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Enfraquecimento cada vez maior do governo Dilma aumenta o nervosismo do mercado, num dia em que balanço ruim da Petrobras também desanima investidores. Ações da petroleira despencam. Dólar interrompe seis dias de alta e recua 0,83%

Em mais um dia de volatilidade, a crise política, o balanço do 1º semestre da Petrobras e a intervenção do Banco Central (BC) no câmbio tiveram interferência direta, ontem, nos mercados. Na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa), os sinais de esfacelamento cada vez maior do governo da presidente Dilma Rousseff levaram o pregão a fechar em queda de 2,87%, aos 48.527 pontos. Com isso, o Ibovespa terminou a primeira semana de agosto com retração de 4,5%. Por outro lado, depois de seis altas consecutivas, o dólar recuou 0,83% e terminou o dia cotado a R$ 3,508. Na semana, a moeda acumulou alta de 2,44%.

A baixa da divisa norte-americana ocorreu após o BC ampliar a oferta diária de contratos de swap cambial — de 6 mil para 11 mil contratos — e anunciar a rolagem integral das operações com vencimento em setembro. Na prática, a autoridade monetária aumentou a intervenção no mercado como forma de conter a forte valorização do dólar. O movimento, porém, não foi suficiente para afastar o receio dos investidores de sofrer prejuízos com o provável rebaixamento da nota de crédito do país pelas agências de classificação de risco, diante da incapacidade do governo de executar o ajuste fiscal e a aprovação, no Congresso, de projetos que aumentam ainda mais as despesas públicas.

Para o professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) José Luis Oreiro, o BC erra ao ampliar a intervenção no mercado de câmbio. Ele observa que o custo das operações de swap, que equivalem à venda futura de dólares, é enorme para um país que precisa fazer uma elevada economia para pagar os juros da dívida pública. Além disso, Oreiro ressaltou que o real desvalorizado favorece a indústria, que precisa ter preços competitivos para conseguir e manter mercados no exterior. “Sem o crescimento desse setor o país não conseguirá sair da recessão”, comentou.

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