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Em 2004, produzir no Brasil era 3% mais barato; 9 anos após é 23% mais caro

Para o economista José Luis Oreiro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a chave para a indústria brasileira neste momento é a competitividade: “E o próximo governo deverá enfrentar quatro desafios: energia cara, com insegurança quando ao fornecimento; câmbio sobrevalorizado, salários crescendo mais do que a produtividade; e infra-estrutura deficiente”, disse, sem analisar, porém, o peso da alta dos juros na desindustrialização do país.

As afirmações foram feitas ao comentar pesquisa da consultoria Boston Consulting Group (BCG), que põe o país entre os que mais perderam competitividade nos últimos dez anos.

O estudo da BCG sustenta que, em 2004, os custos industriais no Brasil eram 3% inferiores aos verificados nos Estados Unidos. Hoje a situação se inverteu: produzir no Brasil é 23% mais caro.

“O câmbio no Brasil ainda está valorizado, exigindo um recuo (depreciação) entre 20% e 30% em três anos”, aponta o professor da UFRJ.

Sobre produtividade, Oreiro insiste em que os salários no país vêm subindo acima da produtividade. Embora reconheça que o investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e inovação é o caminho mais saudável para equacionar a questão, ele afirma que um ajuste no ritmo de valorização salarial seria capaz de apresentar resultados mais rapidamente.

O BCG registra que, de 2004 a 2014, os salários quase dobraram no Brasil. A base de comparação, porém, era extremamente baixa. No mesmo período, o preço da eletricidade no país subiu cerca de 90% e o do gás natural, 60%, enquanto a produtividade dos trabalhadores cresceu apenas 3%. “Investir na inovação é ótimo, mas leva tempo. Exige pesquisa, investimento que pressupõe perspectiva de rentabilidade”, resume.

 

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