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O analista sênior da agência de classificação de risco Moody’s, Mauro Leos, esteve ontem (7) em Brasília para discutir a situação da economia brasileira com autoridades do governo e reunir informações para avaliar se a nota de crédito do pais precisa ser alterada. O economista teve encontros separados com o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Marcio Holland, e com o diretor da Área Externa do Banco Central, Luiz Awazu Pereira. Ele deixou o ministério sem fazer comentários. “Não posso dizer nada”, alegou.

Em nota, a Moody’s informou que a visita faz parte das avaliações periódicas sobre países e empresas que possuem títulos em circulação no mercado. O economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, não acredita em rebaixamento do Brasil, apesar do baixo crescimento econômico, da inflação elevada e da deterioração das contas públicas. “A economia tem mostrado resistência”, disse.

Já o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) José Luis Oreiro diz ser provável que, sem recorrer a artifícios fiscais, o governo não cumpra a meta de 1,9% de superávit primário. “Logo, existem razões para as agências de risco baixarem a nota do Brasil.” Como mostrou o Correio na edição de ontem, a situação fiscal preocupa, por exemplo, a Standard & Poor’s (S&P).

Mauro Leos adiantou, porém, que a perspectiva é negativa para Argentina, que está em situação de calote da dívida externa. O país vizinho tem nota Caa1 para o governo e Caa2 para o bônus emitidos sob legislação estrangeira. Ele disse que a avaliação pode cair para Caa3 e lembrou que há rumores de que outras agências — como a S&P e a Fitch — podem aumentar a nota do México. A Moody’s já elevou a classificação do país, em janeiro, para A, dois degraus acima da Baa2, atribuída ao Brasil.

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