista” com a situação da economia brasileira e avaliou que o Brasil está se preparando para uma “grande virada” a partir de 2019. “Na história recente, grandes saltos da economia ocorreram quando se conjugam três elementos: ideias, amadurecimento da sociedade e liderança”, disse, afirmando faltar, atualmente, apenas um líder político para encabeçar este movimento de recuperação.

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