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Com investimentos e indústria em baixa, a economia brasileira encolheu no segundo trimestre, e as projeções agora apontam para crescimento perto de zero neste ano. O Produto Interno Bruto (PIB, renda total gerada no País por um período) recuou 0,6% de abril a junho, na comparação com o primeiro trimestre, revelou nesta sexta-feira, 29, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Como houve revisão para baixo no dado do primeiro trimestre, o quadro da economia se divide entre recessão e estagnação, segundo economistas, e o assunto entrou de vez no debate eleitoral. O desempenho do primeiro trimestre frente o último de 2013 foi revisado de uma alta de 0,2% para um recuo de 0,2%. Com duas retrações seguidas, na comparação com o trimestre anterior, há “recessão técnica”, segundo a teoria econômica.

Economistas se dividem sobre o efeito disso na economia real: para alguns, há recessão, para outros, estagnação, mas todos concordam que o resultado é muito ruim para um país em desenvolvimento. A recessão técnica e o mau desempenho das contas públicas, também divulgado hoje, poderão levar a rebaixamento nas notas do Brasil nas agências de risco.

A Fitch, uma das três grandes agências, afirmou em relatório que a contração na economia ressalta desafios importantes para enfrentar após as eleições. Após uma onda de revisões hoje, pesquisa da Agência Estado aponta para crescimento de apenas 0,35% neste ano, pior desde 2009, auge da crise internacional. Assim, a média de crescimento econômico do governo Dilma Rousseff ficaria em 1,6%, a pior desde o governo Fernando Collor (1990-1992).

Os candidatos à Presidência aproveitaram para criticar hoje a política econômica do governo. Aécio Neves (PSDB) criticou duramente o ministro da Fazenda, Guido Mantega, destacando que o modelo de gestão da economia do governo petista fracassou. Marina Silva (PSB) afirmou que o País atravessa um momento grave, “em que há falta de confiança e de credibilidade”.

A presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, classificou como “momentânea” a retração no segundo trimestre e disse esperar uma “grande recuperação” no segundo semestre. Assim como Mantega, ela citou o excesso de feriados, por causa da Copa do Mundo, e a economia internacional como responsáveis pelo resultado. A maioria dos economistas ouvidos hoje discorda. “Que crise? A estagnação é efeito direto da política econômica do governo”, disse José Luís Oreiro, professor do Instituto de Economia da UFRJ, criticando a falta de estratégia na gestão da economia e lembrando o forte crescimento nos Estados Unidos.

Pela ótica da demanda, os investimentos tiveram as maiores quedas desde o auge da crise internacional, entre 2008 e 2009. O consumo das famílias teve o 43º trimestre seguido de alta (na comparação com igual período do ano anterior), mas com redução no ritmo, de 2,2% no primeiro trimestre para 1,2% no segundo. Pela ótica da oferta, o PIB industrial recuou 3,4% em relação ao segundo trimestre de 2013, pior queda desde 2009. O PIB de serviços, por sua vez, desacelerou para alta de 0,2% ante 2013, menor avanço desde 2003.

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