Fiquei triste, mas não surpreso, com o anúncio da saida de Nelson Barbosa do Ministério da Fazenda. Triste porque o governo de Dilma Rouseff perde aquele que é, quase certamente, seu melhor quadro técnico. Nelson é um economista com sólida formação na boa teoria econômica (a tradição keynesiano-estruturalista)  e quantitativa. Nem sempre concordei com as medidas sugeridas por ele, mas reconheço nele um talento nato para a formulação de política econômica. Não fiquei surpreso porque, desde o forum de economia da fgv/sp em setembro do ano passado, via estampado em seu rosto o cansaço e o desânimo de ver o rumo que a política econômica estava tomando. O embate com o secretário do tesouro, Arno Augustin, deve ter sido a gota dágua. Ao invés de anunciar em meados de 2012 uma redução da meta de supérávit primário  como medida anti-cíclica – algo totalmente justificável –  a Fazenda optou pelo Reino de Faz de Conta no qual a meta cheia seria obtida com base em toda a classe possível de malabarismos contábeis. Eu vi o rosto de Nelson Barbosa na TV tentando explicar o inexplicável. Ele estava visivelmente contrariado, mas sua fidelidade ao governo o obrigava a dar alguma justificativa para aquele ato de barbeiragem econômica.

Esse episódio fez com que eu me decepcionasse muito com a Presidente da República. Preterir Nelson Barbosa a Guido Mantega e Arno Augustin é coisa de político pequeno, do interior. Pelo visto minha aposta em José Serra em 2010 não era infundada. Deste momento em diante não vejo nenhuma possibilidade de conciliação com o governo do PT. Oscilarei entre a neutralidade ou  o apoio a algum candidato que não represente nem a continuidade com o PT e nem a volta aos anos neo-liberais da era FHC.

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