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Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) para o ano apresenta queda de 1,34% em janeiro

Diego Amorim /Correio Braziliense , Célia Perrone /Correio Braziliense

Brasília – A economia brasileira começou 2015 como deve terminar: em retração. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) — indicador criado para tentar antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) — apresentou queda de 1,34% em janeiro, na comparação com o mesmo mês de 2014. Frente a dezembro, a retração foi de 0,11%. O resultado representa a segunda contração seguida mensal do indicador, que já havia recuado 0,57% em dezembro do ano passado, após revisão do dado pelo Banco Central (BC). Os números foram piores do que as expectativas do mercado financeiro — que esperava alta de 0,2% — e acabaram reforçando a perspectiva de que o país esteja em recessão.

A constatação de uma economia em marcha-ré reduz, por ora, as apostas de fortes altas na taxa básica de juros (Selic). Com a inflação em torno dos 8% em 12 meses, esperava-se ajuste total de 0,75 ponto percentual nas duas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). Mas o IBC-Br levou analistas a acreditarem em ritmo menor. “A perspectiva de fevereiro é negativa e reforça o viés recessivo”, sustenta o economista-chefe da INVX Global Partners, Eduardo Velho.

Com a economia andando para trás, o aumento do desemprego se torna uma ameaça concreta. Na semana passada, os números da Pnad Contínua, anunciados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostraram o avanço da taxa de desocupação na virada do ano, cenário esperado e que deve ficar ainda mais claro nos próximos meses.

Para o economista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) José Luis Oreiro, não há como reverter esse ambiente desfavorável nem no curto nem no médio prazo. “As vendas no comércio despencaram, o desemprego vai crescer: é visível que a economia brasileira parou. Não se trata de o quadro recessivo estar se aproximando: a verdade é que ele já chegou”, analisa.

As medidas fiscais anunciadas pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, também contribuirão de maneira significativa para reduzir o crescimento, destaca Carlos Reis, um dos fundadores da Prime Corretora e do Banco Prime de Investimento. “Aperto é aperto: não terá outro jeito. Teremos de encarar uns dois anos de muita dificuldade para arrumar a casa”, diz. “Os desgastes políticos entre representantes do Executivo e do Congresso Nacional acentuam as incertezas em relação à economia, o que leva a uma diminuição do volume de investimentos”, emenda o economista José Luis Oreiro. “Há muitos fatores conspirando para tornar a recessão algo inevitável”, afirma ele, que alerta para os riscos da demora na concretização do arrocho.

O impacto do escândalo de corrupção na Petrobras, incluindo os efeitos da redução dos investimentos da companhia e os rompimentos de contratos, poderá ter um impacto de até 0,5 ponto percentual no PIB deste ano. Não à toa, a cada semana os analistas consultados pelo BC para o Boletim Focus intensificam as apostas de um ano bastante ruim para a economia.

Peso no bolso Os números divulgados ontem revelam piora para a inflação, PIB e preços administrados, entre outros. Quanto ao PIB, os especialistas de 100 instituições financeiras ouvidos pelo BC para compôr o boletim, consideram que o tombo deve chegar aos -0,78%. Foi a 11ª queda consecutiva. Na semana anterior, a previsão era de retração de 0,66%. Mas há quem aposte em baixa ainda mais forte. André Perfeito, economista-chefe da Gradual Corretora, é um dos analistas que acredita que pode ter boas, mas também mais más notícias ainda por vir e a queda pode ser maior do que o esperado. “Considero uma retração de 1% este ano e um crescimento de 1,5% em 2016, por causa da baixa base de comparação”, revelou. A consultoria Tendências vai além: prevê -1,2%. “Já trabalhamos com esse número há algum tempo devido à queda no consumo, ao aperto fiscal, aos reflexos da operação Lava-Jato nos investimentos da Petrobras e empreiteiras”, listou. Já a Selic prevista pelo Focus foi mantida em 13% para 2015. É a mesma projeção da semana anterior.

De acordo com o Focus, depois da carestia extrapolar as expectativas, os especialista reviram as projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): passaram de 7,77%, na semana, passada para 7,93%, ontem. Um mês atrás eram de 7,27%. E o cenário fica pior quando se olha a análise de médio prazo feita pelos Top 5, que é o grupo de economistas que mais acertam as previsões. Pulam de 7,97% para 8,33%. Também foi a 11ª semana consecutiva em que há alta das previsões para o IPCA. No quesito preços administrados, os especialistas aumentaram de 11,18%, na semana passada, para 12% nesta semana. O BC explicou que a projeção leva em conta o aumento de 8% da gasolina, de 3,2% no gás de bujão e alta de 38,3% dos preços de energia elétrica, devido aos repasses às tarifas do custo de operações de financiamento, contratadas em 2014, da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

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