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Prezado Sr. Ministro da Fazenda, Guido Mantega

Li no Valor de hoje que o Ministério da Fazenda está estudando a criação de um fundo com recursos do Tesouro Nacional para fornecer funding barato para os bancos privados financiarem projetos de infra-estrutura. Confesso que a minha primeira reação a notícia foi de completa perplexidade. Como assim dinheiro do Tesouro para os bancos privados? e o BNDES? Continuo lendo a matéria para buscar uma explicação plausível para esse fato e eis que me deparo com a informação de que o repasse seria feito para os bancos privados (sic) porque o BNDES é muito demorado na concessão de financiamento para os projetos de infra-estrutura !!!! Neste ponto a minha perplexidade cedeu lugar a indignação. Existem duas boas razões pelas quais o BNDES é lento na liberação de recursos, meu caro Ministro. A primeira, de ordem ética, é que os recursos em questão são públicos e, portanto, devem ser concedidos com todo o cuidado possível, analisando-se com cautela o mérito dos projetos que concorrem pelos mesmos. A segunda razão, Sr. Guido Mantega, é que o BNDES é um banco de desenvolvimento e, como tal, está mais interessado no retorno social dos projetos de investimento do que no retorno privado. Bancos privados preocupam-se com o retorno privado dos projetos de investimento, não com o retorno social, por isso não precisam realizar os mesmos procedimentos que um banco de desenvolvimento.   

Em vista dessas considerações como o Sr ainda pode se classificar como um desenvolvimentista? Em que livros ou artigos dessa corrente de pensamento o Sr leu que esse tipo de medida estimula o investimento em infra-estrutura? Não meu caro ministro, desenvolvimentista o Sr não é. Confesso que não sei em que escola de pensamento classifica-lo, se é que é possível classifica-lo em alguma. As medidas tomadas pelo Ministério da Fazenda nos ultimos meses para acelerar o crescimento da economia brasileira parecem-me mais o resultado de um processo decisório confuso, pouco fundamentado e sem uma ideia clara do que deve ser feito e para onde o Brasil deve caminhar. Desenvolvimento, meu caro Ministro, não se faz sem planejamento e, nesse quesito, sua gestão tem sido um completo fracasso.

Meu caro Sr. Ministro, peço-lhe humildemente para parar de afirmar que as medidas que o Ministério da Fazenda adota se baseiam no (novo) desenvolvimentismo. Por favor, não use o nosso nome.

Para o bem do Brasil espero que o Sr leve em conta essas considerações, ao invés de rechaca-las liminarmente como tem sido o seu procedimento habitual.

Saudações Cordiais

José Luis Oreiro

 

 

 

 

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