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O doutor em economia e presidente da Associação Keynesiana Brasileira, José Luis Oreiro, será um dos palestrantes do XXI Congresso Brasileiro de Economia (CBE 2015), a ser realizado entre os dias 9 e 11 de setembro, na Universidade Positivo, em Curitiba/PR. Oreiro vai abordar o tema “A Visão Keynesiana sobre a distribuição da riqueza e a sua Importância para o crescimento da Economia”.

O economista considerou o tema do evento “A apropriação e a distribuição da riqueza – desafios para o século XXI”, muito oportuno, uma vez que, na visão Keynesiana, a adequada distribuição da riqueza é importante para dar um sentido de coesão social no capitalismo.

“Uma sociedade em que a diferença de renda entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres é superior a 10 vezes (como é o caso do Brasil) é potencialmente explosiva”, diz o economista. “Precisamos reduzir essa diferença para o padrão que observamos nos países da OCDE que varia de 4 a 5 vezes”, salienta.

Não se trata, obviamente, de almejar uma sociedade totalmente igualitária, esclarece Oreiro, acrescentando que a utopia socialista foi desacreditada pelos fatos históricos. “Mas, podemos e devemos almejar uma sociedade mais igualitária, onde as diferenças de padrão de vida entre os indivíduos e as famílias não dependa tanto das circunstâncias históricas de nascimento (ou seja, oriundas do berço), mas apenas das competências, habilidades e esforço individuais. É esse tipo de sociedade que observamos nos países nórdicos da Europa: Suécia, Noruega, Dinamarca. Essa deve ser a meta de longo-prazo para a sociedade brasileira”, ressalta.

O economista também observa que, nos últimos 30 anos houve uma piora na distribuição pessoal e funcional da renda nos países desenvolvidos em função da desregulação crescente dos mercados financeiros, do aumento do desemprego e da redução dos impostos sobre os mais ricos, especialmente nos Estados Unidos. De acordo com ele, no Brasil a distribuição de renda é extremamente desigual devido à fortíssima concentração de riqueza herdada desde o tempo das capitanias hereditárias e aos efeitos nefastos da escravidão.

“Com a promulgação da Constituição de 1988, a distribuição de renda passou a ser um tema central na política e na sociedade brasileira. Os avanços que obtivemos desde então, consolidados com a estabilização da economia a partir do plano Real e as políticas de redistribuição de renda da era Lula, são ainda insuficientes. Para que a sociedade brasileira tenha um padrão minimamente aceitável de distribuição de renda e de riqueza precisamos reverter a regressividade da estrutura tributária brasileira e aumentar a tributação sobre heranças”, finaliza.

Link: http://www.cbe2015.org.br/single6.html#
JOSÉ LUIS OREIRO é graduado em Ciências Econômicas pela FEA-UFRJ (1992), mestre em Economia pela PUC-RJ (1996) e doutor em Economia pelo IE-UFRJ (2000). Atualmente é professor do Instituto de Economia da UFRJ, pesquisador Nível IB do CNPq, líder do Grupo de Pesquisa “Macroeconomia Estruturalista do Desenvolvimento” e presidente da Associação Keynesiana Brasileira. Publicou mais de 80 artigos em revistas científicas nacionais e internacionais como o Cambridge Journal of Economics, o Journal of Post Keynesian Economics, CEPAL Review, Revista de Economia Política, Revista Brasileira de Economia, Estudos Econômicos, entre outros. É co-autor do livro “Developmental Macroeconomics” publicado em 2014 pela Routledge.

 

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