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Em maio, taxa dos papéis negociados atingiu 12,58% ao ano — a maior paga pelo Tesouro Nacional desde 2011

Deco Bancillon deco.bancillon@brasileconomico.com.br

 

Brasília – A escalada dos juros básicos posta em prática pelo Banco Central (BC) está custando caro ao Tesouro Nacional, que em meio à pressão da inflação e diante do pessimismo de investidores, passou a ter de remunerar melhor os detentores de títulos da dívida pública federal. Em maio, a taxa dos papéis negociados pelo governo no mercado interno atingiu 12,58% ao ano. Esse valor considera a remuneração do estoque da Dívida Pública Federal Interna (DPFi) em 12 meses e representa a maior taxa paga pelo Tesouro desde 2011.

Uma fatura ainda mais pesada foi gasta com a remuneração da Dívida Pública Federal (DPF). Considerando todas as emissões do Tesouro em moeda local ou estrangeira, a taxa média das operações em 12 meses chegou a 14,03% em maio, com alta de 0,43 ponto frente a abril. Mas, pior do que o valor pago pela dívida, é a forma como essa remuneração tem subido. Em dezembro de 2014, o custo médio do estoque da DPF havia sido de 11,84%, levando em conta as operações em 12 meses. De lá para cá, essa taxa já avançou 2,19 pontos percentuais.

Diante de tantos aumentos, e devido ao fato de o governo ter feito mais emissões de títulos da dívida pública do que resgates desses papéis, a conta a ser paga só aumentou. Em maio, o passivo do Estado em poder de investidores atingiu R$ 2,496 trilhões, com alta de 1,83% em relação a abril. Dois fatores contribuíram para elevar a conta. No mês passado, a apropriação de juros pelos investidores custou ao Tesouro R$ 24,70 bilhões. Já a emissão líquida de papéis somou R$ 13,11 bilhões.

Isso num cenário em que o BC já deixou claro, segundo analistas, que continuará pesando a mão sobre os juros básicos, e num momento em que o mercado passou a ver o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) podendo encostar nos 9%, até dezembro deste ano.Professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), José Luis Oreiro não tem dúvidas de que ambos os números já foram incorporados à remuneração do Tesouro aos detentores de títulos da dívida pública. “O investidor está sempre tentando antecipar o futuro. Se ele acredita que tanto os juros, quanto a inflação vão ser maiores daqui para frente, para se precaver, ele já passa, hoje, a cobrar mais caro para emprestar dinheiro ao governo”, diz.

Adquirir títulos atrelados à Selic também é uma das formas de se proteger desse possível novo aperto monetário. Não por acaso, em maio, a participação de títulos corrigidos pela taxa básica de juros no estoque da dívida federal chegou a 20,21%, ante 20,09% em abril. Isso ocorre mesmo com a maior intenção do governo em reduzir a participação desses papéis no passivo mobiliário. Para 2015, a meta é reduzir os títulos atrelados à Selic para um intervalo entre 17% e 22% do estoque da DPF, conforme parâmetros do Programa Anual de Financiamentos (PAF).

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