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Por Marta Watanabe e Luciano Máximo | De  São Paulo

Ana Paula Paiva/Valor / Ana Paula Paiva/Valor

Renato Baumann, do Ipea: abertura comercial gradual é “medida  essencial”

Economistas sugerem mudanças de política cambial e comercial como forma de  dobrar a renda per capital em 15 anos, assunto debatido ontem no 10º Fórum de  Economia da FGV, em São Paulo.

Renato Baumann, do Ipea, defende abertura comercial gradual, mas bem  sinalizada, mantida num período de tempo longo, focada sobretudo nos bens de  produção. “Em quanto tempo não sei. Mas o importante é que o caminho é o  contrário à tendência protecionista que temos seguido.” Para ele, a medida é  essencial para a inserção do país nas cadeias globais de produção.

Baumann destaca que a abertura comercial não pode ser abrupta. “Opções  radicais de abertura comercial a curto prazo podem resultar em custos sociais  mais elevados do que os ganhos da eficiência produtiva.” O economista estima que  a importação de bens e serviços corresponde a 13,9% do PIB, considerando dados  de 2012. Segundo ele, números do Banco Mundial mostram que nenhum outro país  possui um índice mais baixo do que o do Brasil de abertura para importações.

Eliane Araújo, professora da Universidade Estadual de Maringá (PR), defendeu  que o câmbio tem papel fundamental para o crescimento econômico. Segundo ela, as  experiências internacionais mostram que os casos recentes de rápido crescimento  econômico apresentaram taxa de câmbio relativamente desvalorizada.

Ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, pondera as  sugestões de política cambial e comercial. “O câmbio apreciado pode ser bom para  uns e ruim para outros.” Ele exemplifica com produtos de alta tecnologia, como a  Embraer, que importa muito, mas também exporta. “Esse é o grande dilema, temos  que importar mais, mas com base em capital local e geração de tecnologia.”  Barbosa também destaca a necessidade de um debate maior sobre as redução de  tarifas de importação. “Há uma grande discussão sobre isso, inclusive dentro da  própria indústria”, diz ele. Barbosa exemplifica com o aço, que coloca em lados  opostos a indústria do aço e a que tem o produto como insumo. “Essa discussão  precisa ser feita, se vamos baixar tarifas para insumos básicos ou para bens  finais e quais bens finais.”

O cientista social Mariano Francisco Laplane, presidente do Centro de Gestão  e Estudos Estratégicos (CGEE), disse que o esforço que o Brasil precisa fazer  para reativar seu setor industrial não pode depender apenas da política  industrial do governo. “Competitividade depende das empresas com um novo tipo de  qualificação. O fluxo intrafirmas no contexto de globalização e pós-crise passa  a ser parte de sistemas muito complexos.”

O economista José Luis Oreiro, professor do Instituto de Economia da  Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), argumenta que, a despeito da  recente desvalorização, o real sobrevalorizado torna inviável para as indústrias  manter os atuais padrões de ganho real de salários e ampliar produtividade. Ele  defende a redução real dos reajustes salariais. “Não é algo a ser feito da noite  para o dia, nem nesse valor de 48% da sobrevalorização da moeda. A redução do  ganho real de salários, em torno de 20%, dever ser algo a ser feito em cinco,  seis anos. A mudança deve ser coordenada com ajuste fiscal.”

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