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Ana Paula  Viana
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Seis vírgula cinco por cento. Em princípio, a combinação não faz qualquer  sentido para muita gente. Mas esse é um número mágico capaz de mexer com o bolso  de qualquer brasileiro. Trata-se da meta de inflação máxima para este ano,  perseguida com unhas e dentes pela equipe econômica da presidente Dilma  Rousseff. E é justamente esse número oficial que causa tanta estranheza, quando  se fala de aumento de preços no Brasil. Enquanto itens como batata, feijão e  tomate chegaram a dobrar de valor recentemente, aos olhos do governo, a inflação  média no bolso do cidadão comum foi de 6,7%, em 12 meses.

A inflação oficial — medida pelo Índice de Preços do Consumidor (IPCA) — é um  pacotão com os valores médios cobrados, mês a mês, por mais de 400 produtos e  serviços. Cada um deles tem um peso diferente, conforme sua participação nos  gastos médios do brasileiro.

— O sal, por exemplo, pode triplicar de preço, que não vai causar um rombo no  orçamento. Mas se o aluguel disparar, muita gente não vai ter onde morar. Por  isso, há pesos diferentes no índice. O que o governo divulga é uma média para  ilustrar o aumento no custo de vida da população em geral — explica o economista  e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) André Braz.

Item controlado segura alta generalizada

Para o professor de Economia da Universidade de Brasília (UNB) José Luís Oreiro,  a população tem sentido mais o peso da inflação, porque os alimentos e os  serviços encareceram muito. Um índice de 0,26% no mês — como o registrado pelo  IPCA em junho — encobre altas, e também quedas, que chegam a dois dígitos no  período.

— Mas não há manipulação. O que existe são percepções diferentes de acordo  com cada faixa de renda e perfil de consumo. Se uma família tem carro e outra  não, a primeira vai sentir mais do que a outra um aumento na gasolina, por  exemplo — ressalta Oreiro.

Se não dá para segurar o preço da comida e dos serviços, a equipe econômica  volta suas forças para os “pesos-pesados” do IPCA. Dos dez itens mais  importantes para a inflação oficial, seis têm sofrido algum tipo de controle do  governo, como a gasolina, as contas de luz e os carros 0km — que tiveram a  tributação reduzida —, além das passagens de ônibus, cujo reajuste anual —  programado para janeiro passado — foi adiado, a pedido da própria presidente  Dilma Rousseff.

Enquanto o governo corre atrás das metas a serem cumpridas, a aposentada  Helen Tseluiko, de 71 anos, vê seu carrinho de compras mais vazio, a cada visita  ao supermercado Extra, na Cidade Nova, no Centro do Rio.

— É o jeito. Vou substituindo o que está caro para conseguir fechar a conta  no fim do mês — afirma .

Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/economia/inflacao-indice-oficial-um-pacotao-com-mais-de-400-itens-servicos-9108832.html#ixzz2Zg6KM1IS

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