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Resultado do IBC-BR surpreende e traz novos questionamentos à política econômica nacional

Jornal do BrasilLuciano PáduaTamanho do Texto:+AAImprimir

O crescimento de 1,29% do Índice de Atividade Econômica do Banco Central-Brasil (IBC-Br) em janeiro frente a dezembro, que serve como termômetro para o PIB, mostra que as medidas adotadas pelo governo ao longo de 2012 estão surtindo efeito na economia brasileira, afirmaram economistas. Embora discordem da previsão de crescimento do PIB das autoridades, estimado em 4,5%, os especialistas ponderam que a retomada da atividade econômica no país já era esperada.

Para alguns, o mesmo dado do mês de dezembro do ano passado registrou um resultado muito negativo, – 0,45%, o que reflete a necessidade de cautela. Além disso, destacaram que a atividade industrial, especialmente a grande demanda do setor de caminhões, foi o que alavancou o IBC-BR de janeiro.

“Tomar esse dado como tendência de crescimento é muito precário. A expectativa de que a economia brasileira se recuperasse já estava presente desde o último trimestre de 2012. Mas o número em si é surpreendente”, avaliou o professor do Ibmec, Mauro Rochlin.

Segundo ele, o desempenho pode ser uma resposta às medidas adotadas no ano passado, como a redução da taxa básica de juros, o aumento do investimento público e maior oferta de crédito nos bancos oficiais, entre outras. Ele explicou ainda que o setor industrial, que apresentou valorização de 2,49%, foi muito incentivado pelos bens de consumo, especificamente o automotivo:

“Se olharmos com lupa o resultado, no ano passado o setor automotivo sofreu uma retração porque havia uma questão de regulação do combustível, quando passou a ser obrigatório o uso de um diesel menos poluente e os caminhões precisavam atender a essa determinação. Isso adiou os investimentos na área. Daí o resultado ruim em janeiro de 2012. Por isso, a base de comparação é muito baixa”, destacou Rochlin.

O professor de economia da Universidade de Brasília (UnB),José Oreiro, também citou a desvalorização do câmbio, que leva tempo para surtir efeito na economia, como um dos propulsores para este resultado. No entanto, lança dúvidas à estabilidade da retomada econômica:

Não está claro se a retomada terá fôlego, com crescimento do PIB próximo de 4%, ou se é uma retomada no sentido do ano passado ter sido fraco e se vamos fechar o ano entre 2,5% e 3%. Aposto numa retomada moderada da economia brasileira, por questões estruturais”, afirma Oreiro.

Cautela

O economista-chefe da corretora Gradual Investimentos, André Perfeito, aponta que a variação trimestral do IBC-BR mostra que a economia recupera sua atividade, mas sugere cautela porque o crescimento deve ser gradual. Ele adota um tom menos expressivo para o crescimento do PIB neste ano: 2,1%.

Para ilustrar seu argumento, avalia os gráficos da média de crescimento do PIB trimestral em anos anteriores. Em 2010, por exemplo, quando o país avançou 7,5%, a média foi 1,32%, enquanto em 2011, cujo crescimento ficou em 2,7%, foi 0,35%. Para crescer 3,1% em 2013 – expectativa do mercado -, a média trimestral teria de ser 0,95%, e para atingir a meta do governo, de 4%, tal número subiria para 1,30%, segundo os cálculos do economista.

Ele também destaca que as medidas do governo foram importantes, mas não são as responsáveis pelo resultado positivo. “Elas são importantes mas não abrangem a totalidade da economia”, ressaltou, destacando o dinamismo do comércio em todo o território nacional e a “revolução monetária” que a queda histórica da Selic provocou.

Inflação

Os especialistas acreditam que esse potencial crescimento pode afetar na inflação, que tem preocupado tanto o mercado quanto o governo brasileiro com a possibilidade de se aproximar do teto da meta estipulada, de 6,5%.

“Na medida em que você tem uma recuperação da atividade, os preços livres tendem a crescer mais rapidamente. Espera-se uma maior pressão inflacionária nos próximos meses. O governo conta que isso será temporário por ser decorrente do preço dos alimentos, e a expectativa neste ano é que a safra seja muito boa. Assim, no segundo trimestre teríamos uma redução do índice”, analisou o professor da UnB.

No ano passado, fatores internos, como a fraca safra nacional, e externos, a exemplo da estiagem dos Estados Unidos e da Rússia, afetaram a oferta de alimentos no mercado, causando elevação dos preços. Nesta sexta-feira (15), foi divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) que o Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) variou 0,22%, em março, frente a 0,29% no mês anterior.

Para Rochlin ainda não é possível saber se a inflação está sendo pressionada pela demanda, ou seja, pelo consumo. Mas acredita que com a economia voltando a crescer nos próximos meses, seria necessário uma nova política monetária, que inluiria o reajuste da Selic.

 

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