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Enviado ter, 04/02/2014 – 07:45 por bruno

 

Jornal GGN – Durante o governo da presidente Dilma Rousseff, a economia brasileira apresentou baixo crescimento – especialmente se comparada com outros mercados emergentes. Em 2011, a alta foi de 2,7%, superior à registrada no ano seguinte: 1%, após revisão do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Mas o que explica o fraco desempenho? Na opinião do economista José Luis Oreiro, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), “o fracasso do crescimento do PIB, eu vejo mais como uma questão estrutural do que conjuntural”.

O especialista, que também preside a Associação Keynesiana Brasileira, foi um dos convidados do programa “Brasilianas.org”, da TV Brasil, transmitido ao vivo na última segunda-feira (3). Esta edição do debate comandado pelo jornalista Luis Nassif discutiu os desafios e vulnerabilidades da atual política macroeconômica.

“Desindustrialização”

Oreiro avalia que o baixo crescimento do país é “reflexo da desindustrialização da economia brasileira”. Segundo ele, esse processo começou ainda nos anos 1980 e, em um primeiro momento, durou até 1999, com a desvalorização do câmbio.

“Naquele momento, parecia que a economia brasileira ia voltar a se industrializar, mas o fato é que a apreciação brutal da taxa de câmbio, a partir de 2005, leva a uma segunda onda de desindustrialização”, disse.

Para o economista da UFRJ, a queda da participação da indústria de transformação brasileira no PIB resultou na “perda de dinamismo” da economia brasileira – entre 1985 e 2012, a fatia do setor no PIB caiu de 27,2% para 13,25%, de acordo com a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). “O fato é que nós temos, hoje, uma situação de estagnação da produção industrial.”

Outro convidado do “Brasilianas.org” da última segunda-feira, o economista e ex-secretário de Política Econômica Luiz Gonzaga Belluzzo afirmou que o fenômeno de desindustrialização da economia do nosso país, citado por Oreiro, começou ainda mais cedo, na década de 1970, durante o regime militar.

“Nós tivemos uma industrialização em cima dos setores velhos da economia”, disse. “Já estava ocorrendo a terceira revolução industrial, que é a revolução da microeletrônica, dos novos materiais etc. Na verdade, perdemos este bonde”, disse.

Governo Dilma

No entanto, Oreiro não eximiu o governo Dilma de uma parcela de culpa pelo fraco crescimento da economia brasileira, argumentando que “a falta de um norte na política macroeconômica também contribuiu para esse resultado pífio do PIB.”

Belluzzo ressaltou que a petista enfrentou uma situação diferente da vivenciada pelo seu antecessor, o ex-presidente Lula, que experimentou “anos gloriosos”, durante os quais “as nossas commodities tiveram um desempenho brilhante, tiveram um desempenho bem favorável para a balança [comercial].”

Além disso, para o economista, “os mercados de trabalho operaram muito bem” e o setor de serviços passou a responder mais pelo crescimento da renda. “O IBGE não marca muito bem esse pedaço”, opinou. “Eu acho que há um problema de mensuração do crescimento dos serviços”.

Oreiro pensa diferente. “Não nego que possa haver um problema de mensuração [do PIB], mas claramente esse problema não explica a inflexão do crescimento médio da economia brasileira a partir de 2010”, disse.

Entre 2003 e 2010, a taxa média de crescimento do PIB brasileiro foi de 4% ao ano, resultado melhor do que os aqueles obtidos nos dois primeiros anos do governo Dilma. “Eu não vejo como um simples problema de mensuração de PIB possa explicar esse desempenho mais pífio da economia”, completou o professor da UFRJ.

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