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Se as projeções do mercado se confirmarem, no fim de 2016, o Produto Interno Bruto (PIB) do país voltará aos níveis do início do governo Dilma Rousseff. As estimativas do Boletim Focus, divulgadas ontem pelo Banco Central, apontam que a economia vai encolher 2,97% em 2015 e 1,2% no próximo ano. A partir desses dados, a TOV Corretora estimou que o PIB voltará ao patamar do primeiro trimestre de 2012. Dilma tomou posse em janeiro de 2011.

O Focus ainda apontou que, na avaliação dos especialistas, a atividade produtiva terá uma tímida expansão, de 1%, em 2017, e de 2% em 2018. Com isso, a variação média do PIB no segundo mandato de Dilma será negativa em 0,3%. Será o pior resultado desde o governo Collor, quando houve retração média anual de 1,65%.

Para calcular o nível do PIB, o economista-chefe da TOV Corretora, Pedro Paulo Silveira, levou em consideração as contas nacionais trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ele estimou que, no fim deste ano, o índice que aponta a variação do PIB a preços de mercado chegará a 168,03 pontos, a menor marca desde o segundo trimestre de 2012. Em 2016, se confirmada a retração de 1,2%, o indicador cairá para 166,01 pontos, o pior resultado desde o primeiro trimestre daquele ano.

Silveira comentou que os erros do governo na condução da política econômica fizeram o país andar para trás. Entretanto, avaliou que, após o encaminhamento de projetos de ajuste fiscal ao Congresso, deputados e senadores assumiram parte da responsabilidade pela piora das expectativas. “Quanto mais tempo eles demorarem para aprovar as medidas, mais pessimistas ficarão os agentes econômicos. Com isso, as previsões para o PIB despencarão”, explicou.

Silveira considera que as estimativas do mercado, de uma expansão de 1% em 2017, estão subestimadas. Ele explicou que, historicamente, o Brasil costuma a mostrar recuperação forte após períodos de retração do PIB. “Isso ocorre porque o espírito animal domina e aumenta significativamente o apetite do empresário”, disse.

Desemprego

Para o professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) José Luis Oreiro, o fato de o PIB voltar aos níveis do início de 2012 é muito ruim, considerando que um dos principais efeitos da retração econômica é o aumento do desemprego. Nas contas dele, a taxa de desocupação ultrapassará os dois dígitos no fim do primeiro semestre de 2016.

Oreiro destacou que a crise política precisa acabar para que os agentes econômicos tenham previsibilidade em relação ao país. Apesar do cenário nebuloso, o economista observou que a alta do dólar tem levado empresas brasileiras a substituir importações pela produção doméstica. Segundo ele, esse movimento dará fôlego à produção industrial, que também se beneficiará do aumento das exportações.

O ajuste nas contas externas será positivo para a recuperação da economia e, se o governo reduzir os entraves burocráticos, segundo Oreiro, poderá licitar projetos de infraestrutura no segundo semestre de 2016. “Esses investimentos são importantes para impulsionar a retomada do crescimento”, comentou.

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