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Diante da expectativa de mais um desempenho fraco  do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, o mercado financeiro está  apostando que o Banco Central (BC) vai seguir uma estratégia de aumento  gradual dos juros básicos, de modo a controlar a inflação sem prejudicar  ainda mais a atividade econômica. Com isso, a previsão dominante entre  os analistas é que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve promover  uma elevação de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião que começa  hoje e termina amanhã, o que levaria a taxa para 7,75% ao ano.

Quando  anunciar a decisão, no início da noite desta quarta-feira, o BC já terá  todas as informações sobre o resultado do PIB no primeiro trimestre,  que será divulgado de manhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e  Estatística (IBGE). Na semana passada, a autoridade monetária apontou  uma alta de 1,05% do IBC-Br, indicador por meio do qual tenta captar a  evolução da atividade econômica. Apesar do número robusto, que, se  confirmado, seria compatível com um avanço superior a 4% do PIB no ano, o  mercado mantém a avaliação de que, em 2013, a economia não terá  crescimento tão acentuado.

A estimativa dos analistas é de que a  economia está se enfraquecendo e, por isso, o PIB deve crescer apenas  2,93% em 2013, conforme ficou claro na edição de ontem do Boletim Focus,  pesquisa em que o BC recolhe as previsões de mais de 100 instituições  financeiras sobre os principais indicadores econômicos. Na semana  passada, por exemplo, a projeção era de 2,98%. Há um mês, acreditava-se  em um avanço de 3%. Na avaliação do mercado, a alta do primeiro  trimestre, captada no indicador do BC, teria sido um movimento “fora da  curva”, que não deve se repetir nos próximos meses.

Sem surpresa O  diagnóstico de que a economia ainda se movimenta em ritmo fraco é o que  leva a maioria dos especialistas a acreditar que a Selic terá um  aumento de 0,25 ponto percentual. Segundo o Focus, o mercado também  projeta a inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo  (IPCA), com leve alta, de 5,80% para 5,81% em 2013. Há quatro semanas, a  estimativa era de 5,71%. Para 2014, a aposta é de um IPCA de 5,80%.

Para  o economista José Luis Oreiro, professor da Universidade de Brasília  (UnB), a semana, embora importante do ponto de vista da divulgação de  números aguardados com expectativa pelo mercado, não deve trazer muitas  surpresas. A Selic, aposta ele, subirá mesmo para 7,75% ao ano. “O Banco  Central adotou uma trajetória de muita cautela”, disse, prevendo que,  até o fim do ano, a taxa básica chegará a 8,5%.

A divulgação do  PIB do primeiro trimestre poderá reforçar, na avaliação de Oreiro, a  tendência do BC de não mexer tanto na Selic. “A inflação está cedendo no  acumulado de 12 meses e não há sinais de retomada de crescimento  acelerado na economia. Existe, sim, um certo receio em adotar um aumento  muito drástico”, completou. “O BC vai manter um avanço lento e gradual  da taxa básica. Aumentará 0,25 (ponto percentual) e vai esperar para ver  o que acontece”, afirmou.

O economista José Matias-Pereira,  também professor da UnB, é outro que não acredita em números destoantes  das previsões feitas até aqui. “O Copom continuará a trajetória de alta,  mas nada muito significativo”, disse. Para ele, o ajuste de 0,25 ponto  percentual servirá, mais do que qualquer outra coisa, para o BC tentar  minimizar a imagem de distanciamento da recente escalada de preços.

Sobre  o PIB, Matias-Pereira pondera ser preciso esperar o resultado do  primeiro trimestre para ter uma visão mais clara, mas não vislumbra  crescimento, até dezembro, superior a 2,5%. “O comportamento da economia  segue preocupante. As medidas do governo não tiveram o efeito  esperado”, comentou.

Na contramão Fernando Montero, economista  do Tullett Prebon, concorda com as projeções de PIB menor e inflação  mais alta. “Sem poder contar com a ajuda do câmbio para segurar os  preços, com a indústria sofrendo com aumento de custos, e fazendo  superavit primário com desonerações pontuais por setor, apenas para  atingir a meta do mês seguinte, só resta ao governo aumentar os juros.  Ele ataca o sintoma e não a causa”, avaliou.

Contrário à maioria,  Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco WestLB do Brasil, acredita  que o BC vai fazer um ajuste maior, de 0,5 ponto percentual, elevando a  Selic para 8% ao ano. “A inflação continua oscilando ao redor do teto  da meta, de 6,5%. A atividade econômica, que vinha contribuindo para uma  postura de maior cautela, deve apresentar um ritmo mais consistente de  expansão no primeiro trimestre, permitindo ao Copom ser mais incisivo no  combate à inflação neste momento”, explicou.

» Governo otimista

O  governo ainda mantém a expectativa de que o Produto Interno Bruto (PIB)  terá crescimento de 3,5% neste ano. A previsão consta da Lei de  Diretrizes Orçamentárias (LDO), divulgada em março. O ministro da  Fazenda, Guido Mantega, no entanto, já admitiu que o número poderá ser  revisto, dependendo do resultado do PIB do primeiro trimestre, que será  divulgado amanhã pelo IBGE. No ano passado, a economia teve avanço de  apenas 0,9%, o pior desempenho desde 2009.

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