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O diagnóstico de que a economia brasileira é muito fechada, e que isto prejudica a produtividade do País, não é nem de longe consensual. Economistas desenvolvimentistas, mais próximos do pensamento da atual equipe do Ministério da Fazenda, têm uma visão quase oposta à dos liberais. Para eles, um excesso de importações de produtos manufaturados está prejudicando a indústria nacional, que veem como fundamental para garantir o desenvolvimento econômico no longo prazo.
José Oreiro, economista da Universidade de Brasília (UnB), lista vários argumentos para relativizar o fato de que o Brasil aparece como o país com menor porcentual de importações de bens e serviços (como proporção do PIB) numa lista do Banco Mundial com dados de 179 países.
Em primeiro lugar, ele observa, é preciso distinguir países continentais, como Brasil, EUA e China, de economias médias, como muitos países europeus. As nações continentais, diz Oreiro, tendem a ter um comércio exterior menor como proporção do PIB, devido ao tamanho e diversificação dos seus mercados.
De fato, os Estados Unidos têm importações de bens e serviços de apenas 16% do PIB (dado de 2010), mas a China, com 27%, tem o dobro dos 13% do Brasil.
O economista da UnB argumenta também que a comparação das importações com o PIB não é a mais adequada, pois o PIB contém tanto produtos comercializáveis internacionalmente, como manufaturas e commodities, quanto os não comercializáveis, que englobam a maioria dos serviços.
Oreiro vê um processo de desindustrialização no Brasil, o que diminui ainda mais a fatia dos produtos comercializáveis quando comparados aos não comercializáveis, que compreendem a maior parte da economia.
Mais correto, para ele, é comparar as importações com a produção industrial de bens comercializáveis internacionalmente. Para isso, ele examina o chamado coeficiente de penetração de importações, que é a participação dos produtos importados no consumo doméstico de bens industriais, que dobrou de 10% em 2003 para 21% em 2012.
“Está ocorrendo um processo significativo de substituição da produção doméstica por importações, o que mostra que a parte comercializável (internacionalmente) da economia está mais aberta”, diz Oreiro.
Para ele, o problema de produtividade da economia brasileira deriva da falta de investimentos, que, por sua vez, é causada em boa parte pela valorização cambial. “A desvalorização recente não foi suficiente para compensar seis anos seguidos de forte apreciação cambial”, analisa o economista. / F.D.
Diferenças
179 países foram incluídos na lista do Banco Mundial sobre a participação das importações no PIB
27% foi o índice chinês – mais do que o dobro do patamar registrado pela economia brasileira
16% foi o porcentual da participação de produtos importados na economia americana

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