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Algumas coisas eu nunca acreditei na minha vida. Nunca acreditei em Bruxas, apesar de minha tia-avó me dizer em bom galego “pero que las hay, las hay”. Também nunca acreditei na existência de duendes (provavelmente por nunca ter usado drogas), fadas e coelhinho da páscoa (este pelo fato óbvio de que coelhos não põe ovos). Uma outra coisa que nunca acreditei foi na existência da assim chamada “Produtividade Total das Fatores de Produção”, vulgarmente conhecida como PTF. Para todos aqueles que se deram ao trabalho de ler o artigo original de Robert Solow (1957) sobre o tema, a PTF nada mais é, parafraseando Denison, do que a “medida da nossa ignorância”, ou seja, trata-se da parcela do crescimento do produto que não conseguimos explicar com base nas variações observadas do estoque de capital físico e do tamanho da força de trabalho, supondo uma economia na qual prevalece concorrência perfeita em todos os mercados, retornos constantes de escala e o progresso técnico é desincorporado. Solow supôs que esse “resíduo” seria resultado do “progresso tecnológico”. Está claro que nada garante que essa resposta seja verdadeira. O “resíduo de Solow” pode ser o resultado de uma medição imprecisa dos insumos observáveis (capital e trabalho), da existência de retornos crescentes de escala (o que aumentaria a contribuição do capital na explicação do crescimento), ou simplesmente decorrência de erro metodológico na growth accounting em decorrência da impossibilidade lógica – ressaltada na Controvérsia do Capital – de se tratar de forma independente a distribuição funcional da renda entre salários e lucros e a taxa de crescimento do estoque de capital.

Apesar de todas essas fragilidades, o esporte predileto entre 11 de 10 economistas neoclássicos brasileiros é o de calcular a PTF para a economia brasileira com vistas a afirmar que nossa semi-estagnação resulta …. do baixo dinamismo da produtividade dos fatores.

Ao ler a matéria intitulada “Mão de Obra pressiona o PIB potencial” pensei que me defrontaria, mais uma vez, com o velho blá-blá-bá do baixo dinamismo da PTF. Mas eis uma grata surpresa: o problema agora não é o baixo dinamismo da PTF, mas sim a redução do ritmo de crescimento da oferta de trabalho. Ao contrário do mantra tradicional sobre o baixo dinamismo da economia brasileira, parece que a “nova matriz macroeconômica” (seja lá o que isso significa) consegui acelerar o crescimento da PTF …l o problema foi a redução não prevista no ritmo de crescimento da oferta de trabalho. Eis um trecho da matéria:

“Para a Tendências Consultoria, o PIB potencial do Brasil ficou estável no ano passado em relação a 2012, em 3%, mas a composição do número foi diferente: o crescimento da oferta de trabalho desacelerou de 2,2% para 0,7% entre um ano e outro, enquanto a PTF deixou queda de 1,9% para alta de 0,2% e o estoque de capital fixo cresceu a taxas parecidas (3,8% em 2012 e 3,6% em 2013)”.

Portanto, prezados economistas liberais, com base na metodologia que vocês tanto gostam, podemos concluir que a economia brasileira ficou mais, e não menos, produtiva, nos últimos anos. O problema é que o brasileiros estão agora mais preguiçosos, por isso estamos crescendo menos ….

 

 

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